LETRAS DA 9ª MOENDA
em
ordem alfabética
CASARÃO
CAVALO
MÁGICO
CHAMEGO
O ESCURO
ESTRELA
DA MANHÃ
GAÚCHO
APAIXONADO
MILONGA
PRA "LOCO"
NAVEGANTES DO TEMPO LOUCO
QUERO-QUERO
TANGO CHUCRO OU TANGOLOMANGO
TRALHAS
VIOLAS DO LITORAL
CASARÃO
(Zé da Musibenta/Eugênio
Gomez)
Intérprete: Ivânia do Nascimento
Fiquei de olho nesta estrada
ali
tecendo o sonho de esperar por ti
foi tanto tempo,o melhor da estação
um sol de primavera em minha mão
Na noite, insone, te aguardei,
irmã
com vinho tinto e cesta de romãs
a mesa posta,o brilho claro dos cristais
até saber que não virias mais
Então o céu era
tão verde
que até pensei em esquecerte
que até gostei que fosse outono
que desejei cair no sono
Agora o fogo estava morno
o pão esfriava no forno
quando soprei os lampiões do casarão
curvado feto na escuridão.
Violão: Carlos Gomes
Arranjo: Carlos Gomes
CAVALO
MÁGICO
(Celso Bastos/Dilan
Camargo)
Intérprete: Maria Helena Anversa
Nos campos nas verdes páginas
meu cavalo vai passar
ele tem as pata mágicas
passa sem tempo ou lugar.
Suas patas pisam fundo
na vertigens dos garrões
elas dividem o mundo
em suas quatros estações
Uma troteia no outono
outra negaça no inverno
uma galopa no sono,
outra corre um tempo eterno
Uma pinta a primavera
outra é raio de verão,
uma é coice de fera,
outra é carícia de mão.
Suas crinas, linhas das sinas.
Suas ventas, vozes de vento
cavalo fado do tempo
cavalo faro sedento.
Passa, passa meu cavalo
com essas patas da magia
uma varre o pensamento
outra acende a fantasia.
Teclado e Vocal: Dado Jaeger
Baixo: Costa Lima
Bateria e harmônica: Filipe Lua
Arranjo: Dado Jaeger
CHAMEGO
(João Aluá/Edilson
Dhio)
Intérprete: João Aluá
Não tem como fugir
de um amor assim
se entre pedras nasce flor
não se arranca a raiz.
O tempo fez maduro esse querer
me enrosco em você
na medida que me sinto mais feliz.
Dá desejo de ver seu olhar, cruzar o meu
de sentir seu sabor
de beber seu licor.
Parece que o tempo escorre e não tem fim
mas se tem quer assim
que vire um dilúvio
as águas que rolem desse amor
Não posso conter a vontade de ficar
sempre perto de você
lua cheia refletida sobre o mar.
Por mais que eu tente
não consigo resistir o desejo de sentir
o lampejo saboroso desse olhar.
Se escurece, seu lume é que traz
de novo a luz
seu desejo me conduz
por um labirinto a mais.
Vem me vê
me dá seu chamego.
Vem me vê
me chama de nêgo
Vem me vê
me dá seu carinho
nem que seja um tiquinho,
só pra atiçar.
Vem me vê meu amor
pois tô que não aguento mais
meus lábios precisam dos seus
o meu peito precisa de paz.
Teclados: Cacau
Baixo: André Salazar
Viola: Paulinho Machado
Percussão: Catuípe Júnior e Sorriso
Violão: João Aluá
Arranjo: João Aluá
O ESCURO
(Vinícius
Brum)
Intérprete: Vinícius Bru
m
Nem tudo que o mundo ensina
a gente pode aprender,
quem vive dentro do frio
precisa derreter
e só reconhece a sombra,
quem tem sóis para acender.
Quem em sua alma transita
escuta vozes que vem
de cada mundo impossível,
que a loucura sabe bem.
