LETRAS DA 6ª MOENDA
em ordem alfabética
ALMA SULINA
ANDANTE,
ONDE ANDARÁ, O
CORAÇÃO
AÇORIANO
DANÇA
DONO DA MINHA PELE, O
FERIDO
CORAÇÃO DA AMÉRICA
FOGO
DE CÉU
JEITO DE MILONGA
NO
BALANÇO DA RANCHEIRA
PORQUE O TEMPO TE LEVOU?
TANGO DO ATERRO
TEMPO
DAS PÁTRIAS BÊBADAS,
O
Letra: Dilan Camargo
Música:
Celso Bastos
Intérprete: Victor Hugo
Eu habitei os silêncios
Vagando o mundo a escutar
Com a voz que vem dos ventos
Foi que aprendi a cantar.
Violeiro do entardecer
Pastor de estrelas perdidas
Dos longos de se perder
Cheguei de outras partidas.
A inspiração de meu canto
A própria vida me ensina
Mas como cantar e quanto
Vem dessa alma sulina.
Quem canta humaniza os
gritos
Com notas do cotidiano
Desfaz o fado dos mitos
Faz a fala do que é humano.
Eu canto lutas e o amor
Teclados: Fernando Corona
Baixo: Everson Vargas
Bateria: Zé Montenegro
Guitarra: Edilson Ávila
Arranjo: Coletivo
Letra: Nilo Bairros de
Brum
Música: João Carvalho Pereira
Intérprete: Léo Almeida
EOs amigos me perguntam
onde andará o andante?
Se os ventos sopraram forte
E a chuva caiu no monte
Se as cinzas se esparramaram
Como saber seu destino?
Só sei que o bom caminhante
Sempre se torna caminho
Te foste Ataualpa para os campos de Deus
E a meio caminho ficaram os teus
errante vidala nas noites de paz
No alto dos montes eu sei que estarás
Não te buscarei nas tumbas
Onde teu corpo não jaz
Os ventos xucros somente
Saberão onde andarás
Vou buscar-te nos povoados
Nas vilas e arrabaldes
Onde teu canto rebrota
Num grito de identidade
Não te buscarei no bronze
Das praças das capitais
O bronze é silêncio mudo
E eu sei que não calarás
Vou buscarte nas milongas
Nas zambas e chacareras
Nos cantores caminhantes
Nas guitarras vidaleiras
Guitarron: Osmar Carvalho
Violão: Toninho Rocha
Violão: João Pereira
Arranjo: Coletivo
Letra: Ivo Ladislau
Música: Pedro Guisso
Intérprete: Victor Hugo
É mimosa a litorânea,
Tem um que de ultramarina.
A meiguice açoriana,
Neste rosto de menina.
Logo que a vi pensei:
será meu fado e meu bem.
Quando me olho no espelho,
Seu rosto vejo também.
Um coração açoriano,
Pra meu corpo cigano,
Navegante dos mares,
Por todos meridianos.
Diga-la
Diga-lá oh coração,
Que em vagas as paixões,
Cruzam os oceanos...
Leve dia ou mais de dia,
esta moça será minha.
No sorriso provocante,
Doce andar de querubim.
Não arrenego este amor,
Neste enlace brilha um sim.
Eu buscando os continentes,
E ela tão dentro de mim.
Fui curtido nos oceanos,
Com mau tempo e céu azul,
encontrei este meu norte,
Nas correntes lá do sul.
Vocal e harmônica:
Pedro Guisso
Vocal: Álvaro Lutti
Bateria: Mimo Aires
Teclados: Dúnia Elias
Baixo: Paulo Deniz Jr.
Arranjo vocal: Calique
Letra: Mauro Moraes e Robson
Barenho
Música: Talo Pereyra
Intérprete: Talo Pereyra
O gaiteiro parou, alvoreceu,
Ana teve vontade de chorar,
Mas em vez de dizer então adeus
Desatou-se a dançar, dançar, dançar,
Não queria a manhã que se anunciou,
Tanta noite gastou-se a esperar,
A palavra, a promessa, o novo amor,
Ou o nó que a ilusão sabe amarrar.
Era dia marcado a contragosto,
Era o último baile do povoado,
Era um olho molhado em cada rosto,
Outro olho festivo e rebelado.
Era música urgente, beijo urgente,
Era lágrima em véspera de lago,
era dança na véspera da enchente,
E uma caita calada era pecado.
O gaiteiro parou, alvoreceu,
Mas que dia teria luz igual,
Ao olhar que rodava em frente ao meu,
E a paixão que explodiu noutro casal.
Quando as coxas mestiças de Jandira,
Se enredaram em coxas mais febris,
Houve juras eternas de mentira,
Pra guardar em retrato um par feliz.
