LETRAS DA 11ª MOENDA
em ordem alfabética

BOIZINHO
DEUSA DA BELEZA
ESPORAS DE PRATA
FESTIVAL, O
FOLIARÁS
KALUNGA
LÁSTIMA
MEIAS PALAVRAS
MILONGA DE LIMPAR CÉU
MUITO ANTES DE PASSÁRGADA
POR AÍ
VERMELHA


BOIZINHO
(Ivan Terra)
Intérprete:Ivan Terra

Ê Boi!
Era meu Boi!
Ê boizinho!
Tú que já ressucitou
Mandar chamar o Doutor*
Tô morrendo de amor
Ê Boizinho!

Bate que bate coração
Bumba que bumba
Boi-mamão
Bate que bate
Coração Bumbá-bumbá
Êra êra meu Boizinho
Te cuida com o Cavalinho*
Com esses olhos de foguinho*
Tá querendo te pegar

Senhora da Conceição
Dá licença d'eu entrar
É só eu e o meu Boizinho
Que viemos prá dançar

João Negrume*, nego véio
Rabeca e sapateador
Só não me ensinou a moda
D'eu ganhar o meu amor

Oi me dá, me dá um dinheiro
Me dá prá eu chamar o Doutor
O meu Boizinho de fogo
Tá morrendo de amor.

*Boizinho ou Boi-de-fogo: Pesquisa do folclore litorâneo, relativo ao Bumba-meu-boi do Nordeste, Boi-bumbá do Norte, Boi-frejó em São Paulo, Boi-mamão em Santa Catarina.
*Doutor: Personagem do folclore que é chamado para ressuscitar o boi, que foi abatido pelo negro para satisfazer o desejo de sua negra.
*Cavalinho: Personagem do folclore que impede o boi de avançar contra o povo. Na sua representação plástica possui olhos de fogo.
*João Negrume: Figura do cotidiano litorâneo.

Congas: Kris Perez
Baixo: Mestre Julinho
Percussão e Vocal: Daniel Maiba
Bateria: Alemão do Bororé
Tambores Treme Terra: Ronaldo Pelego
Tambor de maçambique: Joel Baldaboca
Tambor Mestre: Julio da Rosa
Violão e Vocal: Jociel da Silva
Percussão e Vocal: Carla

 

DEUSA DA BELEZA
(Felipe Lua/ Fabiana Viegas/ Adriano Priori)
Intérprete:Adriano Priori e Dionisio

AXUA - AXUAJU - AZAGAIA - AVATAR - VIXINU
OM SRIM LAKSMI E NAMAHA

Como atender aos anseios do planeta
Sem entender as notas da trombeta
Arcanjos maiores sem menores nada falam
Das águas de onde vem onde desaguam

Ritumba tambor de tronco oco
Retumba a cor da África
Na Índia a Kerva balança Shiva
Eu sou, o OM, o som do universo

É só areia, é só areia lá na praia
E na areia essa sereia está sem saia

Em toda alma há sempre o mal e o bem
o Yng - o Yung e tudo Zen
Viva a mãe Laksmi grande deusa da beleza
Viva os elementais da natureza

Baila Laksmi totalmente exuberante
Por sobre os montes do Tibet
Beleza mística presença física
Em cada troca de maré.

Avatar: nome dado as encarnações de um deus na Índia
Axuaju: ritual muçulmano
Axua: árvore (do africano)
Azagaia: lança curta (do indiano)
E Namaha: saudação (do indiano)
Kerva: ritmo mais popular da Índia
Laksmi: deusa da beleza ( do indiano)
OM: som do universo
Ritumba: tambor africano de tronco oco
Shiva: Espirito Santo (do indiano)
Srim: essência da divindade (do indiano)
Vishnu: deus da transformação - metamorfose.

