LETRAS DA12ª MOENDA
em ordem alfabética

BOI MARRUÁ
BRASEIRA
CANSAÇOS
DUPLA FACE DO SILÊNCIO, A
FESTANÇA
FORÇA, A
MEDO, O
MISTÉRIOS DA FÉ
NAU DOS LOUCOS PELO PAMPA
PASSAGENS E PORTAGENS
PRA COMEÇAR TUDO DE NOVO
TIRA O PÉ DO CHÃO

BOI MARRUÁ
(Jean Garfunkel e Osvaldo Viana )
Intérprete: Jean Garfunkel
São Paulo - SP

Um tantão sem terra
Um tambor de guerra
Um clarão no ar
Uma estrela acende
N'alma da gente
Pra alumiar
A esperança raiou
No arraia
Vamos lutar
Pela vida ai ai

Vida de cigano
se equilibrando
No temporal
Vida de grileiro
De guerrilheiro
De capiau
Só trabalho e suor
Sangue e sal
De sol a sol
Por justiça e paz

Olha o Boi no meio do povo
Ói que o boi não é bobo
Ói que boi é o povo
Que vira o jogo
Boi Marruá
Agora meu povo
Virá esse jogo
Poucos tem tanto
Outros tantos tão pouco
É hora meu povo
É ferro e fogo
Cobra o teu troco
Meu boi
O boi não é bobo
E um mundo novo
Amanhecerá

Violão: Jean Garfunkel
Baixo: Sizão Machado
Bateria: Edson Guilardi
Percussão: Mestre Dinho
Teclados: Roberto Lazarini

 

BRASEIRA
Letra: Rita Altério
Música: João Aluá
Intérprete:
João Aluá
Goiás - GO

Eu nasci em chão Mineiro
Terra Santa do Ingá
E dos filhos o primeiro
A querer se aventurar

E cresci a ferro e fogo
Capinando o meu viver
Quando a vida abriu o jogo
Fui buscar meu bem querer

O teu olhar feito braseira
Me queimou enfeitiçou
Me feriu flecha certeira
Eu morri eu morri
Eu morri de amor por nós
Me perdi me perdi
Perseguindo tua voz

E segui feito menino
Na primeira embarcação
Timoneiro sem destino
Acenando o coração

E me fiz aventureiro
Vou no rastro da paixão
Trovador sou estradeiro
Canto a minha solidão.

Teclado: Cacau
Violão: Paulinho Machado e Tavinho Lima
Baixo: André Salazar
Arranjo: Tata Simpa

 

CANSAÇOS
(Mauro Marques e Chico Saratt)
Intérprete:
Chico Saratt
São Leopoldo e Porto Alegre - RS

Cansei da vida perversa
que a vida, sofrida, assume;
da eterna mesa vazia,
do sol a esconder seu lume.
Cansei das falsas promessas,
dos engodos desses planos,
da tola crença de um povo,
dos finais em desenganos.
Cansei dos tantos senhores...
mesmos nomes,
novas caras:
dos santos camaleônicos,
fantasias... coisas raras!
Cansei das indiferenças,
dessa sina amarga e crua,
da criança seminua
a se perder nas esquinas.
Cansei das mesmas andanças...
cansei de enfartar artérias,
de replantar esperanças
pra sempre colher misérias.
Cansei de mandar pra o espaço
a gana da rebeldia:
de ficar cruzando os braços,
dia e noite, noite e dia...
quem sabe desse cansaço,
desperte o grito de "basta",
o estouro do cimbronaço,
a ventania que arrasta?
Quem sabe a voz do vento
ecoe na inconciência,
movendo velhos moinhos,
parados pela dormência?
quem sabe a alma se agite
sem esperar o que aconteça
e a noite veja seu dia,
mesmo antes que amanheça!

