Músicas classificadas para a Finalíssima da

24ª MOENDA DA CANÇÃO

Domingo - 22/08

 

EM PAZ
Gênero/Ritmo básico: Canção
Letra e Música: Duca Duarte (Porto Alegre – RS)
Violão - Duca Duarte
Baixo - Miguel Tejera
Bateria - Marco Michelon
Acordeom - Paulinho Goularte
Flauta - Texo Cabral
Intérprete - Pirisca Grecco

Quero andar em paz
Respirando todo gosto de outono
Que esse vento traz
Quero andar em paz!

Quero andar em paz
Retirando do caminho as pedras
Vou deixando as perdas que ficam pra trás
Quero andar em paz!

E vou andar bem mais
Bem mais do que me foi previsto
A estrada é longa, mas eu não desisto
A conquista é fruto do que a gente faz

Quero andar em paz
E a cada passo refazer o chão
Pra demonstrar minha convicção
por toda vida quero andar em paz!

 

VIOLAS DO SUL DO BRASIL
Gênero/Ritmo básico: Toada
Letra e música: Mario Tressoldi e Chico Saga (Tramandaí – RS)

Viola e voz - Mário Tressoldi
Violão e voz - Chico Saga
Percussão e voz - Flávio Jr.
Percussão - Rodrigo Reis
Baixo - Cristiano Ramos
Intérprete:
Grupo Chão de Areia

O tropeiro trouxe a viola
Pra tocar no sul do Brasil
E matar a saudade da sua morada,
Foi assim que Rio Grande ao sertão se uniu.

Do pó da estrada... ao radio de pilha...
Que tocava moda, toada e canção,
A viola caipira por onde passava,
Trazia alegria pra quem lhe escutava
E assim encantava qualquer coração.

A viola veio pra esta terra
E o seu coração se encantou,
Animou tantos bailes e festas do povo,
Foi lamento de um moço que se enamorou.

Andou na estrada com a fé do Divino,
Tocando catira pro povo dançar,
No Terno de Reis visitou tanta casa,
A magia cabocla então ganhou asas
E no nosso sertão conquistou seu lugar!!!

A viola também é do sul,
Na cultura migrante ancestral,
O gaúcho é rincão e sertão,
Nos recantos do meu litoral...

Por aqui plantou a semente,
Fez o nosso povo cantar
Tantas modas bonitas de amor pela terra,
Espalhou alegria por todo lugar.

Um som brasileiro que encurta distâncias
Paixão sertaneja que canta e sorri,
Foi o sol da manhã que acordou passarinho,
O Rio Grande até hoje não canta sozinho,
Depois que a viola chegou por aqui.

 

GEOGRAFIA DA INSÔNIA
Gênero/Ritmo básico: Canção
Letra: Jaime Vaz Brasil (Porto Alegre – RS)
Música: Adriano Sperandir e Cristian Sperandir (Osório – RS)
Violão e voca l -Adriano Sperandir
Piano - Cristian Sperandir
Bateria - Sandro Bonato
Contrabaixo - Giovani Fraga
Intérprete: Adriana Sperandir

No colo da minha insônia
vejo a fome a andar nas sotas
das gordas que, de Botero,
não vão aos pratos de Angola.

Sinto guerras, maremotos
e espadas de Andaluzia.
Uma Odisseia, um naufrágio
e tudo o que eu não queria.

No colo da minha insônia
— voluntário e delirante —
há um Leonardo gritando
ao futuro e seus distantes.

A morte nas mãos de Goya:
um grito preso. (E liberto).
Theo, no amarelo das cartas,
girassola um sol incerto.

Vai meu sono, vai,
e canta o que não cantei.
Vai meu sono, vai...
pra onde mais não sei.

No colo da minha insônia
sou gigante e sou pequeno.
(Entre Amadeus e Salieri,
me liberto e me condeno).

No céu, Ghandi a fazer roupa
reparte a paz que alucina
com o homem que — sem armas —
parou um tanque na China.

No colo da minha insônia
desmaio, cansado e mudo.
(E o sono faz, sem alarme,
o desarme dos escudos).

A noite arma o cenário:
sou cavaleiro e cavalo.
Beijo as Valquírias de Wagner.
Fecho os olhos. E me calo.
Vai meu sono, vai (...)

 

DE ARREPIAR A ALMA
Gênero/Ritmo básico: Chacarera Estilizada
Letra: Paulo Righi e Carlos Omar Villela Gomes (Santa Maria – RS)
Música: Piero Ereno (Jaguari – RS)
Violão - Gabriel "Selvage"
Flauta - Texo Cabral
Bateria - Marcelinho Freitas
Baixo - Pierro Ereno
Teclado - Diogo Matos
Intérprete: Juliana Spanevello

Um riso estranho (de arrepiar a alma!)
afoga o silêncio na noite estrelada;
E até a lua que fazia sala
se escondeu com medo dessa gargalhada.

