LETRAS DA 13ª MOENDA
em ordem alfabética

AMOR AOS OLHOS DE NAUFRAGO, O
BAIÃO INTERNAUTA
BALAIO DA NEGA (O)
DESPEDIDA
ESPERA, A
LÁGRIMA
MOÇAMBIQUE
QUEM SABE
SIMEANA
SUA HISTÓRIA
SUL
UM LUGAR NO CORAÇÃO

 

AMOR AOS OLHOS DE NÁUFRAGO, O
(Ricardo Freire/ Jaime Vaz Brasil)
Intérprete: Kako Xavier
Ritmo: Canção
Santa Maria/ Porto Alegre - RS

Como um barco na tormenta
como um potro que se solta
como quem grita no escuro
e ganha os ecos em si.

Com febre de marinheiro
com a fome de cem dias
e o desespero de um náufrago
depois de um breve esperar
eu chegarei ao teu corpo
como um rio se entrega ao mar.

Como um barco em águas lentas
como um passáro que pousa
como quem olha ou escuta
o silêncio dos mosteiros.

Com a constância dos monges
com assombros de menino
e a mansidão de um náufrago
depois de um longo esperar
eu chegarei ao teu corpo
como um rio se entrega ao mar.

Teclado e Vocal: Ricardo Freire
Guitarra: Gustavo Assis Brasil
Bateria: Marcelo Freitas
Teclado: Paulinho Bracht
Baixo: Ricardo Baumgarten
Flauta Texo Cabral

 

BAIÃO INTERNAUTA
(Genésio Tocantins)
Intérprete: Kako Xavier
Ritmo: Baião
Palmas - TO

Fiz um baião de modo mordenizado
Que é moda tocar no rádio
FM, televisão.
Toquei guitarra, sonfona, ganzá, zabumba,
Meu boi, samba, quizumba,
Rock, bossa e vanerão.

Ai, ai, computador tá no sertão
Ai, ai, computador tá no baião

Sou internauta, nunca mais montei num jegue
Um xote que me carregue
Tudo é blue, tudo é baião
E as donzelas namoram n'outra janela
Na internet, na novela,
É a globalização.

Ai, ai, não quero sexo virtual
Ai,ai vamos fazer calamengau

Ai, ai, navego tudo num segundo
Ai, ai hoje anda o mundo.

Percussão e Vocal: Giovani Berti
Baixo e Vocal: Mário Carvalho
Acordeon e Vocal: Elias Resende
Violão e Vocal: Kako Xavier

 

BALAIO DA NÊGA (O)
(Marcelo Lessa)
Intérprete: Marcelo Lessa
Ritmo: Maxixe
Rio de Janeiro - RJ

Mexe, bole, remexe, sacode o seu samburá
Quando ela passa na Mauá
parece que o balaio dessa nêga
nunca para de passar
Por isso qu'ela
mexe, remexe por baixo do tafetá
Marco a dona por zona
E o balaio essa nêga não dá.

Já tentei de tudo e não dá,
prometi alugar para ela um bom mafuá,
em Acari com jardim e pomar,
sabiá, bem-te-vi...
Dá de rir
E o balaio que é bom
essa nêga não dá.

Já passou de atração,
de tesão meu irmão.
Tenho a leve impressão
que ela quer, quer, quer,
quer, quer, quer me desmoralizar.
E logo eu bon-vivant, gigolô,
respeitado na praça Mauá,
tô amando essa nêga.
E a danada da nêga não dá.

Já passou de atração,
de tesão, o coração
tenho a leve impressão
que tô preso, que dessa não saio,
que esse balaio tem escravidão
e logo eu um capitão, cafetão,
capaz do quilombo ilusão
sou escravo da dona
da zona da Abolição.

Violão e Vocal: Marcelo Lessa

 

DESPEDIDA
(Jado Jaeger/ Dilan Camargo)
Intérprete: Maria Helena Anversa
Ritmo: Cançaõ
São Leopoldo e Porto Alegre - RS

Quero ver o teu olhar
Antes de partir.
Teu amor me fez
A primeira das três.
Velavas meu sono
Eeu te abandono.

No meu fado feminino
Eu segui esse destino
De mulher e homem.
Eu mudei a face
Eu mudei de nome
Por favor me abraça.

Oh! Mãe!
Me olha mais uma vez!
Oh! Mãe!
Me olha mais uma vez! (bis)

O que vou levar
É só teu olhar.
Todos os olhares
Brincos e colares
Não terão a luz, nem a cor
Do teu olhar de amor.

Oh! Mãe!
Me olha mais uma vez!
Oh! Mãe!
Me olha mais uma vez! (bis)

Vocal: Mari Helena Anversa
Teclado: Dado Jaeger

 

ESPERA (A)
(Clenira Barbosa e Maurício Marques/ Clenira Marques)
Intérprete:Janna de Souza
Ritmo:Chamamé
Canguçu e Pelotas - RS

Sempre que olho em teus olhos,
Volto pra dentro de mim;
E encontro rastros do meu desalento,
Emoldurados por ti!

