LETRAS DA 1ª MOENDA
em ordem alfabética
ASTRONAVE DE PAPEL
CANA DOR E DOCE
CURURUAI
DANÇA DOS TRIGAIS
ERRANTES
MORADA
NOS BAILES DO MATADOURO
PROFECIAS
PUNHAL DE GELO
QUANDO EXISTE UMA AUSÊNCIA
REVOADAS
ÚLTIMO DIA DO VELHO CHIRU, O
Letra: Jaime Vaz Brasil
Música: Marco Aurélio Vasconcelos
Intérprete: Marco Aurélio
Vasconcelos
É prima dos cataventos,
mas não vive em cativeiro.
Ela conversa com anjos,
veste sol no corpo inteiro.
Astronave campesina,
astronave de papel.
Leva sonhos estrelados
pelas fronteiras do céu.
Pássaro imóvel nas brisas,
inquieto nas ventanias.
Asa aberta em tardes claras.
Passaporte de alegrias.
Na armação dessa nave,
folhas leves e sortidas.
São remendos do espaço,
com estampas coloridas.
Essa pandorga, tão mansa,
que à mão dos ventos flutua,
carrega olhos atentos,
direto ao mundo da lua.
É uma janela nas nuvens,
transportando as fantasias,
do astronauta menino,
que namora as três-marias.
Lenin Nuñes: violão
Osmar Carvalho: violão
Antônio Rocha: bandolin
Letra: Guido de Jesus Machado
Moraes
Música: Luis Carlos Camejo Cardoso
Intérprete: Luis Cardoso
A cana é dor na moenda,
na indiferença dos bois...
depois "guarapa" na tenda,
e rapadura depois...
Mas, antes de ser doçura,
e rapadura... Quanta dor!
O corte, a morte, a tritura,
no engenho moedor.
VAI MOENDO, MOENDA,
CANAS E GANAS DA ALMA:
QUE A SEDE DO CORAÇÃO,
SÓ ESTE SUCO ME ACALMA!
No alambique destilando,
vira "AZULADA RAINHA":
consola o índio que sofre,
ou é brinde na festinha...
Aquece a alma e o corpo,
faz esquecer ou pelear:
quantos caminhos, caninha,
no nascer ao destilar!
Após o corte, a morte e o sofrimento,
teu sumo vem me consolar!
Jorge Carreta: flauta
Mário Brião: violão
Marcelo Caminha: violão
Zulmar Benitez: bombo
Letra: Harry Rosa e Alvandy
Pereira Rodrigues
Música: Delce Rosa
Intérprete: Harry Rosa
Das madrugadas de um caminho
ameno
Nas águas puras do Cururuai
Onde os colonos viram novo Reno
Pesqueiro farto do meu Pai-Guri
A correnteza leva a história antiga,
Fica a saudade pra eu cantar aqui...
Veias do vale hoje tão poluídas
Trazem escondidas o sangue imigrante
O povo, a fauna, a flora, a alma, a vida
Até se calam frente a essa ganância
Que não descansa, ataca o próprio vento
(Clarim mui xucro, sonho itinerante).
Rio dos Sinos — Cururuai
Chora enchente a agonizar
No teu leito já não vejo
Alegria a navegar...
Mas apesar da triste realidade
Que ameaça hoje nova geração
Vou resistir nas várzeas e canhadas
A emboscada dessa poluição
Que nesse jogo de cartas marcadas
Chama progresso essa vil invasão...
Tu, descendente dessa feitoria
és nova cria que há de cantar
Nos festivais, galpões e parlamento
Contra a violência que se fez aqui
Porque em seu leito não dorme tranqüilo
O Rio dos Sinos — Cururuai.
Claudemir Dorneles: piano
e voz
Conrado Maleski Jr.: percussão
Delci Rosa: violão e voz
Egbert de Araujo Parada: violão
Harry Jr.: violão
Letra: Beto Barros
Música:
Sérgio Rojas
Intérprete: Eraci Rocha
Aninhando a vida no seio
do rancho
O plantador dá descanso aos músculos;
Na constância dos dias, esfolando as mãos,
Pelo patrão se repete em crepúsculos.
Virando noites, lavouras
e campos,
Com pirilampos clareando ventos,
Do norte vindo, sonhos infindos,
Jaziam regados de lua e relento.
(estribilho)
O trigo
dança a música das safras
À luz da retina de quem o plantou
Que embalando quimeras de agrárias esperas
Ficou nas restevas, nada lhe restou.
Mais ainda riscamos a terra
esperança,
Velamos o tempo e vazamos suor,
Vemos a vida ir e vir se esvaindo,
Vestindo as mãos de calo e de dor.