Esses rumores que chegam do nada,
vêm encher de sombras o campo vazio;
Riso com jeito de alma penada,
assustando os homens com seu assovio.

Tem um fantasma recorrendo a noite,
a espalhar espantos do que não se viu;
As suas sombras têm jeito de açoite,
castigando o mato, rebelando o rio!

Um quero-quero se põe em alerta,
a fazer dueto com seu assovio;
É o vento forte que virou fantasma
congelando os ossos de quem não tem frio!

Há um fantasma pela madrugada
a mostrar suas garras pra quem não quer ver;
Olhos pequenos cuidam as janelas
sem baixar a guarda até o amanhecer.

O vento segue com suas correntes,
arranhando as tábuas e o santa-fé;
Quem sente medo não acha consolo
e não prega o olho, de orelha em pé!

 

ELÉTRICA
Gênero/Ritmo básico: Milonga
Letra e Música: Érlon Péricles (Porto Alegre – RS)
Baixo e vocal - Miguel Tejera
Acordeom - Guilherme Goularte
Bateria e voz - Marcelinho Freitas
Guitarra - Paulinho Fagundes
Intérpretes: Érlon Péricles e Pirisca Grecco

Milhões de descargas elétricas,
num milongão de fronteira...
É coisa feia, coisa feia, coisa feia!

Um choque cultural anestésico,
à minha maneira...
Que corcoveia, corcoveia, corcoveia!

Elétrica milonga na minha guitarra,
firmando a tradição e o que ela me fala!

Bota essa bombacha pra dançar
num surungo noite afora,
vejo a poeira levantar.
Bota essa bombacha pra dançar,
porque a eletricidade da milonga é de mata!

Elétrica...
Corrente que não pode se cortar!
Elétrica...
Não deixa essa milonga se apagar

 

A PEDRA QUE DESPENCOU
Gênero/Ritmo básico: Milonga
Letra: Diego Müller, Sérgio Sodré e Cristiano Barbosa (Canoas - RS)
Música: Robledo Martins e Maurício Lopes (Pelotas - RS)
Violão - Maurício Lopes
Violão - Maikell Paiva
Violão - Gabriel "Selvage"
Baixo - Carlos de Cesaro
Intérprete: Robledo Martins

Devolvo ao lugar antigo
A pedra que despencou
Do memorial que ficou
Num fundo de inyernada...
Silhueta arredondada
Moldando a paz do varzedo,
Misto de entono e segredo
Rodeando a terra rebolcada!

Costeia no pé do serro,
Os caponetes de aroeira...
Se adoça de pitangueiras
Quando a estação coloreia...
Tuas frestas, igual veias
Onde circula a lembrança
Dos que deixaram distâncias
Pra o índio que campereia!

Chão batido — pêlo e terra —
Estroncas inda aguentando,
Touro entonado berrando
No ritual de outro banho...
Hoje limitas rebanhos
— Pra sustento da minha terra —
Mas escorastes nas guerras
Muito o zunir dos estanho!!!

Velha mangueira de pedra...
...Me assombraste na infância,
Quando eu sorvia na estância
Tantas coisas que aprendi...
E ao apeiar, eu senti,
Um anseio que insiste:
Que bom se o pago sentisse
Esta paz que há em ti!

Assim, ajeito outras pedras
— Em respeito não me apuro —
Mas repenso um futuro.
Que aos poucos vem apertando.
E me pergunto: até quando
Escutarás minhas esporas?...
...Porque vejo, campo a fora,
A criação se findando!!!

 

A LÁGRIMA DO PALHAÇO
Gênero/Ritmo básico: Alternativo
Letra: Bárbara Jaques (Recife – PE)
Música: Thiago Lasserre (Recife – PE)
Bateria - Alexandre Souza Barros
Contrabaixo - Thiago Lasserre Ferreira
Guitarra - Well Carlos da Silva
Intérprete: Bárbara Jaques de Góes

Para que? Tanto sorriso se não vai sobrar
Nem um pedaço pra poder contar
Que esse palhaço pode enfim, guardar
Algum sorriso pra depois

E não houver mais nenhum bis
A maquiagem acabar
Poder tirar o seu nariz

Alegoria em seu chapéu
Esconde seu lado cruel
Difícil de equilibrar
Andando em corda bamba

Lona, dezenas de cambalhotas
E as piadas idiotas
Que todo mundo sempre ri

Foge com esse seu sapato grande
Antes que alguém se manque
E deixe de te assistir

Olha só, o saltimbanco só é de dar dó
O trapezista não quer lhe ajudar
E só o levou a jaula dos leões
E emprestou o seu batom

Pro artista se pintar
Fazer renascer o dom
De ridicularizar

Lá vem o mago com seu chapéu
Fez um estrago ao palhaço
Fez desaparecer de imediato
Toda sua alegria