E toda loucura é santa,
que embalsama e diz amém,
mas às vezes traz verdades
que as palavras já tem.
Cantando velhas milongas,
eu tento me conhecer,
nestes mapas incendiários,
que a estrada oferecer.
Já vi lampiões apagados
violões ouvi tanger,
melodias que tão tristes,
não vinham pra entristecer.
Vi longas luzes acesas,
pelas noites do galpão.
Fechei meus olhos no escuro,
pra enxergar o coração.
E descobri que o grande mundo,
em sua sabedoria,
inventa pra cada sonho,
um acordar-se também...
...se o escuro andar tão perto,
te abraçando noite e dia,
pode estar só preparando
a próxima luz que vem.
Baixo: Edson
Júnior
Bateria: Ricardo Arenhaldt
Violão: Vinicius Brum
Arranjo: Coletivo
ESTRELA
DA MANHÃ
(Hércules
Grecco/Marco Araújo)
Intérprete: Ângela Jobim
Estrela da manhã
que em mim desponta
quando a noite tonta expira
vendo a aurora bocejar
me banha de mistérios
coloridos
e prepara meus sentidos
para o sol que vai chegar.
Estrela da ilusão
que me sustenta
dos tormentas me liberta
abre as portas do infinito
me leva ao ideal
traz a esperança
me conduz, refaz e lança
paz e luz nos meus conflitos.
Estrela coração
secreto e mudo
tua luz feita em silêncio resplandece
como antes na ponta mais pulsante
do teu lume
vagalume que amanhece
sobre o leito dos amantes.
Estrela da paixão
que me arrebata
me reflete em teu luzeiro
e me leva em torvelinho
desata cada laço que me enreda
me desnuda o peito inteiro
e me inunda de carinho.
Teclados: Marcos Ungaretti
e Daisson Flach
Flauta e Sax tenor: Luizinho Santos
Violão: Marco Araújo
Arranjo: Marco Araújo
GAÚCHO
APAIXONADO
(Elton Saldanha/Juliano
Trindade)
Intérprete: Alemão do Bororé
Meu cavalho está encilhado
bem na frente do galpão
são dez léguas de saudade
pra eu voltar pro meu rincão.
Meu cavalo está encilhado
este pingo é de valor
são dez léguas
da cidade
onde mora o meu amor.
No caminho do arvoredo
onde a luz fez morada
eu conhecço o passaredo
e a brisa da madrugada
se eu deixar o meu cavalo
volta sozinho pela estrada.
Bate casco meu cavalo
bate casco no rincão
que um gaúco apaixonado
vai batendo o coração.
A saudade se aparece
no tranco do pangaré
que tem um amor distante
sabe bem como é que é
se eu não tivesse um cavalo
hoje eu voltava de a pé.
Violão: Elton Saldanha
Bateria: Alemão do Bororé
Vocal: Osmar Ferreira
Acordeon e Vocal: Cassia Abreu
Baixo: Paulo Deniz Júnior
Acordeom: Paulinho Cardoso
Arranjo: Elton Saldanha
MILONGA
PRA "LOCO"
(Mauro Moraes)
Intérprete: Neto Fagundes
Quando me sinto milonga
minha alma aponta prás coisas todas
que enfeitam canteiros...
e sigo a troco de nada
cantando, dando risada
desta comédia de arteiros!
Ando com um pouco de pressa
dosando o tom da conversa
conforme o gosto do pago...
um dia eu volto prá casa
com a charla de quem repara
a vizinha onde passo!
-- A mágoa é o pala da solidão
...quem pensar o contrário
com esta cara de otário
diga não!
Que tal retomar o prazer
de escrever como um "loco"
agarrado ao violão...
fazer qualquer judiaria
com essa mania mimosa
de encher de prosa o galpão!
eu mesmo sempre que posso
boleio a perna, me coço
e tapo de suor a palavra...
mas quando olho p'ros "lado"
odeio quem capa-o-gato
alheio a sua manada!