Baixo: Clóvis Boca Freire
Teclados: Ricardo Freire
Bateria: Marcelo Freitas
Violão: Mauro Marques
Arranjo: Ricardo Freire e Dado Jaeger

 

A DUPLA FACE DO SILÊNCIO
(Dado Jaeger e Jaime Vaz Brasil)
Intérprete: Maria Helena Anversa
Porto Alegre - RS

A dupla face do silêncio
com olhos mudos embala
a leve rede que enleva
as impressões de quem cala.

Quem adormece por ela
torna seus verbos tão nulos
que em si mesmo descobre
ganas de eterno casulo.

A dupla face do silêncio
ao mesmo tempo condensa
o mais vazio dos momentos
e as asserções de quem pensa.

E se percebe no espelho
de um constante esquivar-se
em cada face, mais duas,
a refletir seus disfarces.

A dupla face do silêncio
é dúbia forma que aceita
um viajar-se por dentro
ou uma fuga perfeita.

E no instante que surge
com mãos ocultas, reata
o encistar-se que impede
a tradução mais exata.

Teclado e Arranjo: Dado Jaeger
Baixo: Costa Lima
Bateria: Ricardo Arenhaldt
Flautas: Luizinho Santos e Rodrigo Carraro

 

FESTANÇA
(Genésio Tocantins)
Intérprete: Genésio Tocantins
Palmas - TO

Quem não se entrega ao amor
com medo de se apaixonar
É um marinheiro que se apega à terra
não navega o mar
"E navegar é preciso", rio abaixo, maré cheia
Coração na correnteza do amor de uma sereia.

Vem, vem, vem meu amor'
Vem namorar
Coração esperança
É festança!
O amor a cantar (refrão 1)

O meu amor gira mundo, sonho cometa a girar
Gira lua, girassol, gira planeta solar.

Vem, vem, vem meu amor
Vem festejar
Gira rodada vida
A lida, o tambor, pra tocar,
Pra tocar, pra tocar...
O tambor
Pra cantar, pra cantar...
O canto do trabalhador (refrão 2)


Arranjo: Genésio Tocantins
Percussão: Giovani Berti

 

A FORÇA
(Carlos Catuípe e Vaine Darde)
Intérprete: Cléa Gomes
Osório - RS

Que força é essa que chega
Na hora extrema da dor
E põe sorriso na lágrima
E veste a mágoa de flor;
Abre vertentes de sonhos
Na hora do sol se pôr...
E faz milagre na gente
Com a magia do amor?

De onde vem essa força,
Com seus encantos intensos,
Que acende velas aos santos,
Faz novenas, queima incenses...
Que nos mantém — por metade
— Quando o adeus acena lenços
E acalanta o poema
Para encantar o silêncio?

Que força é essa, tamanha
Que se traduz nos escritos...
E põe a gente de joelhos
E nos eleva ao infinito,
Que ilumina os fiéis
No alumbramento dos ritos
E, às vezes, beija na boca
Para salvar os aflitos?

Será que vive na flor,
Será que brilha na luz?
Uns a encontram no amor,
Outros a buscam na cruz.

Arranjo, Violão e Vocal: Carlos Catuípe
Guitarra Sintetizada: Catuípe Jr.

 

O MEDO
(Chico Saratt e Rodrigo Bauer)
Intérprete: Chico Saratt
Porto Alegre e São Borja - RS

O medo inquieta a calmaria e grita
Em seu silêncio que não tem segredos
Sopra tormentas pela noite aflita
De quem insone prenuncia medos
O medo ruma nas estradas pleno
Faz-se presente a destruir futuro
A paz de quem acende um sol pequeno
Que o medo apaga pra viver no escuro
O medo habita o coração dos homens
Amarra os passos sem deixar partir
E planta anseios pra colher a fome
Secando os lábios de quem quer sorrir
Talvez por isso é que no céu do medo
Já não há plumas nem se voa mais
Tudo é tão tarde sem ter sido cedo
E quem navega não encontra o cais

O medo às vezes faz que vai embora
Mas, de repente vem na ventania
Está na lágrima que se evapora
Mas, que promete retornar um dia
E o homem cego vai seguir perdendo
Todos os sonhos que colheu na. estrada
Nessa loucura de viver temendo
O próprio medo de temer o nada.