Então descubro o segredo,
Mas não revelo pra mim;
Que a minha alma em desassossego
Ainda clama por ti!

Abro as comportas das lágrimas,
Que estão represadas em mim;
E minha alma goteja, num pranto indevido!
Regando esta espera sem fim...

Então descubro o segredo,
mas não revelo pra mim;
Que minha alma em desassossego
Ainda clama por ti!

Abro as comportas das lágrimas,
Que estão represadas em mim,
E a minha alma goteja, num pranto indevido!
Regando esta espera...

Violão: Maurício Marques
Baixo: Rodrigo Reinhemer
Teclado: Eber Porto Barbosa
Saxofone e Flauta: Daniel Davilla Zanotelli.

 

LÁGRIMA
(Carlos Gomes)
Intérprete: Carlos Gomes e Ivânia
Ritmo: Toada
São Paulo - SP

Se a palavra não condiz
com o que nos mostra um gesto
como mentir quando desponta
no canto do nosso olhar
uma nascente cristalina
a fina flor de um sentimento
se uma imagem por si só
mostra a essência de um momento
o que escrever desta poesia
que inunda o canto do olhar
senhora das contradições
na tristeza, noite, ou dia na alegria
uma lágrima
mais doce, ás vezes, que o mel
é como presentear com o céu
a quem vive um amor
lágrima
(na cara, na hora, lágrima é vida
que lava e sara qualquer ferida)
encara e pôe fora o que quer que nos agrida
faz alva a nossa aura e a sonhar nos convida
clara, inspira e valoriza a despedida
se o silêncio às vezes diz
o que o som não ousaria
o que dizer desta magia
que põe no canto de olhar
o sinal que fomos vencidos
pelo enredo, pelo fim da fantasia
uma lágrima
revela, às vezes, qual a cor
de dois que se tornaram um...
há, como foi bonito
ver correr as lágrimas
de nosso Grande Otelo
sobre o piano de Benito.

Violão e Vocal: Carlos Gomes

 

MOÇAMBIQUE
(Beto Santos)
Intérprete:Bento Santos
São Paulo - SP

Eme N'gueza Hcucu
Pala Kuzela Ya N'zala
Ku Tandu
Ya Moçambique

EloTwuvi
Ila-iê
Ê mamá
Moçambique

Eu vim aqui pra falar
Da fome do ar de Moçambique

Como pode uma alma
Pequena, franzina
Ter fé em um Deus
Quando os gritos da fome
Afetam e afastam
Todos os sonhos seus
É questão de lutar
Buscar a energia do ar
Pois faz bem se agregar
Viver
É uma eterna união
Não faz bem caminhar, e ver
Morte de fome, brotar

Elo Twuvi
Ila-iê
Ê mamá
Moçambique

Eu vim aqui pra falar
Da fome, do ar de Moçambique
Eu vim aqui pra falar, pra chorar
Moçambique.

Teclado e Vocal: Tuca Filho
Baixo: Marcelo Ramos
Guitarra: Judson Santos
Bateria: Sérgio Vieira
Violão: Dina Nascimento
Baking: Rute, Glória e Sergio

 

QUEM SABE?
(Flávio Vaz Brasil/ Vanessa Wunderlich)
Intérprete:Flávio Vaz Brasils
Ritmo: Funck
Porto Alegre - RS

Quem sabe se em algum lugar um sapo ri à-toa
Quem sabe lá?
Quem sabe se aventurar, ir no mar de canoa
Sem naufragar?
Quem sabe aproveitar o vento
sobe ao céu e voa
pra outro lugar.
Quem sabe a gente se cruzar
num bar da João Pessoa
Sem se encontrar?

A cidade é sempre tão igual
a mesma foto no postal:
o pôr-do-sol da capital.

Quem sabe se o sol não queimasse
à beira da lagoa
eu fosse pescar
Quem sabe a terra fosse
a terra da minha
lavoura
pra capinar.
Quem sabe a tempestade não passasse de garoa
pra nos molhar
Quem sobe a serra é caminhoneiro ou tem a vida boa
e vai descançar

A vida é sempre tão igual
uns ganham bem, outros tão mal
ao pôr-do-sol da capital.

Violão e Vocal: Flávio Vaz Brasil
Guitarra e Vocal: Amir Jaber
Baixo e Vocal : Adão Rosa
Teclado: Jaen Presser
Flauta e Sax: Zé Blanco
Bateria: Vinicius Brasil

 

SIMEANA
(Carlos Catuípe/ Ivo Ladislau)
Intérprete:Loma
Ritmo:Fado
Osório - Capão da Canoas - RS

Na minha tez escura,
Corre sangue lusitano,
Minha avó toda ternura,
Meu avô todo cigano...

Minha mãe tristeza linda,
Fruto paixão proibida,
Foi marcada pela vida,
Eu herdei suas feridas.

Eu me chamo Simeana,
Parda forra, fui batisada!
Mas existe quem me ama
Apesar de deserdada...

