LETRAS DA 3ª MOENDA
em ordem alfabética

ABRINDO CAMINHOS
BAILONGO NO MATO GRANDE
DESTERRADOS
(IN)TERNO DE REIS
LUZ DEMAIS
MILONGA DO PENDULAR ENCONTRO
OFICINAS
PELAS VEIAS DE MEUS VERSOS
PEQUENA CANÇÃO
SEGREDO ANTIGO
SUBMUNDO
TREM MAGIAR, O

ABRINDO CAMINHOS
Galopa

Letra: Dilan Camargo
Música: Celso Bastos
Intérprete: Neto Fagundes

Cavalgo por algo
Neste campo absoluto
Meus palas de festa
Meus palas de luto
O vento na testa
Nada mais escuto.

Cavalgo por algo
E me largo no infinito
Minhas tropas e coplas
Minhas guerras e mitos
Adaga nas manoplas
A vida é um grito.

(estribilho)
Cavalgo por algo
Nesta viagem em que trago
O meu par de esporas
Estrelas sonoras
Abrindo caminhos
Na luz das auroras.

Cavalgo por algo
Neste lago verde e raso
Na língua que falo
O sol dos ocasos
Os cascos e os causos
Dos homens cavalos.

Cavalgo por algo
Neste sul que foi azul
Ainda não cheguei
Na fonte me procuro
Mas cavalgar eu sei
Ao rio do Futuro.

 

BAILONGO NO MATO GRANDE
Vanera

Letra: Jaime Caetano Braum
Música: Lucio Yanel
Intérprete: Luís Marenco

Um par se vem
Outro que fica
E a gaita louca
Se desmancha no salcero
Salta faísca com fumaça de candeeiro
Que reberbera no cabelo da marica.

A gaita velha
Muitas vezes é culpada
Do diz que diz que
Dos cochichos e segredos
Mas o gaiteiro faz de conta e não diz nada
Porque ele sabe
Que os culpados são os dedos.

De cada china
cada olhar é uma arapuca
Promessa linda
Que tonteia quando chama
Na vanerita
Que se adoça e se derrama
Um céu de estrelas
Nas pupilas da maruca.

Um galo canta
Um cusco acoa
Um touro berra
E na penumbra
A parceira se abaguala
O chinaredo farejou cheiro de terra
E há uma neblina galopeando pela sala.

E a gaita xucra
Se aveluda, depois se amansa
Num soluço de ansiedade
E anda nos ares
Gaguejando uma saudade
Não há quem saiba de onde vem tanta ternura.

 

DESTERRADOS
Milonga

Letra: Luiz Coronel
Música: Lenin Nuñes
Intérprete: Lenin Nuñes

De tanto deixar a vida
Perder razão ou sentido
Tu sentes as mãos vazias
E o coração dividido

Já não pões os pés no chão
Nem aqueces a chaleira
Não sentes o aroma do pão
E o perfume da madeira

Se já não te reconheces
Entre a plantação e o rebanho
Não és pássaro nem vento
Distante sozinho estranho

Ouve a guitarra do amigo
Seus causos e cantilenas
O mundo diz muito pouco
Nesta floresta de antenas

Faz a viagem de tua infância
Aos arrojos, pescarias
Cavalga pelos atalhos
O claro sol da alegria

 

(IN)TERNO DE REIS
Canção

Letra: Sérgio Napp
Música: Vinícius Brum
Intérprete: Tambo do Bando

Uma estrela rasga o céu
Não é uma noite igual
Não é por certo o momento
De se dizer não.
Sopra um vento de leve
Faz a roseira curvar-se
E o cheiro da noite é o cheiro
De noites antigas:

eles vêm cantando
Anunciando um menino
eles falando
Que a fé pode ser um menino
Eles vêm pedindo
Licença pros seus meninos
eles vêm sorrindo
Será que são meninos?

Eu abro as mãos e ofereço
A minha casa modesta
A minha festa pequena
De quem nem mais se lembrava
De um tempo de portas abertas.

Não é por certo o momento
Do desacerto e do não
Nasce um menino e com ele a esperança:
Será o momento de acalentá-los?

 

LUZ DEMAIS
Valsa

Letra e Música: Cao Guimarães
Intérprete: Beto Randazzo

Sopra sobre a sombra
o doce aroma da manhã
morena linda, estrela,
toma em tuas mãos
minh’alma cadente e louca
que tomba e sente
que te ama tanto, tanto
e o Sol já vai nascer.

O dia vem cortando campo
no tranco do espanto
rumo despertar
e a noite em coma
me reclama, louca,
pede pra ficar
que a luz do teu olhar é leve
e o sol que assoma breve
trama luz demais
menina madrugada
a estrada chama,
engana os ideais.

O drama ronda sobre os nossos sonhos,
sinto a estrela extrema estremecer,
se esvai...
é claro!
todos os amores são noturnos,
são mortais.

 

MILONGA DO PENDULAR ENCONTRO
Milonga

Letra: Jaime Vaz Brasil
Música: Pery Souza
Intérprete: Ivo Fraga

A semana que se foi
me deixou a impressão
que o tempo ao meu redor
de tão velho já cansou.
(A saudade que me pôs
os relógios lentos
intervala sempre o nosso encontro).

A galope, meu cavalo
voejando no caminho
me transporta em seu bailado
parecendo, sem saber
recriar de cada vez
num impulso breve
quatro timbres surdos de tambores.

Ah, coração, hoje o tempo em mim
desgovernado se fez assim:
quando te encontro, morre em seguida;
quando retorno, perde as medidas,
Mas cada dia mais renitente
vem a certeza que de repente
eu vou quebrar o pêndulo
do nosso amor de sábados
e transmudar os sábados
do nosso amor tão pêndulo.

a distância, tão presente,
se apequena ou se desfaz
sempre quando num segundo
fecho os olhos sem querer
e adivinho minhas mãos
em lugar das rédeas
a ganhar as formas do teu corpo.