Não esmoreçamos por semear
ideais
Cada vez mais fortes, amadurecidos,
Pois um dia faremos verter da verga
A sorte e o amanhã para nossos filhos.
Sérgio Rojas: violão e
voz
Adair Peres: violão
Cao Carada: violão
Adalberto R. Filho: baixo
Chicão Dornelles: percussão
Letra: Beto Barros
Música: Celso Bastos
Intérpretes: Ivo Fraga
Lá se vão plantadores campeiros
eternos herdeiros do verbo migrar
Fazem picadas, sovam caminhos
Marcham sozinhos querem tentar
Retirantes errantes
testinos destinos
Vão regando com prantos
Os subúrbios latinos
Povoaram os campos bordados
em trevo
Antes das cercas e invernadas
Sentaram ranchos que hoje taperas
Ressonam esperas de serem pousadas
E por vezes mesclando intentos
Se fazem ventos, tentam voar.
Acordam chorosos tristes ansiosos
A espera da noite pra poder sonhar.
Eduardo Jaeger: piano
Beto Bollo - violão
Celso Bastos: violão
Letra e Música:
Mário Barros
Intérprete: Délcio Tavares
Eu fiz morada na espera
Quando esperar era o fim
Busquei rumos na saudade
E ela negou-se pra mim
Então cheguei à verdade
No momento de partir
Quando somente as estrelas
Me diziam aonde ir
As léguas levam e trazem
Os anseios retovados
Que fazem de meus ideais
O couro em que fui trançado
Um caminho divergente
Fica sempre tão igual
Se o horizonte é mais longe
Do que seu próprio final
Por isso trama e palanque
É que fazem meu sustento
E o som de gaita em bailanta
Me vem ao sopro do vento
No colo de alguma prenda
Sempre encontrei meu alento
Me entreverando nas luzes
Que espiam no firmamento
E assim vou domando os
dias
No potreiro da existência
E vou retossando as noites
das aragens, das essências
encilho um flete aragano
E os versos desta vivência
São as cantigas que canto
Aos recantos da querência.
Mário Barros: violão
Osmar Carvalho: violão
Oscar dos Reis: acordeon
Plauto Cruz: flauta
NOS
BAILES DO MATADOURO
Vanerão
Letra: Ivo Bairros de Brum
Música: Delci Taborda
Intérprete: Delci Taborda
Os bailes do matadouro
Sempre terminam em peleia,
No som surdo do pandeiro,
E a gaita que pigarreia,
Muitas mulheres sem dentes,
E machos de cara feia.
A copa só vende
canha,
E alguma cerveja quente,
Onde a luz de querosene,
Não clareia o suficiente,
O preferido é o mais feio,
Por jeito de mais valente.
(estribilho)
E meta canha e meta baile,
Meta baile, meta canha,
No fim quem tá melhor bate,
E o mais borracho é que apanha.
Um trago pra cada marca,
Do chamado martelinho,
É um bebe e dança danado,
Ninguém quer ficar sozinho,
Tem facão de todo o porte,
Nas sombras do escurinho.
Nos bailes do matadouro,
Galinha não bota ovo,
E os galos sempre amanhecem,
Lá no presídio do povo,
Mas podem se preparar,
Que domingo tem de
novo.
Luis Bastos: violão
Heleno Gimenez: baixo
Eurides Nunes: gaita ponto
Delci Taborda: violão e voz
Letra: Airton Pimentel
Música: Pedro Leandro S. Silveira
Intérprete: Daniel Torres
A dor que me queima por
dentro
Morava escondida a espreita.
Assistindo-me aguardando um momento
Para incinerar a esperança
Que me era fonte, onde brotavam flores.
Será, será, será, será...!
Que alcançaremos a paz gloriosa
Do amor acalentado nos corações sonhadores.
Se as ambições campeiam
Nesse mal social que nos destrói.
que nos nega o teto,
Que nos tira o pão,
Promove mercenários.
Que enjeita os meninos,
Que cria assassinos,
Prostitui os moços,
Abandona os velhos,
elege insensatos,
Censura poetas.
Ah! Poema frio!
Punhal de gelo!
Será, será, será, será...!
Punhal de gelo
Que me dilacera.
Que me põe inútil
E vulnerável
À sanha gulosa
Destes predadores.
Onde acabará essa aflição meu Deus.
Verga-me o chumbo
desse pesadelo.
Vamos consagrar
Apressadamente o bem social.
será, será, será, será...!