Eu me chamo Simeana,
Mescla de ginga e bailado,
Flor negra, meio lusitana,
Trago um sonho alforriado.

Eu me chamo Simeana,
O amor palpita no peito.
Me libertei dos grilhões,
Fiquei presa a preconceitos.

-Um tambor e um bamdolim,
Fazem um bom casamento?
Uns dizem não, eu digo sim:
-O que vale é o sentimento...

Deixei lá meus desalentos,
Numa curva do passado.
Voltam em certos momentos,
Tocando em mim este fado.

Vocal e Violão: Carlos Catuipe
Bandolim: Adão Leal Menger
Contra-baixo: Gilberto Almeida.

 

SUA HISTÓRIA, A
(Felipe Elizalde/ Rafael Diehl)
Intérprete:Felipe Elizalde
Ritmo:Tecno/Funk
Porto Alegre - RS

Quem quiser fazer a sua história
viva aqui e agora
gaja-vadana gananatha
quem tiver um sonho pra sonhar
que ponha os pés no chão
gaja-vadana gananãtha
quem quiser dançar com seu amor
que dance e seja bom
gauri-tanaya dayãmaya
quem quiser dançar sozinho
que entoe o ohm
gauri-tanaya dayãmaya

céu de estrelas
terras de além mar
sol que incendeia
o meu o teu o nosso amor
dia a dia meio dia
quando é lua cheia
o meu o teu o nosso amor

nasce cresce brinca sonha joga perde ganha sonha
o sol levanta o sol a pino faz desfaz
refaz deseja seja seja seja veja a tarde arde verde
veja o sol se põe a noite cai a lua vem
o cio ascende o corpo goza cansa dói descansa
o cio dorme o rio corre o dia nasce vive morre nasce

quem quiser viver a sua história
viva aqui e agora
gaja-vadana gananãtha
quem tiver história pra contar
que cante uma canção
gaja-vadana gananãtha
quem quiser trilhar as trilhas
já trilhadas sobre o chão
gauri-tanaya dayãmaya
quem quiser criar o seu caminho
que entoe o ohm
gauri-tanaya dayãmaya.

Violão e Vocal: Felipe Elizalde
Derbak: Rafael J. Diehl
Bateria: Felipe Lua
Guitarra e Vocal: Roger Scarton
Teclado e Vocal: Henrique Kunz
Bsixo e Vocal: Marcelo Dutra

 

SUL
(Ernesto Fagundes/ Antonio Augusto Fagundesl)
Intérprete:Ernesto Fagundes
Ritmo:Chacarera
Porto Alegre - RS

O sul é um espaço mágico de plainos e de serras
De litoral e de fronteira
O sul não dado por fatalidades histórica ou geográfica
Mas conquistado palmo a palmo
E se as fronteiras políticas separam os povos
O mesmo cavalo crioulo os une superando as distâncias
E se o homem é o mesmo
Que importa que fale duas línguas?
Afinal português e castelhano são irmãos-hermanos
La pampa, o pampa, na realidade gênero neutro, belicoso e
Hospitaleiro por contraditório que possa parecer
O coração da terra bate em ritmo de bombo leguero.

Bate o tambor do sul
Bate o tambor leguero
Bate o tambor do sul
Rasga o pampa inteiro

Sul
Fronteira sem fronteira
Sul
Terra de ninguém
Sul
Pátria de todos
Sul
Eu nascí aqui.

Bombo Leguero/ Bateria eletr.Kiko Freitas
Teclado: Vitor Peixoto
Bombo Leguero/Vocal: Ernesto Fagundes

 

UM LUGAR NO CORAÇÃO
(Carlos Madruga/Awandy Rodrigues)
Intérprete:Loma
Ritmo:Chamamé
Novo Hamburgo e Porto Alegre - RS

Na moldura litorânea,
Qual o verde dos olhares,
Partilhando seus encantos
Que ancoram nos meus cantares,
Entre o campo e as lagoas
Vou descobrindo lugares.

Ranchos de hospitalidade,
Pra quem chega das estradas,
Até lembram de Dom Pedro
Nas imperiais cavalgadas,
Quando nos tempos de medo
Aqui lhe deram pousada.

Estes lugares têm alma
De açorianas vertentes
E o coração que recebe
Tem sempre lugar pra gente

Chega pra roda, parceiro,
Venha ver como é que é;
Aqui tem o som africano
Tem vaneira e chamamé.

Tem portugal nos veleiros,
Ancorados na poesia,
Tem canaviais, tem moendas
E tafonas de harmonia,
Tem as antigas fazendas
E a negra sabedoria.

Litoral norte, querência
Entre Torres e Quintão,
Praia, sol e a grandeza
De alguém estendendo a mão,
Porque a própria natureza
Tem lugar no coração!

Viiolão e Vocal: Carlos Madruga
Percussão: Marcelo Pimentel
Contra-baixo e Vocal: Costalima
Bateria: Marco Michelon
Gaita Ponto: Gilmar Fernandes Selau