Tablas e Vocal: FilipeLua
Durbak: Rafael Diebi
Baixo: Dudu Prates
Violão e Voz: Adriano Priori
Arranjo: Filipe Lua

 

ESPORAS DE PRATA
(Vírgilio Nunes Maia/ Paulo de Tarsoa)
IntérpreteIChico Barreto

Do sertão mais profundo em disparada
Um vaqueiro me trouxe esta comenda
Par de esporas antidas sem emenda
Que um ourivs lavrou na pura prata

Guardem-se as mais rubras cavalgadas
Passo tardes mugidos de mil bois
Os aboios de outrora e os de depois
E as venturas de um tempo que passou

Que entre matas e pedras pelejou
sobre os riscos de sal que deus dispôs

Num galope de sonho e pesadelo
Retornei ao sertão do nunca mais
Repetindo no brilho dos metais
A figura de incerto cangaceiro

Para sempre despi-me dos meus medos
Arrancando na noite uma botija
As esporas que deu são mais bonitas
Que as estrelas de céu no mês de agosto

São as asas de fogo do sol posto
Sua prata clamando a pedra rija.


Percussão: Joaquim Ernesto
Violão: Paulo de Tarso
Teclado: Tarcísio Sardinha
Vocal: Gaudino
Flauta: Texo Cabral
Bateria: Alemão do Bororé
Baixo: Clovis Boca Freire
Arranjo: Tarcísio Sardinha

 

O FESTIVAL
(Fernando Corona)
Intérprete: Neto Fagundes, Ernesto Fagundes e Fernando Corona

Sair, - Por estrada afora.
É por ali,
Vai que o caminho e melhor.
Devagar, - Tem carro na contramão.
Atenção, - A gente já vai chegar.

Chegar - É sempre um novo abraço.
Mostrar pro amigo a mais nova canção.
Será - Que o povo vai vir no refrão,
Será? - Afina esse violão.

Subir, - Encontrar o Texo e o capucho.
Rolar feito seixo
Deixar o repuxo levar.
Beber até o sol raiar
E rir, - Só mais uma piada,
É hora de dormir.

Olha lá! - O resultado taí.
Tem gente que chora,
Tem gente que chora de rir,
Não dá bola, - É loucura normal
Porquê é festival.

Voltar - Por estradas afora.
É por ali, - Vai que o caminho é melhor.
Devagar, - Tem carro na contramão,
Atenção! - A gente já vai chegar,
Coração. - A gente já vai chegar,
Coração.

Violão: Paulunho Fagundes
Percussão e Voz Solo: Ernesto Fagundes
Teclado e Voz Solo: Fernando Corona
Voz Solo: Neto Fagundes
Arranjo: Coletivo

 

FOLIARÁS
(Elton Ribeiro)
Intérprete: Telma Tavares

Abre a porta senhoria
Que a forlia já chegou
Salve o senhor abençoou.

A viola enfeitada
O seu braço é só de fita
Esse povo acredita
Nas promessas do senhor.

Cantador, ai cantar cantei
Louvador, louvar louvei
Esse fruto de amor.

Quando a folia passa
Segue o povo em prece
Bate o sino da capela
Ajuda pr´quem merece
Receber...

A bandeira do divino
De paixão, de acalanto
Segue a crença ao Deus-Menino
Louva o espírito santo

Improvisado um verso
Na voz de quem já criou
Na garganta o mel

Iluminai o terreiro
Pelo vinho, pelo pão
Por essa raça esquecida
Acuada nesse chão
Do Brasil...

Abre a porta prá folia...

Viola e Vocal: Elton Ribeiro
Baixo e Vocal: Nani
Percussão: Alua
Percussão: Ernesto Rangel
Acordeon: Olivio de Souza
Arranjo: Elton Ribeiro

 

KALUNGA
(Ivo Ladislau/ Beto Bollo)
Intérprete: Beto Bollo

Deus te salve a casa
Oi que rica morada
Pois agora "cheguemo" senhora
E "ficamo", obrigado.

Tome cuidado morena
Com esse seu balançar
Que o Kalunga é fundo
Não dá pra brincar...
Tome cuidado morena
Com esse "macaquero"
Que espalhou nosso povo
Pelo mundo inteiro...

Corri ás senhoras,
Por anos, por dias.
Com ás senhoras,
E não vi a alforria.

Por isso Senhora
Do meu peditório
Onde foi parar
O seu ofertório?