-- A vida é nossa sofreguidão!
...quem achar ao contrário
com a mesma cara de otário;
diga não!
Somos farinha do mesmo saco
quebrando os "prato"
mandando lenha nuns "troço"...
eu posso andar diferente
ausente da minha gente
mas toco tudo que gosto!
meu mate está no floreio
onde qualquer milongueiro
sangrar a ponta dos dedos...
matando a pau num costado
com a carne gorda do assado
enfumaçando os pelegos!
-- Nesta milonga prá "loco"
... eu falo de tudo um pouco
e que me importa, que os outros
e que me importa, que os riam de mim!
Violão: Lúcio Yanel
Baixo Acústico: Clóvis Boca Freire
Arranjo: Lúcio Yanel
NAVEGANTES
DO TEMPO LOUCO
(Dado Jaeger/Hércules Grecco)
Intérprete: Kako Xavier
São precários tetos
são casebres rotos
soltos à deriva
neste chão baldio.
Rema a gente mansa
por ruelas nuas
vidas encalhadas
coração vazio.
Sopra a dor da espera
já sem esperança
a criança é concha
desarmada espia
alma que se fecha
lágrima contida
pérola de fome
torturando o dia.
Corre a hora louca
morre a fala rouca
muda a pouca roupa
acena dos quintais.
Pelo vão das portas
passa o corpo torto
vai-se o tempo morto
que não volta mais
Mar do sul que vela
barco sem destino
carregando a gente
presa no arenal.
No espinhal de sonhos
acabou-se a isca
ninguém mais belisca
neste litoral.
Teclados: Dago Jaeger
Baixo: Costa Lima
Sax tenor: Luizinho Santos
Sax teno: Marcelo Ribeiro
Trompete: Joeginho do Trompete
Arranjo: Dado Jaeger
QUERO-QUERO
(Jean Garfunkel/Ivanhoé Ferreira)
Intérprete: Jean Garfunkel
Quero-quero eu não
quero este destino
jamais me aquerenciei
a um bem-querer
sempre andei gauderiando pelos pagos
nunca o laço de um agago
foi capaz de me prender
índio velho, andarilho e sem bridão
potro chucro, desgarrado e redomão
campeando no horizonte a liberdade
sem apego sem saudade
sem querência e sem patrão
até o dia que esta prenda aprisionou
meu coração no cativeiro
Quero-quero hoje eu só quero o teu destino
teatino nas estâncias de amplidão
anjo livre pajador das nuvens brancas
lá no alto onde tu cantas
ninguém sofre aflição
se eu pudesse ter de novo o que passou
se eu soubesse compreender que o amor voou
ela veio como o sol sobre as coxilhas
com seu beijos de armadilha
com seus olhos de tição
e foi-se embora pelas trilhas
e atiçou meu coração neste braseiro
Quero-quero hoje eu só quero o teu destino.
Teclados: Roberto Lazzini
Baixo: Sizão Machado
Flauta em sol: Prata
Violão e Voz: Jean Garfunkel
Arranjo: Sizão e Lazzini
TANGO CHUCRO OU TANGOLOMANGO
(João Sampaio/Quide
Grande/Elton Saldanha)
Intérprete: Elton Saldanha
Mas que destino bagual
o meu
mas que destino de louco
eu ando de festa em festa
sovado a lombo de potro
cantando e me divertindo
e olhando a mulher dos outros.
Foi num rodeio
que eu cheguei de madrugada
festança buena
tinha pealo e gineteada
fui convidado
prá cantar neste fandango
e tirar as "cosca"
"duma" tropilha aporreada.
A meia tarde
foi encerrada a potrada
bicho criado
todos de venta rasgada
a cada pealo eu botava de cucharra
era um bicho que caía
e se apartava da manada.
Já era noite
quando os baile começava
e lá nas casas
provocavam camotins
meu basto novo
já tinha levado a breca
e uma boneca jogava beijos prá mim.
