LETRAS DA 8ª MOENDA
em ordem alfabética
CORAÇÃO
DE MILONGA
MAPUTO
MUNDARÉU
NOTÍCIAS
NOTURNAS
PÃO
POR DEUS, O
PÉTALAS
NOTURNAS
POETA
DORMIU DE SAPATOS, O
RÁPIDO
CAVALO
SUL
POR VIDA, O
TRADICIOALMENTE
EU
UM ROUBO INOCENTE
VIDA
GINETA
CORAÇÃO
DE MILONGA
Letra: Jaime Vaz Brasil
Música:
Pery Souza
Intérprete: Pery Souza
Enquanto o tempo desenhava,
Teu rosto dentro de meu corpo,
Saudade em dó menor cantei mil vezes.
Falei de nós um tanto triste,
E um bandoneon chorou comigo,
Amor, quando é amor, não morre nunca.
(E pra fugir de cada sombra
da solidão que erguia os olhos,
me disfarcei na dor de um sustenido).
Amor quem sabe um dia desses
no espelho da milonga eu veja
teu beijo renascido num segundo.
Porti, amor, cantei o mundo
em noites longas que aprendia
a amar em sol maior
e tempestades...
Amar nas ruas, bares, campos
amar em solos de guitarra
amar com toda voz
e em silêncio.
amar como se poderia
meu coração de milonga.
Quem sabe ler paixões humanas
na vida, sempre tão estranha
se o amor às vezes fecha toda a casa?
Andei por mares, vales,
luas
andei em pedras, muros, portos,
amor, varei coxilhas do avesso.
(E andei no ratro do teu
nome
no meu cavalo de brinquedo
colhendo a flor azul que me pedias).
Amor quem sabe um dia desses
na alma da milonga eu veja
a face calme e breve das respostas...
Violão base:
Pery Souza
Violão: Alejandro Massiotti
Cello: Ricardo Pereyra
Arranjo: Ricardo Pereyra
MAPUTO
Letra:
Márcio Costa
Música: Pedro Guerra e Beto Bollo
Intérprete: Kako Xavier
Negra África, negra fome,
Negro luto.
Não a viste em Maputo?
Da vida...
Não é pra ficar?
Crianças a sugar o nada até inchar.
De vento...
Vento do sahel gemendo de inanição.
Fome na Etiópia,
A Abissínia do Preste João
Fome D'Angola,
Tô fraco, tô fraco...
E não é pra ficar?
A fome de Moçambique vem
de Pretória,
Que suprema glória!
Da raça branca
Branca Europa onde o Papa canoniza
Enquanto, negra, a África agoniza.
Morre negrada! Morre negrada!
Como morreu e morre a indiada
Da América,
Que índio morto não é ruim.
Viviam o ouro de Tupac
Amaru e Guatimozim
E a montanha de prata de Potosi!
Roubados por cruz e espada em frenesi
para reis e magnatas
por canalhas e piratas.
Matas? Matas! Matas da
África
Prenhas de escravos d'Angola e da Guiné
Bantos, cabindas e de Daomé
Que negro é prorelho ou não é?
No tronco ou no pelourinho
de pé!
Na cana, gado, algodão, café.
Mucama na cama pro cafuné.
Negra África, negra fome,
Negro luto..