Arranjo, teclado e vocal: Ricardo Freire
Teclado: Paulinho Bracht
Baixo: Luis Martins
Bateria: Marcelo Farias
Vocal: Vinicius Brum
Sax Tenor: Dimitri Arbo
Guitarra: Andrei Copete

 

MISTÉRIOS DA FÉ
(Beto Santos)
Intérprete:
Beto Santos
São Paulo - SP

Uma sereia bela
De um rio de tradição
Em certa noite, sonhei
Sonhos de amedrontrar
Me disse ela
Que a chuva ia chegar

Que eu procurasse ter fé
Tanta fé
De até derramar
Sonhei
E me acordei

Caminhei só
Por matas de Ingá-mirim
Tanta terra estorricada
Por um sol
Que não tem fim

Com visões de um Oiá
Com visões de um Oiá
Eu vou
Nunca mais ver
Mata queimada
E a invernada
Sem cor
Ao meio dia a terra tremeu
E a pedreira do alto bateu
Alguém me disse que isso é prenúncio
Que a chuva da boa
Não tarda a chegar
Ah! meu Deus
Fez a chuva brotar
Lá dos olhos do doce Oiá Oiá,
O do Oyá.


Rio de Tradição: Dis respeito ao Rio Níger, que simboliza a fartura e a
fertilidade da terra, É o local onde nasceu "Oyá".
Oiá ou Oyá: é a divindade dos ventos e das tempestades, que em iorubá
chama-se "O DQ OYÁ". Também conhecida como IAIMSÃ, que no sincretismo
afro-brasileiro, compara-se a SANTA BÁRBARA.
- Aqui, um povo carente de chuvas, tem sonhos e visões com "Oiá", depois de
ver perdida toda a plantação.


Violão e Vocal: Tuca Filho
Viola e Vocal: João de Deus
Percussão e Vocal: Denise Millie
Arranjo: Quarteto Acústico

 

NAU DOS LOUCOS PELO PAMPA
(Ricardo Freire e Jaime Vaz Brasil)
Intérpretes: Lúcia Helena e Ivo Fraga
Santa Maria e Porto Alegre - RS

Nau dos loucos pelo pampa;
Arreio que encilha o nada.
Cavalo insone, sem freio.
Norte f eito sem estrada.

Espora perdida e surda
no galpão inexistente.
Histórias não ocorridas
que habitam cada vivente.

Nau dos Loucos pelo Pampa.
Sono ao solo dos sensatos.
Semente azul do arco-íris.
O poema é mais que fato.

Melodias do impossível,
clave em pautas flutuantes.
Parlamentos sustenidos
compondo leis dissonantes.

Nau dos Loucos pelo Pampa.
Chuva de baixo para cima.
O calendário dos homens
deu asas de vez ao clima.

Flores no inverno, no outono
e mesmo na primavera.
Do céu caem mil dinheiros
e o povo não se aglomera.

Nau dos Loucos pelo Pampa.
Se postam cartas sem selo.
Janelas, trancas e portas
com dobradiças de gelo.

Terremotos sobre o vento -
nau das naus, nau incerta.
Queda livre do infinito,
e a porta do céu, aberta.

Arranjo, Teclado e Vocal: Ricardo Freire
Teclado: Paulinho Bracht
Baixo: Luiz Martins
Bateria: Marcelo Freitas
Percussão: Sandro Cartier
Guitarra: Jair Medeiros e Andrei Copete

 

PASSAGENS E PORTAGENS
(Letra e música: Felipe Melo)
Intérprete: Felipe Melo e Banda Doidivanas
Pelotas - RS

São as veias de Galeano
As galeras dos Ramil
Pêlos portos de Lisboa
Por rincões que não se viu
O piá que sonha reaggae
Planta sons pela calçada
Outro sua lá na roça
Éguitarra a sua enxada