De vez em quando
eu cruzava frente ao rancho
cortando um maula
e atando ele num mango
e pelas frestas
eu enchergava uma bandona
e aquela dona se desdobrando num tango.
Vamos bailar senorita
yo soy de Buenos Aires
... Mande parar el bandoneon.
O cavalo se ergueu num sopetão
e o ginete dançador
bateu com os beiços no chão.
Tangolomango-Tangolomango
não vou dançar porque caí dentro dum valo
aquela dona tá lá dançando com outro
e eu vou dançando nas patas deste cavalo.
Foi o tango - foi o mango
assim eu fiz a minha fama
pela janela eu abanava prá uma dama
foi o tango - foi o mango
assim eu amansei aquele potro
pela janela eu olhava a mulher dos outros.
Baixo: Paulo Deniz Júnior
Acordeon: Paulinho Cardoso
Violão: Lúcio Yanel
Sax soprano: Marcelo Ribeiro
Vocal: Alemão do Bororé
Arranjo: Coletivo
TRALHAS
(Mauro Marques/Mano Oliveira)
Intérprete: Flávio Hanssenn
Eu sei lá por que larguei
tantas tralhas por ai,
acidentando os caminhos
alienando os destinos!
Ficaram, pelas esquinas,
pelos balcões dos bolichos,
no santuário dos copos,
no veneno dos cochichos.
Ficaram, rasgando almas,
qual fantasmas ambulantes,
amparando os vacilantes,
acolhendo os teatinos.
Sempre haverá quem recolha,
do resíduo das tragédias,
a verdade escondida
e a lição dos infelizes.
Eu sei lá porsque deixei
espalhadas por aí,
as figuras que adotei
e as canções que eu esqueci,
tomaram rumos estranhos,
perdidas nas ventanias,
desgarradas dos rebanhos
feita falsa euforias,
ficaram, rasgando almas
qual fantasmas ambulantes,
amparando os vacilantes,
acolhendo os teatinos.
Sempre haverá quem recolha,
do resíduo das tragédias,
a verdade escondida
e a lição dos infelizes;
quem leia nas entrelinhas;
quem busque a trilha dos sonhos;
quem saiba ouvir os silêncios;
quem ache o rumo da vida...
sempre haverá que descubra,
em meio à tralha perdida,
a poção das cicatrizes
em outro ponto de partida.
Teclado: Dado Jaeger
Percussâo: Chicão Dorneles
Bateria: Felipi Lua
Baixo e Vocal: Paulo Deniz Júnior
Violão e Vocal: Mauro Marques
Trompete: Joginho do Trompete
Sax tenor: Luizinho Santos
Arranjo: Coletivo
VIOLAS
DO LITORAL
(Marco Araújo/Ivo
Ladislau)
Intérprete: Marco Araújoo.
O senhor dono da casa
Com licença da chegada
Pra acordar o litoral
Com vilolas encantadas
Violas do litoral
Devoção e folia
Cantorias do divino
Momentos de alegria
Peitadas e oilarais
Em terno natalinos
Para abençoar esta casa
Lá vem Jesus menino
Santo Antonio, São Miguel
São Luiz e a de Sant'Ana
São Pedro, São João
Divinas festas profanas
Zumbindo
notas dobradas
Histórias de quem semeia
Ponteio cortando o vento
Em noites de lua cheia
Seis fitas carrega no braço
Da viola o violeiro
De norte ao sul do Brasil
Cada cor um padroeiro
Azul, branco, vermelho
Verde, rosa e amarelo
Violinha que tem preto
Sete partes tem com o demo
Violas do litoral...
Violão aço e vocal: Beto
Bolo
Viola: Pedro Guerra
Violão e vocal: Adriano Priori
Percussão: Marquinhos Michelon
Vocal: Adriana Gimezez
Arrano: Coletivo