Era gente que iria pra fronteira,
Que divide o viver e a sobrevida,
Um é água de rio, de cachoeira,
Outro é agua em represa, reprimida.
Em busca de vida, era vertente,
Tanta lágrima em véspera de lago,
Tanta dança na véspera da enchente,
que uma gaita calada era pecado.
E ninguém no salão largou
seu par,
Nem viúvas e amantes nem irmãs,
E o gaiteiro voltou a se animar,
(A esperança e a fé são tecelãs);
Sabe lá vão dar conta de tramar,
Mil auroras adiando mil manhãs!
Teclados:
Vitor Peixoto
Flauta, harmônica, zampoña: Texo Cabral
Baixo: Everton Pires
Bateria: Ronie Martinez
Percussão: Fernando do Ó
Violão: Mauro Moraes
Arranjo: coletivo
Letra e Música:
Alejandro Massiotti
Intérprete: Paulo Gaiger
Ando procurando
o dono da minha pele
será que algum dia
toparei com ele?
Talvez algum charrua
natural de Copenhagen
um índio HEAVY-METAL
ACID-HOUSE ou TECHNO-POP
um alemão que fala quechun e guarani
ou quem sabe um italiano
primo-irmão do Raoni.
ndo procurando...
Digamos um apache
com ações na Mitsubishi
residência em Miami
escritório em wall-street
um caiapó que veraneia em Saint-tropez
ou quem sabe algum chicano
inspetor da Suretê.
Teclados: Dúnia Elias
Trompete, vocal: Jorginho do Trompete
Baixo, vocal: Paulo Deniz Jr.
Bateria: Mimo Aires
Violão, vocal: Alejandro Massiotti
Arranjo: Alejandro Massiotti
Letra: Luiz Coronel
Música:
Sérgio Rojjas
Intérprete: Zé Caradípia e Sérgio Rojjas
En estas viejas comarcas
de insolências e violências
para lavar nossos pecados
nem mesmo a água mais benta.
Descem cruzes pelo rio,
por los muertos nuestra fé.
A montanha está conosco,
o povo põe deus de pé.
Es la tierra de Bolívar,
de Zapata y Pancho Villa,
es la tierra de Guevara
aloja, caña y tequila.
Os pobres estão descalços,
Mas sem chapéu, isso não.
É neles que se recolhe
a
alma que está no chão.
Vão guerreiros num burrico,
levam rifles, papagaios.
Nos seios o maçarico,
terra de heróis e lacaios.
Si evita es muerta errante,
el fidel está en la sierra.
Querem guerra nas estrelas,
quiero granos en la tierra.
Cangaceiros perfumados,
Santos dumomnt pelo ar.
Favelados viram príncipes,
O carnaval vai chegar.
Baixo: Everton Pires
Violão: Sérgio Rojjas
Bateria: Ronie Martinez
Percussão: Fernando do Ó
Teclados, vocal: Vitor Peixoto
Vocal: Iracema
Arranjo: Sérgio Rojjas
Letra: Sérgio Napp
Música: Fernando Corona
Intérprete: Bebeto Alves
Um dia
cevaremos mate nas estrelas,
abriremos portas no infinito
e soltaremos nossa voz
Um dia
cortaremos o cordão de nossos medos
levaremos nas mãos
e nunca nos veremos sós.
Faremos um fogo de chão
e no grande galpão do universo
e dançaremos
e dançaremos morena
e dançaremos
até o raiar do coração.
Em nossos foguetes baios
vamos laçar nossos sonhos
e cantaremos
e cantaremos morena
e cantaremos
a nossa melhor canção.
Nos teus olhos
nos teus olhos prenda minha
eu posso ver minha paixão.
Nos teus olhos
nos teus olhos prenda minha
vou navegar meu coração.
Baixo: Everson Vargas
Guitarra, Vocal: Totonho Vileroy
Bateria: Zé Montenegro
Teclados, Vocal: Fernando Corona
Arranjo: Fernando Corona
Letra e Música: Adilson
Moura
Intérprete:: Adilson Moura
Jeito de milonga,
Tem essa mulher
Que dita o compasso
Do que se passa em mim;
Dona da vida,
Afago e ferida;
Será que vai ser
Sempre assim?
Querendona, me enreda
Com carinhos sincopados;
Tempos bem complicados,
Não vivo, não morro,
Não peço socorro,
Porque sei que o fim
É sempre muito bom.
Jeito de milonga,
Tem essa mulher
Céu pra todo o sol
quando quero amanhecer;
Tons de tristeza,
Rara beleza;
será que vai ser
Sempre assim?