Hora de cantar
cantar, cantar
Ole, ole, ole, olá
Hora de chorar
Chorar, chorar
Oli, Oli, Oli, Olá.

Kalunga, é meu imenso mar...
Mar da paixão e da escravidão:

"Ô macaquero que vem pela praia
Macaquero que vem pela praia
O macaco vem dizendo
Que o kalunga é muito fundo..."

Pandeiro: Giovani Berti
Trompete, Pandeiro e Vocal: Jorginho do Trompeti
Guitarra: Pulinho Fagunde
Baixo: Ricardo Baumgarten
Arranjo: Beto Bollo

 

LÁSTIMA
(Mauro Moraes)
Intérprete: José Claudio Machado

Me atrevi perguntar,
a peonada de prosa,
o que faço da vida...
e entreguei a palavra,
do meu coração,
ao violão que aguardava,
num canto do rancho...
a questão é saber,
se deixar envolver,
pelo bem, pelo mal,
mas que tal:
se o galpão pede lenha,
a saudade uma senha,
e a vida um buçal...

Por meu lado a tristeza,
asentou no silêncio,
umas quantas de lua...
e marcou na paleta,
as tropilhas que a dor,
lastimou no cavalo,
as pechadas da lida...
as razões que se tem,
me castiga o chapéu,
de tormenta e suor,
mas o pior!
é cuidar da manada,
quando a tropa desgarra,
com o focinho no sal!

Amada, apura!
me serve um mate...
enquanto late a cachorrada,
lambendo a baba,
o gado mostra,
que a vida gosta,
um pouco mais...
Ademais amor,
ademais amor!
a poesia tem planos,
pra nossa dor!

Violão Base: Mauro Moraes
Violão Base: Carlos Madruga
Violão Solo: Diamandú Costa
Acordeon: Beto Caetano
Baixo: Clóvis Boca Freire
Bateria: Alemão M'bororé
Arranjo: Beto Caetano

 

MEIAS PALAVRAS
(Márcia Marques/ Dado Jaeger)
Intérprete: Victor Hugo

Procuro versos de mistérios vagos,
de esperanças tolas nos tantos fracassos,
de idéias frias, de muitos cansaços
pra esquecer, de vez essa melancolia.

Preciso espaços pra dores latentes,
pra curar a minha doida poesia,
pra criar maneiras de encarar o dia
e sentir de perto a minha verdade.

Não ouço nada, nem meias palavras,
são frases ditas, revoltas no ar...
não vejo a luz que vem desse lugar,
não trago luas cheias pra te dar.

Sou inquieto pra esperar a vez,
sou tantas coisas, sou tanto querer...
perdido em ruas que não sei dizer,
perdido em horas que não sei contar.

Aí me entrego, sem mais esperar
por essas noites que apagam os dias,
buscando sonhos num olhar distante,
tornando a vida a minha ousadia.

Teclado: Dado Jaeger
Guitarra e Vocal: Edilson Avila
Teclado: Mauro Marques
Bateria: Ricardo Arenhaudt
Baixo: Paulo Deniz Jr.
Arranjo: Dado Jaeger.

 

MILONGA DE LIMPAR CÉU
(Hércules Grecco/ Carlos Catuípe)
Intérprete: Flávio Hanssen

Era um dia enfarruscado
daqueles que a noite encilha
pra correr sobre as coxilhas
pintando potros cinzentos
na madrugada.
O frio escorrendo quieto
sem brisa nem ventania
fazia gelar as almas
no fundo da sesmaria
aquerenciadas.

Tentei montar no meu pingo
mas vi que ele estava rengo
fui logo soltando o mango
que a gente dos descampados
não força horário.
Entrei no rancho cismando
que a sorte costura atalhados
quando falha a montaria
o mate faz companhia
ao solitário.

Mateando aquentei meus ossos
mateando pensei lampeiro
quem pega assim no porongo
domina o mundo matreiro
por um momento.
Olhei o dia lá fora
larguei tapera meu tempo
preguei o sonho na lenda
não há fronteira que prenda
o pensamento.