Bombo leguero e vocal:
Ernesto Fagunde
Percussão e Vocal: Giovani Bertti - Eduardo Pacheco
Baixo e Vocal: Beto Bollo
Zamponha e Vocal: Josiane do Nascimento Picada
Violão e Vocal: Pedro Guerra
Baixo e Voz Solo: Kaco Xavier
Arranjo: Beto Bollo
MUNDARÉU
Letra
e Música: Mário Barbará
Intérprete: Mário Barbará
Quando eu vi que um amigo
que eu considerava
atacara no meu coração
parecia que eu tinha bebido perfume
que azia que má digestão
Quando ouvi de teus lábios vermelhos mulher
contra tua vontade esse não
parecia que eu tinha lambido mostarda
que caíra nas costas da mão
Quando eu vi que mundo pequeno virara
mundaréu quase sem compreensão
parecia que eu tinha viirado papel
e voava sem ter direção
Quando eu vi que já nem tão pequeno eu cantava
uma triste e esquecida canção
parecia que eu tinha deixado o sorvete
derreter inteirinho no chão
Ainda bem que pra tudo existe remédio
pra esse mundo de indignação
eu vou lá no buteco da esquina buscar
uma ceva e tocar violão
Guitarra: Dadinho
Baixo: João Francisco
Bateria: André Castro
Violão e Voz Solo: Mário Barbará
Arranjo: Dadinho
NOTÍCIAS
NOTURNAS
Letra
e Música: Haroldo
de Souza Figueiredo
Intérprete: Tânia Maria
Da janela se vê o brilho
da cidade
Os teus olhos nos meus são feito dois clarões
E a lua rasgando a vidraça
Deitando sem graça nos corpos no chão
Vai cobrindo de prata e paixão
O cansaço noturno de amar
Pouca luz sobre nés e um vento passageiro
Vai surgindo um desejo e um beijo e um avião
Deslizando no céu da vidraça
Aturdindo quem passa apressado pro show
Vai sumindo e eu no quartoem que estou
Não sei bem das notícias lá fora
Lá fora a cidade abraça o velho tempo
Há ladrões roubando sentimentos
Há mulheres vãs e naturais
Lá fora a cidade teima em ser vadia
Preparando sangue e poesia
Pras novas manchetes matinais
Um minuto e a cidade envolve a nostalgia
Um minuto e revolta a luta das manhãs
E avenida se faz afogada
Apertando calçadas abortando lições
Mil revistas e mil palavrões
Pelos becos e esquinas lá fora
Lá fora mil sapatos altos e fumaças
Mil jornais gritando pelas praças
Restos de uma noite casual
Lá fora antes que anoiteça o velho dia
Faz-se a festa e volta a fantasia
Pr'outra noite a vida inaugurar
Guitarra: Maurício
Ribeiro
Bateria: James Wilton
Teclados: Toni Peterson
Sax Alto: Cilon Ramos
Baixo: Gilberto Almeida
Arranjo: Toni Peterson
PÃO
POR DEUS*
Letra: Ivan da Terra
Música: Elton Saldanha
Intérprete: Elton Saldanha
O cinamomo floriu
Nas terras da beira mar
As flores inventam cores
O passaredo a cantar
Num coração rendilhado
Um pedido apaixonado
O pão por Deus vou clamar
Lá na cabeça da serra
O novo sonho é florir
Deus faz pão e manda flor
Ao coração que pedir
Vai voar meu coração
Nas asas de um beija-flor
Eu vou pedir pão por Deus
Pra minha fome de amor
O mar amou numa nuvem
Enfeitado de algodão
A chuva chorou no trigo
No labor se fez o pão
Escreveu olhos de mar
É de amor o pão que eu fiz
Coração de quem faz pão
Ao se dar já é feliz
Vem querer eu
Meu pão por Deus
*PÃO POR DEUS: Folclore Açoriano
Violão e Voz: Elton
Saldanha
Volão Solo e Vocal: Lúcio Yanel
Acordeon e Vocal: Luiz Carlos Borges
Trompete e Vocal: Jorginho do Trompete
Bateria e Vocal: Alemão do Bororé
Baixo e Vocal: Paulo Deniz Junior
Pandeiro e Vocal: Ivan da Terra
Arranjo: Coletivo
PÉTALAS
NOTURNAS
Letra: Mauro Moraes e Robson
Barenho
Música: Talo Pereira
Intérprete: Chico Saratt
As moças desta fazenda
Não se amorenam na praia
Mas quando o dia desvenda
As frestas das samambaias
Joana se expõe entre as rendas
Cecília em véu de cambraia
--Se o sol aos corpos se emenda
Noite tem mimo e gandaia
Os mocos deste rocado
Se amorenam sem notar
Porém de sábado em sábado
--Se há tempo pra namorar
--Deslizam mãos oportunas
Roçando em peles morenas
Quase pétalas noturnas
-- Petúnias, não açucenas
As moças de outras fazendas
Não querem se amorenar
Mas quando escutam as lendas
De amores que ardem no mar
Po mais que o campo se estenda
Na areia é que vão deitar
-- Se houver amor que as acenda
Inteiras vão se queimar
Violões: Talo Pereyra
Baixo: Ewerton Pires
Acordeon: Paulinho Cardoso
Arranjo: Talo Pereyra
O POETA
DORMIU DE SAPATOS
Letra: Claudio Martins
Música: Carlos Catuípe
Intérprete: Carlos Catuípe
O poeta vive, o potea canta
O poeta encanta quem sabe ouvir
O tempo passa num giro lento
Vem o momento dele partir
O poeta chora quando alguém sorri
O poeta ri de alguém que chora
O poeta adora o mundo feio
O poeta veio e foi embora
O poeta pensa nas pobres almas
Nas horas calmas ele se agita
O poeta grita para o mundo surdo
E no absurdo ele acredita
O choro, o canto, a dor, a alegria
Nessa magia de incerteza
A vela acesa, acende outra vida
Como é comprida essa tristeza
O poeta nasceu de pé descalço
Viveu no encalço de um porvir
O poeta deitou e não tirou o sapato
O sono ingrato lhe fez dormir...