Quando volto, vem comigo
o sorriso quase morto
dos abanos da porteira
tatuando meu olhar.
No regresso flui em mim
um silêncio grande
e o gosto rubro do teu beijo.

 

OFICINAS
Canção

Letra: Sérgio Napp
Música: Cesar Dorfmann e Luiz Carlos Borges
Intérprete: Victor Hugo

Nas oficinas do tempo
se forjam dias e noites
os teus sorrisos e afagos
são minhas benfeitorias.

Os versos são armadilhas
e as rimas são suas presas
as estrelas que me guiam
são tuas luzes acesas.

Nas carreiradas da vida
é um tal de se perde e ganha
mais que o laço do destino
me prenderam tuas manhas.

Com as adagas do canto
enfrento qualquer combate
nem a morte causa medo
só teu desprezo me abate.

 

PELAS VEIAS DE MEUS VERSOS
Chamamé

Letra: João Rosalvo Silveira e Elton saldanha
Música: Paulo deniz Jr. e Elton Saldanha
Intérprete: Neto Fagundes

Não, não são meus olhos que te fazem linda,
Nem meu querer te quer como uma flor,
é que exalas da flor o mesmo aroma,
E espalhas no caminho, pétalas de amor.

Se houver adeus na voz do teu silêncio,
se nada houver além do teu olhar,
então verei murchar a flor que trago em mim,
e canteiros de vazios irão brotar em teu lugar.

Vem, vem e faz
Viver sem não
Querer sem se
Amar sem mas

Mas, se houver amor no fundo dos teus olhos,
onde se esconde a luz de meu universo,
canto o teu amor, rasga o teu silêncio,
E cala a dor que corre pelas veias de meus versos.

 

PEQUENA CANÇÃO
Canção

Letra: Dilan Camargo
Música: Celso Bastos
Intérprete: Victor Hugo

Cultivo no meu peito
Uma canção pequena
Ponteando minha guitarra
A minha irmã serena.
No fundo desta terra
Há uma raiz latina
A força que ela tem
Ela me ensina.

O motivo de meu canto
Existe em toda gente
E a fúria de mil ventos
O impulso das vertentes.

Solto o meu canto
E ele se aumenta
A força que ele tem
Ele sustenta.

Se eu pudesse então
Cantar
Uma canção somente
Cantaria
Para acordar um continente.
Se eu pudesse só
Cantar
Um canto insurgente
Cantaria
Para explodir uma semente.

 

SEGREDO ANTIGO
Milonga

Letra e Música: Adair de Freitas
Intérprete: adair de Freitas

Quando me abanco pra compor um verso,
Penso, começo, mas não chego ao fim,
Não é por vício, mas preciso um trago,
Para tropear o verso que há em mim.

E a rima brota saludando a vida,
Como parida de um parto sem dor,
de lombo duro pra contar verdades,
mansa e costeada pra falar de amor.

A cana é doce, amarga é a canha,
a vida é boa, o mundo não,
Se assim não fosse, que coisa estranha,
Eu não teria nem inspiração.

Meu verso pobre já pegou costume,
De ser meu lume pela vida afora,
E me conduz na escuridão do mundo,
Quando a saudade me cutuca esporas.

Por ter meu canto a transparência ingênua,
Da canha pura que golpeio a esmo,
Às vezes conto este segredo antigo,
De achar abrigo dentro de mim mesmo.

 

SUBMUNDO
Canção

Letra e Música: Chico Saratt
Intérprete: Chico Saratt

Quantos Generais,
Quantos Imortais,
Quantos marginais,
Quantas vezes mais,
Quantos dos meus "ais",
Vou ter que ter pra ouvir,
Que tudo vai mudar,
Que posso ser feliz
Que somos o que fomos
Os donos do país...

Quanta insensatez,
Quanta ilucidez,
Quanta embriaguez,
Tudo de uma vez,
Tanto que se fez,
Pra sobreviver,
Aos caminhos escondidos,
Que cruzamos sem saber,
Com os planos e os sonhos,
Que inventamos pra viver...

Quantos homens na estrada,
Quanta fome derramada,
Diz-me terra, como posso entender,
Os mistérios e os enganos do terceiro mundo.

Quanta solidão,
Quanta ilusão,
Quanta indecisão,
Quantas vezes vão
Dizer que somos loucos
Que temos que saber
que o mundo é uma estrela
Que brilha e nos faz crer
Que a vida é uma guerra
Que temos que vencer...

 

TREM MAGIAR
Polca/Milonga

Letra: Nilo Bairros de Brum
Música: Mário Barros
Intérprete: João de Almeida Neto

É pua charrua. É lança que avança
Varando a noite silente
Fera ferida fugindo
Na direção do poente
O trem magiar vai passando
Centopéia iluminada
A trilhar a pampa nua
Plena de lua e geada

A palidez do povoeiro
Que vai no ventre da fera
Por vezes se ilumina
A ver os ranchos lá fora
Uma ponta de saudade
Um cheiro antigo de mel
Inveja a felicidade
Coberta de santa-fé

Na janela entreaberta
Do rancho de chão-batido
Suspira a moça campeira
A ver o trem tão querido
A miséria companheira
Da moça que nada tem
Lhe faz pensar que a fortuna
Viaja naquele trem

E o rancho ficou pra trás
Outros passam na janela
Sesmarias despovoadas
Também se mostram na tela
Para a moça foi o trem
Que sumiu na madrugada
Varando o ventre da noite
Plena de lua e geada