Deixei de lado o porongo
e dei de mão na guitarra
engatilhei a milonga
baleei o gelo com notas
buscando o sol.
As nuvens de chumbo e pluma
varri do ar uma a uma
com vassoura de guanxuma
dos versos de pé quebrado
limpei o céu.


Teclado: Dado Jaeger
Violão Base: Mauro Marques
Violão Solo: Osmar Carvalho
Bandoneon: Carlitos Magallanes
Baixo: Paulo Deniz Jr.
Bateria: Ricardo Arenhaudt
Arranjo: Dado Jaeger

 

MUITO ANTES DE PASÁRGADA
(Jaime Vaz Brasil/ Vinícius Brum)
Intérprete:Ivo Fraga e Tambo do Bando

Muito antes de Babel
e sua torre-palavra.
Antes da fala primeira,
do grito mais primitivo
dos humanóides pensantes.
Bem antes de qualquer coisa
dos insetos e dos ratos
a Terra estava aqui.

Antes das leis e papéis,
proprietários e posseiros.
Muito antes do cultivo
do trigo e o que mais se plante.
Bem antes que se criassem
os maquinismos possíveis
a Terrra estava aqui.

Muito antes de Herculano
dos cemitérios de pedra.
Antes dos índios e gregos.
Bem antes de todo o resto,
das ciências e das letras
a Terra estava aqui.

Antes de cada parede
dos castelos, das favelas.
Muito antes da Igreja,
dos ritos e da comida.
Muitos antes de Pasárgada
dos países, das bandeiras,
dos paraísos perdidos
a Terra estava aqui.

Bem antes das madeiras
antes do beijo e da fome.
Antes de tudo na Terra
a Terra estava aqui.

Violão e Vocal: Vinicius Brum
Flauta e Vocal: Texo Cabral
Percussão e Vocal: Leandro Cachoeira
Teclado e Vocal: Marcelo Pijama
Percussão e Vocal: Beto Bollo
Baixo: Clóvis Boca Freire
Arranjo: Vinicius Brum e Beto Bollo

 

POR AÍ
(Fernando Corona)
Intérprete:Neto Fagundes

Tudo que eu sinto tem um pouco do pampa
Tudo que eu falo tem um pouco de meu pai
Tudo que eu canto tem um pouco de samba
E tuso se vai, tudo se vai por ai.

Toda melodia tem um pouco de rap
E toda milonga tem disto um pouco também.
Toda melodia tem o seu sotaque
Mesmo quando parece não ser de ninguém.

Toda matéria tem um pouco de alma
E minha alma sinto as vezes petrificar.
Toda emoção que me lateja na veia
Nunca vem me acariciar.

Toda a riqueza quase sempre é dívida
Toda certeza pode ser uma dúvida
Todo carrasco pode ser uma vítima
E tudo se vai por aí.

Todo pedaço quase sempre é o todo
Todo quase, quase sempre é o nada
Todo sempre pode ser mais um pouco
E tudo se vai por aí.

Porquê tudo se move,
Tudo se move
Tudo se vai por aí.

Tecaldo: Fernando Corona
Guitarra: Paulinho Fagundes
Percussão: Ernesto Fagundes
Baixo: Renato Mujeiko
Bateria: Ricardo Arenhaudt
Arranjo: Fernando Corona

 

VERMELHA
(Marcello Lessa)
Intérprete:Andrea Montezuma

Se eu fosse capaz
De pesar o meu dia a dia
Se eu tivesse o dom
De ver ao olhar no olhar
Que me espelha
Quem sabe eu veria
Um pouco de tudo do que nunca fui
Quem sabe eu seria capaz de entender
Por que fico vermelha

Vermelha de ódio
Pavor ou desejo
Vergonha do mal
Ou do bem que não fiz
Vermelha de amor
De calor ou do beijo
Medonha e fatal
Num final feliz.
A boca vermelha
Pintada de vida
Moldura os sorriso
Contorna a paixão
Os olhos vermelhos
Em mim amenizam
A velha ferida
Um novo perdão.

Violão e vocal: Marcello Lessa
Arranjo: Marcelo Lessa.