São os poros de Maicá
Transpirando pela pampa
Inspirando uma estampa
De um cantar sem senhores
Raças, cores e alegria
O olhar voando o mundo
Estes ventres tão fecundos
A buscar os seus amores

Deixe a pampa aberta
Para quem quiser passar
Oferece um mate amargo
Para quem aqui ficar
Deixe livre os pensamentos
Pra mania de sonhar
Passagens de universos
Portagem de tantos versos
Pêlos ventos gauderiar

É o mundo, a juventude
As paixões dos guaranis
Muito além das geografias
E potíticas imbecis
Bate forte o coração
Pelas prendas destes pagos
E os guris ensandecidos
Pra ganhar os seus afagos

Guitarreiros, guitarristas,
'Paisanos' e repentistas
'Payadores' e roqueiros
Mesclam alma nativista
A galáxia dos galpões
Garagens tão herméticas
Pelas malhas cibernéticas
Singram mares e coxilhas

Violão e Voz: Felipe Mello
Baixo: Rodrigo Osório
Guitarra: Daniel Conceição
Bateria: Rodrigues Martins

 

PRA COMEÇAR TUDO DE NOVO
(Fernando Corona )
Intérprete: Fernando Corona
Porto Alegre - RS

Queria ser um copo d'água derramado sobre o mar
ou branca vela pra nunca mais parar de navegar.
Queria ser o som que sai da flauta
e anda com o vento
e quem sabe levar um pouco de alento
à gente que este vento faz sofrer.
Queria ser palavra tchê na boca dos amigos
especando fejto fogos de artifício,
celebrando a vida sem cansaço ou dor.
Queria ser o lápis colorido da menina
rabiscando todo tempo o papel,
queria ser o céu do desenho dela.

Queria ser cantor,
queria ser Pelé,
queria ser guri
e começar tudo de novo.
Eu amaria um pouco mais.

Queria ser a lágrima que nasce de teu olho lindo
pra brincar na ponta de teu nariz
ou me dissolver em tua boca.
Queria ser ao quarenta e cinco do segundo tempo
um grito de gol,
queria ser galera,
queria ser bandeira.
Queria ser a voz da mãe que acalma seu filho
queria levar este brilho até meus últimos dias
e nunca esquecer.
Queria ser dez segundos de teu perdão,
isto sim faria bem para meu coração,
isto sim seria redenção.

Queria ser cantor,
queria ser Pelé,
queria ser guri
e começar tudo de novo.
Eu amaria um pouco mais.

Teclados e Arranjo: Fernando Corona
Guitarra: Paulinho Fagundes
Baixo: Ricardo Baugarten
Bateria: Ricardo Arenhaldt
Harmônica: Felipe Lua

 

TIRA O PÉ DO CHÃO
(Ivo Ladislau e kako Xavier)
Intérprete: Kako Xavier
Praia do Barco e Porto Alegre - RS

Quando ouvir o tambor
Tira o pé do chão
Os dois se "dê", os dois se "dê",
Os dois se "dê"
Eu sou da praia mane
E aqui levanto o pé
Os dois se "dê", os dois se "dê",
Os dois se "dê".

É nesse mar/ é nessa praia
Que o barco balança na maré
Que a turma cai na gandaia
E a gente levanta o pé/ os dois se "dê"

Quando ouvir o tambor...

No balanço das ondas
Sou a ginga dos ventos
Por isso não perco o pique
Fogão de pedra ao relento
E na base do meu sustento
Passoca de maçambique

Quando ouvir o tambor...
Dia de sassaricar
É sexta-feira/ gente faceira
Explode a praia num furor, de amor
Quando alguém bate-bate que bate
que bate um tambor

Quando ouvir o tambor...


Arranjo: Kako Xavier
Baixo e Vocal: Mário Carvalho
Guitarra e Vocal: Edu Coelho
Teclado e Vocal: Fernando Corona
Bateria: Sorriso
Percussão: Giovanni Berti