LETRAS DA 2ª MOENDA
em ordem alfabética

ADAGA, FACA, XERENGA
BOM DIA!
CONTANDO ESTRELAS PELO CÉU
DE EM PELO
DUELOS DO MUNDO
MORADA NOTURNA
NA CANCHA DOS VERSOS A PALAVRA SALTA O SENTIDO

RECAIDA DE BACUDO
RESTOS DE SILÊNCIO
SOMOS NÓS
TROPEADA DO ENTENDIMENTO
UM CANTO À TERRA

 

ADAGA, FACA, XERENGA
Chamamé

Letra: João Batista Machado
Música: Julio Machado
Intérprete: Leopoldo Rassier

Fui ADAGA quando MOÇO, ventena à maneira antiga;
hoje VELHO sou XERENGA, desgastada pela vida.
Me falta o calor do abraço de alguma guaiaca amiga.

Quando MOÇO, fui ADAGA, manejada com destreza;
mas o tempo e a natureza modificaram meu porte;
virei FACA de bom corte, ganhei bainha de couro,
também dois anéis de ouro enfeitando o cabo de osso.
Larguei das artes de MOÇO, me aquerenciei na cintura.

Como FACA fiz reparos no que a adaga fez de mal,
lotei de charque o varal, fiz todo o ofício crioulo;
até que o tempo, rebolo, me deixou meio capenga:
de cabo e fio rebentado, eu passei a ser XERENGA,
eu passei a ser XERENGA de cabo e fio rebentados.

Já não "desquino" mais tentos, meu inverno está mais frio;
e se a bainha sumiu, me "rebusco" na experiência;
e apesar de eu ser XERENGA, sou chuva, sol, sou semente,
GENTE ensinando a ser GENTE, a plantar PÁTRIA e QUERÊNCIA.
GENTE... PÁTRIA... QUERÊNCIA...

Lenin Nuñes: violão
Osmar Carvalho: violão
Carlitos Magallanes: bandoneon
Paulo Deniz Jr.: baixo

 

BOM DIA!
Milonga

Letra e Música: Cao Guimarães
Intérprete: Loma

Pousa na barra do dia,
um colibri,
coisa mais rara, guria,
que eu nunca vi.

Que eu nunca vi tanta aurora,
nas asas do amanhecer,
tenho nas mãos esta hora,
idéias de não se crer,
e meu olhar campo fora,
cruza as fronteiras do ser,

pra nunca mais se perder,
pra nunca mais esquecer. (bis)

Bom dia!
Começa tudo outra vez.
Bom dia!
Bom dia, vida,
bom dia!

Mano Monteiro: bandoneon
Cao Guimarães: violão
Mestre Neri Caveira: percussão

 

CONTANDO ESTRELAS PELO CÉU
Vanerão

Letra: Sérgio Napp
Música: Luis Carlos Borges
Intérprete: Paulo Geiger

É, meu amigo,
de repente uma saudade
feito minuano quando sopra pela tarde
irmão de mate
essa ternura que me queima
é a cevadura mais que justa
para o amor
quem sabe um trago
companheiro de caminho
esse carinho tá querendo me ganhar
como dizer sem machucar
o tempo me marcou sem consultar

ê, coração, guloso irmão
ê, coração, tinhoso amigo
ê, coração, misterioso coração

ora te inquieta a solidão
ora te aquieta a ilusão
às vezes choras
e me dizem que é paixão

e então ansioso
e parecendo sem razão
me vês assim
a divagar
contando estrelas pelo céu.

Toneco da Costa: violão
Clóvis Alegre: guitarra
Luís Carlos Borges: acordeon
Pedro Figueiredo: flauta

 

DE EM PELO
Toada

Letra: Armando Vasques
Música: Doly Carlos da Costa
Intérprete: Daniel Torres e Os Posteiros

De em pêlo, te quero montar,
china linda,
que ainda és razão dos meus rumos.
De em pêlo, sem freio,
maneia ou buçal,
sem segredo, sem medo,
submissa na entrega total.
De em pêlo te quero domar,
prenda linda,
e, em tuas tranças negras,
minhas mãos enredar.
Prender-te em meus rumos,
levar-te comigo
onde nem os sonhos conseguem chegar.

Tu és meus anseios,
minha fonte, minha sina,
cacimba onde bebo
sem me saciar.
és quincha onde arrancho
a ilusão dos meus sonhos.
És sede que o mate
não pode matar.

Na noite da nossa cavalgada,
quantas flores do campo,
ao servirem de leito,
morrerão por nós dois.
Mas depois,
quando a última estrela se for,
pediremos perdão a esses lírios,
que teu corpo moreno, em delírio,
transformou em fragrância
na ânsia do amor.