Meu verso bobo quase ladino
Prá esse menino, avô sacana
Tu não te enganas com esse verso louco
É o muito e o pouco. Á ti Quintana.
Violão: Catuípe Junior
Baixo: Gilberto Almeida
Teclados: Melina Gomes/ Mario Cezar
Violão e Voz Solo: Carlos Catuípe
Arranjo: Carlos Catuípe
RÁPIDO
CAVALO
Letra
e Música: Cao Guimarães
Intérprete: Serginho Moah
Rápido, cavalo,
sempre em frente no más,
não pisa na bosta,
que ficou pra trás.
Rápido, cavalo,
temos que seguir,
sem pensar, sem pesar,
sem se reprimir,
sem prostituir a arte
de sobreviver.
Já raptaram a bela
e já caparam a fera,
e mutilaram as matas,
poluíram as águas,
rapinaram a terra,
enfumaçaram o ar,
e proibiram a erva,
e repartiram a peste,
entre a rapaziada.
Ficar apaixonado,
é perigoso demais!
Rápido, cavalo,
temos que correr,
lá vem o ladrão, lá vem a polícia,
lá vem mais um crítico,
mais um político,
lá vem mais uma lista de corrupção,
e mais uma pesquisa
sem a nossa opinião,
o povo já não sabe o que é real,
e a gente acha
essa realidade normal.
— olha o rapa!
Refrão
Rápido, cavalo,
temos que supor,
que isso tudo
é
intriga da televisão,
muita sacanagem,
muita estupidez,
muita hipocrisia,
ganância, insensatez,
povo sem cultura gosta de sofrer,
sonha com dinheiro,
transa sem amor,
morre de inveja do seu opressor.
Cavalo bem domado
adora o domador.
Rápido, cavalo,
temos que fugir,
mudar de planeta, trocar de canal,
fazer alguma coisa que não seja banal,
ninguém é obrigado a ser feliz,
por isso eu canto.
Não quero brigar,
mas quero mudar o mundo,
não quero destruir, nem retribuir,
não quero nem cuspir na cara,
de quem bem que merecia
uma porrada.
— olha o tapa!
Refrão
Rápido, cavalo,
sei lá pra que lado,
pra qualquer lugar,
me tira da vanguarda deste CTG,
me livra de não crer,
não ver, não perceber,
que a música é a música,
é
a música que dá prazer.
Me lembra de não esquecer
que tudo é ritmo e poesia.
Rápido, rápido, rápido,
cavalo,
não pra competir,
não pra concorrer,
não pra ganhar,
não pra perder,
cancha reta é pra cavalo novo,
briga de beleza é coisa de guri,
e a gente já está velho demais
pra se iludir,
e a gente ainda é moço demais
pra desistir,
e a gente sabe:
nunca é tarde demais
pra ir a um festival dizer:
—
Abaixo os festivais!
Violão e Vocal:Cao
Guimarães
Baixo e Vocal: Zé Natálo
Acordeon: João Vicente
Bateria: Ruba
Arranjo: Zé Natálio
UM
ROUBO INOCENTE
Letra:Tadeu Martins
Música: Lenin Nunes
Intérprete: Lenin Nunes
Rosalina tu levas de mim
Estas cores regadas na frente
Porque a vida que tens não tem flores
Pra dispores do roubo inocente
Essa rosa que foge contigo
Tem um tom que compõe a tristeza
Junto ao pardo matiz do pão velho
Com ausência de luz em tua mesa
Rosalina ladrona menina
Tua mão tem perdão "colorida"
Mas que pena teu sonho descora
Porque a fome cinzenta tem vida
Ainda ri o rodado das cores
Sobre o vento que a roda cambraia
São pedaços de paria e de dama
Pelas flores pendida na saia
A esmola ganhada te oprime
Pelas grades que prendem jardins
No entanto teu riso é sublime
Quando roubas as flores de mim
Teclados: Dúnia Elias
Acordeon: Leandro Rodrigues
Oboé: Paulo Sudhaus
Arranjo: Coletivo
TRADICIONALMENTE
EU
Letra e
Música: Mauro Kwitko
Intérprete: Mauro Kwitko
Quem me diz, quem me faz,
tantos anos
Versos e mais versos e canções
De onde vem, por que vem, por que em mim?