Teclados:
Ricardo Freire
Baixo: Leonardo Medeiros
Guitarra: Evandro Brenner
Violão, voz: Adílson Moura
Arranjo: Ricardo Freire/Evandro Brenner
Letra e Música:
Vinícius Brum
Intérprete:: Vinícius Brum
Vai nessa rancheira
todo o pó do coração,
amarela alma de estrela
recortada de paixão.
Toda estrada é mais comprida
em dia de cerração,
os espelhos te revelam,
mas não dizem o que são.
Trago um gasto escapulário
"pra livrar das maldição"
amassado um dicionário:
"as palavra com seus não"
Tenho beijo "pras guria"
e saudades pela mão,
pessegueiros que florescem,
levam sonhos ao rincão.
Coração, dor de poeta,
se madruga vai vingar.
Os caminhos são iguais,
se não tenho onde chegar.
A estrada que aproxima
também guarda tanto adeus.
Amores e as palavras
lhes entregues que são seus.
No balanço da rancheira
os olhares fazem curvas,
a poeira brilha a pele
solidão anda de luvas.
O cantador que se preza
vai morrendo de cantar
e as flores que não cantam
morrem de se perfumar.
Violãos: Beto Bollo
Baixo: Leandro Cachoeira
Teclado: Marcelo Leman
Flauta Transversa: Texo Cabral
Bateria: Ronie Martinez
Arranjo: Coletivo
Letra e Música:
Flávio Vaz Brasil
Intérprete: Flávio Vaz Brasil
Das velhas
histórias que ouvi
Nenhuma me encantou mais
que aquela escrita por ti
tua vida
Me lembro
que ainda guri
dizias que o mundo era assim
difícil de se entender
tão louco
No dia
em que te perdi
morreu um menino em mim
em meu coração guardei
saudade
Por que o tempo te levou
de nós?
Violão, vocal: Toneco
Teclado, vocal: Eduardo Jaeger
Baixo: Marcos Machado
Bateria: Vinícius Brasil
Violão, voz: Flávio Vaz Brasil
Arranjo: coletivo
Letra: Renato Guimarães
Música: Fernando Corona
Intérprete:: Bebeto Alves
No aterro a céu aberto
moscas tontas zumbirão.
Vira-latas todos perto
a esperar os caminhões
carregados de cabeças
e corações
Doce mundo dos insetos
com seu cheiro, seu odor
vão apodrecendo o feto,
triste fruto do amor
O aterro sanitário
cobre toda a podridão
cobre a moral inorgânica
que enterrou a multidão
tudo podre no aterro,
tudo em decomposição
donde surge sem um vício
uma flor para dar início
a uma nova geração.
Teclados: Fernando Corona
Guitarra: Totonho Vileroy
Baixo: Everson Vargas
Bateria: Zé Montenegro
Arranjo: Fernando Corona
Letra; Jaime Vaz Brasil
Música:
Flávio Vaz Brasil
Intérprete:: Ivo Fraga
Pelas esquinas um encontro
súbito
encontra logo um destino concreto.
Se vê nos muros um silêncio límpido
gritar socorro por seu modo quieto.
E nos porões o batalhão dos sádicos
repassa um filme de dez mil reprises
reinventando os artefatos sórdidos
para que a dor melhor se realize.
esporas negras sobre um lombo atônito
marcam nas almas suas faces duras.
Quem mais enxerga nesse tempo áspero
possui nos olhos uma venda escura.
Sobre o país cai a miséria crítica
e se derrama longe dos tiranos.
Vão pelo espaço pássaros metálicos
a vomitar rebeldes no oceano.
Dentro dos lares dessa gente esquálida
televisores cegos-surdos-mudos
mostram um mundo colorido e lépido,
ganham dinheiro e força atrás do escudo.
E proliferam pelas pátrias bêbadas
um turbilhão de mórbidas clausuras.
Quem mais enxerga nesse tempo bárbaro!
possui nos olhos uma venda escura.
Homens de pedra inventando pélagos
a espalhar sementes de vazio
fazem canteiros das esperas túrbidas,
onde a verdade cresce por desvios.
Os ditadores com poderes mágicos
criam sumiços num simples contato,
e das cartolas tiram coelhos cáusticos
roendo o rosto do povo pacato.
Vai o espelho das espadas múltiplas
a refletir a sombra das torturas.
Quem mais enxerga nesse tempo ácido,
possui nos olhos uma venda escura.
Muitos viventes num estranho
cálice
bebendo lentos goles de agonia
sorvem as normas no aço da lâmina
que nas gargantas forjam afasias.
E nas paredes, por manobras gélidas,
vão se calando vozes insurgentes.
Depois dos tiros desce um rubro cálido
que uma elegia escreve mansamente.
Piano: Carlos Garofali
Teclado:
Eduardo Jaegger
Arranjo: Carlos Garofali/Eduardo Jaegger