Francisco Koller: violão Gibson
Celso campos: violão
Doly carlos da costa: bandoneon
Participação especial:
Milton Bock Ricardo Morschbacher: cello

DUELOS DO MUNDO
Milonga/Candombe

Letra: Gaspar Machado
Música: Lenin Nunes
Intérprete: Ivo Fraga

Adagas terceando
Ao molde dos braços
Que rasgam feridas
Com talas de aço

Razão pra lutar
Cada um tem a sua
Na tarja do olho
Oitavado pra Lua

À forja tempera
O golpe mais duro
Que a destra certeira
Desfere no escuro

A cada pontaço
Um fraco se ajoelha
E o vil que recua
Na morte se espelha

De talhos retalhos
E sangue no chão
Se cobrem de luto
A paz e a razão

Não basta destreza
Nem prata o punhal
Que a fé dos vencidos
Tombou no portal

Duelos do mundo
De rinhas e abate
À vida se molda
Na dor do combate

Sérgio Rojas: violões, baixo e vocais
Cláudio Gonçalves: percussão

 

MORADA NOTURNA
Toada

Letra: Mauro Moraes
Música: Chico Saratt
Intérprete: Chico Saratt e Neto Fagundes

Daremos aos bancos das praças,
A sina dos moços,
E a força de estar...
Seremos bandeira de luta,
Porteira de fuga,
Prá todo buscar!

Faremos do leito das ruas,
Morada noturna,
À luz do luar...
Iremos invertendo caminhos,
Avesso do ninho,
Sem ter que sonhar.

Sangue na lida,
Modo de vida,
Andorinhas revoando casebres,
Todo Dia...
Seca nos pastos,
Homem no espaço,
E a gente comendo esperanças,
À revelia!

Agora o badalo dos sinos,
Devolve aos livros,
As velhas igrejas...
Meu povo anda faminto,
Seguindo instintos,
Erguendo uma estrela.
E os olhos com sede de estrada,
Ressecam distâncias,
No mesmo lugar...
Encilham ao longo das matas,
O sonho das casas,
Que está por chegar.

Chico Saratt: violão e vocal
Canela: baixo
Antônio Rocha: guitarra
Marcelo Faria: Teclado
Quico Morales: bateria

NA CANCHA DOS VERSOS A PALAVRA SALTA O SENTIDO
Milonga/Candombe

Letra: Jaime Vaz Brasil
Música: Vinícius Brum
Intérprete: Tambo do Bando

A palavra é um cavalo
Que não se prende em maneias.
No campo liso dos livros
Embora imóvel, passeia.

Ela salta seu sentido
Das mãos de quem a labora.
No corpo ágil do verso
Crescendo, recebe esporas.

E galopa sempre
explodindo as baias
Correndo nas linhas
Que se fazem raias
E nessa carreira
No prado-poema
Tem a liberdade
Sua forma extrema.

A palavra nos revela
— No momento em que dispara —
Contra os espelhos de tropo
A sua face mais clara.

E na garupa dos verbos
A imagem-passaporte
Recebe, enquanto cavalga
O seu mais livre transporte.

Vinícius Brum: violão e vocal
Texo Cabral: flauta
Beto Bollo: percussão e vocal
Leandro Cachoeira: vocal
Participação especial:
Chicão Dornelles: percussão
Paulo Deniz Jr.: baixo

 

RECAIDA DE BACUDO
Vanera

Letra: Jorge Rodrigues
Música: Francisco Sherer
Intérprete: David Menezes Junior

Te "alembra" do JUVENAL,
flor de campeiro e ginete,
peão antigo dos FAGUNDES,
lá pras bandas do ALEGRETE?

Pois nem te conto!
O índio foi prá cidade
e "demudou" barbaridade,
tu talvez não acredite
que um taura grosso,
criado em beira de sanga,
resolveu "soltar a franga"
e hoje "atende por Judite".

COISA DE LOUCO
COMO TEM DISSO HOJE EM DIA
NO TEMPO DAS "CASA VÉIA"
DESSE MAL NÃO SE SOFRIA
ONDE SE VIU
"HOME" DE BOCA "VERMEIA"
AS MELENAS MAL TOSADAS
E BRINQUINHOS NO "MOL DA OREIA".

A parentalha
se fazendo de inocente
diz que é coisa que o destino
reservou pra o tal vivente.
e a vizinhança
fez até uma reunião
e chegou à conclusão
que a doença do infeliz
é um problema que entra e sai
sem deixar pista
ou é um vírus comunista
infiltrado na raiz

Mas a verdade descoberta finalmente:
— só pode ser picadura
de algum bicho semovente.

Jorge Rodrigues: violão
Francisco scherer: acordeon
Roberto c. Lemos: baixo

RESTOS DE SILÊNCIO
Milonga

Letra: Gilberto Carvalho
Música: Ewerton Ferreira
Intérprete: Flora Almeida

...Estão velando restos de silêncio
Ou será que a vida foi embora?
— Apenas o cochicho de alpargatas
Passeia nos meus passos rancho à fora!