Plauto Cruz: flauta
Carlos Catuípe: violão
Pedro Guerra: violão e voz
QUANDO EXISTE
UMA AUSÊNCIA
Milonga
Letra: João Alberto Preto
Música: Talo Pereyra
Intérprete: Eraci Rocha
Quando você foi embora
Minh'alma ficou sem teto
Choveram mil desencantos
E hemorragias de cantos
Ficaram mudas de afeto.
Quando partiu seu perfume
deixei a porteira aberta
Do meu coração fogueiro
Pra rever seu corpo inteiro
Braseiro que me desperta.
Quando você foi presente
Meu rancho tinha carinhos
E aquele jardim de flores
Agora só chora dores
Tamanha ausência e
espinhos.
Quando você foi embora
Seus olhos de Lua cheia
Foram levando de mim
As madrugadas sem fim
E o mundo que me rodeia.
Mas quando você voltar
Trazendo a luz da manhã
Para meu peito enlutado
Vou reviver arranchado
Em seus lábios de romã.
Talo Pereyra: violão
Texo Cabral: flauta
Letra: Jaime Vaz Brasil
Música: João Chagas Leite
Intérprete: Daniel Torres
Há ventos de liberdade
Soprando na redondeza.
Anunciação de trabalho,
Alegria e pão na mesa.
Se desenham novos tempos
No espelho dos sorrisos.
O rádio toca vaneiras
Entre remédios e avisos.
Vozes derrubam muralhas
E levantam monumentos
As multidões se aglutinam
A escutar juramentos.
serão profetas do pago
a gritar sobre montanhas,
Ou simplesmente homens simples
que a verdade acompanha.
Que se desfaçam as sombras.
Se dissipem nevoeiros.
Não há forças nem vontades
se a vida apaga o luzeiro.
Essa voz que faz promessa
É luz clara em noite escura
Nesse clima de espera
Há novidades maduras.
Se refazem profecias
E pelo ar se pressente
enquanto se plantam sonhos
A terra aguarda sementes.
Pedro Guerra: violão
Carlos Catuípe: violão
Daniel Torres: violão e voz
Letra: Jaime Brum Carlos
e Flaubiano Silveira Lima
Música: Maryse Bender
Intérprete: Leo Almeida
Quando o sol se recolhe
no poente
a prenunciar o açoite das geadas
asas leves traçam novos horizontes
emoldurados em serenas revoadas.
Voando ao longe, em bando,
as andorinhas,
levam no dorso a opala do céu azul.
Nas plumas brancas do peito levam paz
pra os mesmos rumos que as trarão de volta ao sul.
Mas este universo que tem
cor de ouro
pra quem é livre no voar altivo,
tem cor de bronze pra quem não tem asas
e cor de sangue pra quem é cativo.
O eterno revoar das andorinhas
simboliza a verdadeira liberdade.
Pra quem vai e vem só por gostar da volta
o mundo é pleno de amenidades.
Nestas ocasiões de verões
que findam,
as andorinhas, no planar das asas,
levam os sonhos de quem parte junto
e deixam anseios pra quem fica em casa.
Para os que partem carregando
penas,
sem as asas serenas pra voar
o universo é um recanto, apenas,
onde se escondem os rumos de voltar.
Hilton Vaccari: violão
Texo Cabral: flauta
José Cláudio Monteiro: bandoneon
O ÚLTIMO
DIA DO VELHO CHIRU
Toada/Galopa
Letra: Antônio Carlos Machado
Música: Ênio Rodrigues
Intérprete: José Cláudio Machado
Rumbeando caminhos na pampa
infinita
Voltou-se pra dentro de si num momento
Viu coisas que o tempo já tinha esquecido
E vieram bem vivas no seu pensamento
Viu garças voando na velha
barranca
Manchando de branco o azul deste céu
Viu chuva e garoa, viu Lua e boeira
Viu Sol no nascente como um fogaréu
Viu potros baguais e éguas
madrinhas
Viu tropas na estrada no rumo da morte
Viu gente com fome, viu peão explorado
Viu gente na tava brincando com a sorte
Viu mate sorvido por gente
sofrida
Viu piás repartindo migalhas de pão
Sentiu a tristeza da mãe campesina
Ao ver o seu filho sem nada na mão
Viu china lindaça rolando
na cama
O nu mais bonito que tem na lembrança
Viu bailes de rancho ao som da cordeona
E estouros de ferros depois da lambança
Sentiu tanta coisa no mesmo
relance
Que o velho chiru nem mesmo entendeu
Picou o seu fumo, babou bem a palha
Puchou a fumaça tragou e morreu
Ênio Rodrigues: violão
José Cláudio Monteiro: bandoneon
De Santana: percussão
Pedro verf: baixo