Olha o coelho na cartola
O velho som da radiola
E o palhaço a chorar

E molha sua roupa colorida
Tanta lágrima caída
Sem ninguém pra lhe animar

 

CABEÇA
Gênero/Ritmo básico: Milonga
Letra: Vinícius Brum (Porto Alegre – RS)
Música: Tuny Brum (Santa Maria – RS)
Violão - Tuny Brum
Teclados - Paulo Bracht
Bateria - Rafael Bisogno
Acordeom - Elias Resende
Baixo - Felipe Alvarez
Intérprete: Vinícius Brum

Cabeça desalojada
Cada memória, um punhal
O pensamento é ferida
Aberta dentro do sal.
Cabeça a vestir nevoeiros
E dentro é só vendaval
Idéias feitas de raio
Solidão meridional.

Cabeça despetalada
Formigueiro, faxinal
Náufrago morro de sede
No meio do temporal.
Cabeça de casas velhas
Futura cabeça modal
As paredes têm murmúrios
Choram lágrimas de cal.

Cabeça avessa cabeça
Num vestido fantasmal
Todas as folhas caindo
Do seu vazio outonal.
Desordenada cabeça
Desmantelada cabeça
Cabeça já sem cabeça
Na sua nudez primal.

O meu amor sem cabeça
Enlouquecendo sem pressa
Coração que me arremessa
Todo o bem, e todo o mal.

 

MOLEQUE
Gênero/Ritmo básico: MPB/Embolada Repentista
Letra e música: João Corrêa (Rio de Janeiro – RJ)
viola caipira - João Correia
Percussão e voz - Luk Brown
Intérprete: João Corrêa

Dá-lhe Moleque!
Moleque esperto
Nasceu sem lua
Nasceu pra se virar
Pé-de-goiaba, abacateiro
Tantos quintais
Pra fome não matar
Pedindo esmola
Cheirando cola
Brincar no sonho
Dormir não acordar
Anjo descalço
Faltando asas
No voo triste
Estampado no olhar
Malabarista do asfalto quente
Pedindo a gente
Esperança pra lhe dar
Arma de fogo
Choro calado
Desesperado
Pronto pra atirar

A infância perdida no imenso Brasil
É o veneno desse país
Eu canto esta rebelde melodia
São os filhos de Deus nosso Senhor

Tem moleque na redoma da riqueza
Não imagina a pobreza
De um pequeno coração
Tem moleque cego, coxo, mudo e surdo
Que se vira absurdo
Um encontro com a emoção
Tem moleque a mercê de cão raivoso
Covarde impetuoso
Na perdida profissão
Tem moleque rasgando lindo sorriso
Que às vezes é preciso
Desvendar a solução
Tem moleque fruto da realidade
Filho da infelicidade
Cadê o futuro da nação?

Dá-lhe moleque!
Moleque esperto
Fazendo o certo
E a vida encontrar
Esconde-esconde
A brincadeira
Minha criança
Corra e vai brincar
Vá caminhando
Não tenha medo
Já desde cedo
Saiba enfrentar
A claridade
Sol de alegria
Quem sabe um dia
Isso tudo vai mudar

A infância perdida no imenso Brasil
É o veneno desse país
Eu canto esta rebelde melodia
São os filhos de Deus nosso Senhor

 

ESCRITOS DO MURO FLUTUANTE
Gênero/Ritmo básico: Milonga
Letra: Jaime Vaz Brasil (Pelotas – RS)
Música: João Bosco Ayala e Everson Maré (Guaíba – RS)
Violões - João Bosco Ayala e Everson Maré
Contra baixo - Guaraci Guimarães
Piano - Nilton Jr.
Percussão - Mano Ayala
Bandoneon - Carlitos Magallanes
Intérprete: Robledo Martins

Um vento leve em meu corpo
ergueu-me um pouco do piso.

(O real do imaginário
coração, já não diviso).

A mentira e a verdade
são vizinhas e distantes

erguendo suas pandorgas
sobre um muro flutuante.

(Alaridos de guerrilha,
mansidões de peregrino,

cada verso tem o peso
de um planador sem destino

voltando aos poucos à pista
que talvez ainda exista).

Do concreto ao intangível
o poema vai ao muro

pleno de pampa e de mundo,
solto às linhas do futuro.

A caminho da fronteira
o silêncio se conjuga

enquanto cerra ou transpassa
as portas de cada fuga.

(Olhos fechados, me escuto
e ouço por dentro um menino

dizendo que em cada verso
há um planador sem destino

voltando aos poucos à pista
que talvez ainda exista).

 

Corpo de Jurados:
Shana Muller
Leandro Cachoeira
Caetano Silveira
Zebeto Correia
Rodrigo Bauer



Voip