Nem as rolinhas arrulham no arvoredo,
Nem o sogueiro vem resfolegar,
Depois de andar "borracho" de mormaços
O dia foi na noite descansar.

(estribilho)
E me dou conta então que este silêncio
Não é de um mundo que chegasse ao fim.
é o tempo ternamente aquerenciando
A estrada que procuro para mim.

Parece que do ar tirou-se o som
Ou será que eu ensurdeci?
— Não estalam as lenhas no fogão
E a labareda baila quieta em si!

Quem sabe se de tanto ouvir barulhos
Pra sufocar angústias do caminho
Foi que perdi as sensações mais simples
Que hoje regressam porque estou sozinho?!

(estribilho)
E me dou conta então que este silêncio
Não é de um mundo que chegasse ao fim.
É o lento despertar de um novo dia
Da vida nova que acordei pra mim!

Roberto Thiesen: violão
Vitor Peixoto: teclados
Ana Lúcia Louro: flauta
Amauri Iablonowski: flauta e piccolo

 

SOMOS NÓS
Chamamé

Letra: Dilan Camargo
Música: Vinícius Brum
Intérprete: Tambo do Bando, Elton Saldanha e Rui Biriva

Esses
desses becos.
Essas
dessas peças.
Esses
dos piquetes, dos impressos.
Essas
das travessas, às avessas
somos nós e a nossa voz
somos nós.

e assim vamos
no mano-a-mano
por cima do pano
passando o risco do círculo
abrindo o cerco do circo.

E assim vamos
atando os nós
dos fios entre nós
cantando temas, poemas
sabendo o que vale a pena.

Esses
desses becos...
correndo pra mesma foz
somos a sede, o assombro
somos o nada, nada, nada das manadas
correndo pra mesma foz
somos a livre, longa pomba

somos a soma, o sonho...

Vinícius Brum: vocal
Texo Cabral: flauta
Beto Bollo: baixo
Leandro Cachoeira: vocal
Elton Saldanha: violão e vocal
Rui Biriva: vocal
Luís Carlos Borges: acordeon

 

TROPEADA DO ENTENDIMENTO
Candombe/Galopa

Letra: Humberto Gabi Zanatta
Música: Antônio Gringo
Intérprete: AntônioGringo e Os 4 Ventos

Custei...
Mas compreendi
Que o mundo vai além,
Além do aramado destes campos,
Muito além deste horizonte manso
E é bem mais amplo...

Custei...
Mas compreendi
Q
ue o mundo roda,
Roda mais que a cuia do chimarrão
Na roda de fogo do galpão...

Custei...
Mas compreendi
Que a casa grande e rica
Foi feita com muitos ranchos,
Ranchos pobres de peão,
Muitas vezes,
Sem rancho e pão...

Custei...
Mas compreendi
Que se o boi vale muito,
Muito, muito, muito mais
Vale o peão que cuidou
Do boi que vale muito...

Custei...
Mas compreendi
Porque peão só é rima
E arrimo de patrão...
Se de peão
Se faz pão,
De pão
Também se faz peão,
Fermento de transformação...

A mão do peão
Amassando a massa
De um novo pão
Em Fermentação
Em Transformação
Em Revolução...

Luís Carlos Ranoff: violão e vocal
Aldoir Miguel Ranoff: baixo e vocal
Sérgio Rosa: acordeon
Marcelo Schmidt: bateria/percussão
Participação especial:
Francisco Scherer: violão solo

 

UM CANTO À TERRA
Chamamé

Letra: Cláudio Martins
Música: Carlos Catuípe
Intérprete: Cléia Gomes e Catuípe

Quero cantar tua história
Tuas glórias, teu passado
Quero cantar teu reizado
Numa noite de natal
Eu quisera ser igual
Aos cantores de peitada
Pra meu canto ecoar na estrada
E acordar o litoral.

Quero cantar os teus rios
A várzea, os arrozais,

A serra, os canaviais
E a lagoa cor de prata
O ruido da cascata
Arroios e cachoeiras
E pescar nas ribanceiras
Sentindo o cheiro da mata.

Quero cantar e dançar
Com os Masquês mascarados
Quero lembrar o passado
As canchas de carreiradas
Ser cristão nas cavalhadas
Dos mouros tomar a lança
E quero juntar lembranças
Perdidas pelas canhadas

Eu quero beber as lágrimas
Dos teus olhos, Oh, meu santo
Eu quero cantar o canto
De história de amor e lenda
São bagaços de moenda
Do canavial da existência
Resumo, hoje essência,
Dos caprichos de uma prenda.

Carlos Catuípe: violão e vocal
Adão Leal: viola 10 e vocal
Mário Gubert: baixo
Carlos catuipe Jr.: bateria
Lauri Scholl: vocal