Como é seu olhar, qual o seu nome?
Que eu sinto sempre ao lado como um calor
Que me invade assim
Colhe o fruto das sementes
Que plantou em mim
E vai embora docemente
Volta, está sempre preso em mim
E eu serei o que eu fiz tanto tempo
Me escondi, me calei, me converti
Já fugi, já voltei, sem um beijo
Sem olhares trinstes, sem paixões
Já fui fundo nesse poço sem retorno
Mas heis-me aqui
Forte, vivo, salvo e santo
Como eu posso ser
Sem destino, sem descanço
Tradicionalmente eu!
Traga o perdão
Traga o futuro de novo
Pros olhos daqui
Canta a canção
Diga: o novo vem vindo
O barco partiu
Em busca das novas missões
Que os sonhos dos seus capitães descobriu
Em busca das velhas visões
Em busca da lenda, das pedras, das leis
Tradicionalmente eu!
Teclados: Dado Jaeger
Guitarra: Edilson Avila
Percussão: Chicão Dorneles
Violão: Heleno Gimenez
Arranjo: Coletivo
VIDA
GINETA
Letra: Anomar Danubio
Música:Elton Saldanha e Alemão do Bororé
Intérprete: Alemão do Bororé
Passa o beiço no palheiro
No velho isqueiro chamusco
E sebruno de repente
Me dá um coice no cusco
Num pulso se vai pro céu
Me leva junto no basto
Pra cima berro e boléu
Pra baixo matando o pasto
Quase me quita las riendas
Menos mal vinham atadas
Se não ia juntar as garras
Lá no fundão da invernada
A cuscada sai batendo
Para espantar os assombros
O pala me tapa a cara
E o céu me vem pelos ombros
Ai ai ai ai vida gineta
Sonhar com moça bonita
Nos bailongos e carpetas
A acordar com esses reunos
De baixo das minhas rosetas
Oi ga le tê pago pra ver
Carca o garrão e bufo e mango
Ai manda soltar
Que está formando o fandango
Quase me saca de riba
Ao corpear de uma gambeta
As onze dentes se agarram
E abrem charco na paleta
Já eu venho com a
coragem
Numa cahcaça de molho
Meto as rosetas de ferro
Lá no buraco do olho
Se senta na própria cola
Dá um bufido e se boleia
E um quero-quero pachola
Se debruça nas oreia
Abro a perna e saio liso
Segurando no bucal
E as esporas, campo a fora
Deixam um rastro musical
Acordeon e Vocal: Luiz
Carlos Borges
Violão e Vocal: Elton Saldanha
Bateria: Kiko Freitas
Baixo e Vocal: Paulo Deniz Jr
Violão Solo: Lúcio Yanel
Arranjo: Coletivo
O
SUL POR VIDA
Letra
e Música: Mauro Moraes
Intérprete: Neto Fagundes/ Luiz Carlos Borges
Como se o sorriso me enxugasse
os olhos
Como se o destino me apontasse o mundo
Amontoei uns troços apalpando a gaita
E descobri o pago em cena!
Encilhei o cavalo,
E me toquei pro campo
Se não fosse o gado,
Eu não seria tanto
Pra manter as tralhas no meu coração!!
Como a manada me pealasse a rima
Como se o galpão me sujeitasse o canto,
Amuntei no tempo sem olhar o pêlo
Do amanhã que eu mas queria!
Amaguei a mágoa
Chamuscando uns ciscos,
E sove! o pala,
Amigando o vício
De "atola" na alma tanta inspiração!!
Coisas destes fronteiros,
Que iguais a nós
Tem o sul por vida!
E passam uma eternidade
Matando a saudade numa coxilha...
Coisas destes campeiros,
De fala mansa,
__ Não tem de quê!
Coisas destes paysanos,
Que aquerenciamos num chamamé!!
Acordeon e Voz Solol:
Luiz
Carlos Borges
Violão e Voz Solo: Neto Fagundes
Percussão e Vocal: Ernesto Fagundes
Bateria: Ricardo Arenhaudt
Baixo: Renato Mujeiko
Arranjo: Coletivo