LETRAS DA 14ª MOENDA
em ordem alfabética

AMOR À SOMBRA DA FUGA
CANÇÃO DE NIMAR
CANTOS CONTOS E LENDAS
CAPITAL
LOUCURA
MEU CORAÇÃO NA GUITARRA
NA CONTRAMÃO
ORAÇÃO Á MÚSICA
PESQUEIRO DO CAMAQUÃ
QUANDO UMA TAÇA SE QUEBRA
TABLADOS DE VIDRO
TODAS AS PALAVRAS

 

AMOR À SOMBRA DA FUGA
(Ricardo Freire/ Jaime Vaz Brasil)
Intérprete: Piriska
Ritmo: Milonga
Santa Maria/ Porto Alegre - RS

Filmar o amor em fuga
enquanto assim se apresenta-
é anoitecer um brilhante:
só mesmo em câmera lenta.

Não da máquina, mas dele
no breve instante em que some
contra algum muro de nuvens
e perde o rosto e o nome.

Lentificá-lo em palavras seria, talvez,
um jeito de tomar-lhe bem o pulso
ou mesmo sondar-lhe o peito?

As razões de cada escape
à s vezes correm as vistas
mais escoladas na história
de ler motivos, em lista.

Quando há medo, mesmo ao pássaro
é falso o vôo liberto.
(É fuga em busca de água
rumo à boca do deserto).

O pensá-lo mais concreto
esgota a água e a sede.
(É a colher gasta em silêncio
no arranhar da parede).

O amor à sombra da fuga
atravessa o vão do muro
e enquanto foge de si,
engole o próprio futuro.

Por isso, leva-se aos ombros
em sina longa e estranha:
é sombra pesando aos passos
e ao corpo sempre acompanha

E assim - por onde adormeça
-carrega nele o dilema
de, mesmo ao dizer-se livre,
expor as suas algemas

Contra-baixo: Ricardo Baugarten
Teclado e Voz: Ricardo Freire
Violão: Erlon Pericles
Percussão: Sandro Cartier
Acordeon: Leandro Rodrigues

 

CANÇÃO DE NIMAR
(Cássio Ricardo/ Paulo de Campos)
Intérprete: Loma
Ritmo: Canção
Santa Maria/ Porto Alegre - RS

Filho meu,
Não se apresse em apressar
Sua infância, a fantasia.
Tudo logo acabaria.

Pescador,
Sua barca é só doçura.
Não se atrele à maresia.
Reme, calmo, o dia-a-dia.

Mas agora vai dormir
E vai sonhar.
Como seu pai
Que foi pró mar
Você vai ser
Pescador quando crescer
Igual seu pai,
Um sonhador,
Que pesca até o amanhecer.

Sonhador
Não é sempre que há fartura,
Se amarga a amargura
Nesse mar de calmaria.

Filho meu
Trance a rede que vai chegar,
Sua hora de navegar
Com seu pai na pescaria.

Vioão: Cassio Ricardo
Teclado: Zé Vidal
Teclado: Fabiano Saraiva

 

CANTOS, CONTOS E LENDAS
(Jonatas Prates e Eduardo Amaro Ruodox/ Eduardo da Silva Amaro)
Intérprete: Eduardo Amaro Ruodox
Ritmo: Rapp

Amanheceu
No Rio Grande do Sul
Passaredo canta forte, tem sol céu azul
Gauchada desperta, alerta em alto astral
Alegria toma as ruas, do interior e capital
E aquele tradicional amargo chimarrão
Brindo o povo riograndense
Pra manter a tradição
E em cada canto do Rio Grande
Uma nova esperança, que nasce com o brilho
Encanto de uma criança
A melodia de um solitário violão
Em cada novo pôr-do-sol
Reflete a luz da criação
Rio Grande
Arte encanto do sul, teu canto me encanta
Tua essência me seduz
Rio, que és grande companheiro em minha caminhada
Meu berço, amigo, minha marca registrada
Rio grande do sulista
Jovem cantador, te abraço no compasso
Do teu criador

Sou do Rio Grande do Sul, raiz das charqueadas
Sou neto do Herval, história mal contada
Negrinho do pastoreio, uma lenda real
Sou luta maçambique batuque no Laranjal

Sou do Rio Grande Farroupilha
De mocambo a cidadão
Sou semente que germina, espalhada pelo chão
Sou mata verdejante, cascata, Boi Tatá
Negro Bonifácio, indiada em cavalgada
Piso firme neste chão com humildade e segurança
De porteira em porteira semeando a esperança
Sou cria destes pampas das bandas do Areal
Filho grande do sul
Aqui é meu lugar
Rio Grande das batalhas, do povo trabalhador
Laçado por teus encantos, te canto com amor

Sou do Rio Grande do Sul...

Que o brilho da lua e do sol ilumine a todos que aqui fizeram e fazem história.
Aos que lavaram-se de sangue nas batalhas que não nos saem da memória criadores de contos cantos e lendas,
que se apagam e se tornam lembrança aos que nas margens deste rio grandes sonhos ao sul navegaram.
Raízes e semeaduras que como herança aquí deixaram.

Becken: Leticia Oliveira
Percussão: Henrique da Silva
Violão: Ismar Freire
Ataque Vocal: NR Martins
Tclados: Jonas Prates
Reper: Eduardo Amaro Radox

 

CAPITAL
(Chico Saratt)
Intérprete: Chico Saratt
Ritmo: Afro

Vejo automóveis, faróis
Vejo os teus sinais, de aflição
E a cara estressada do dia a me seguir
Sobre os temporais há um sol
Entre os viadutos,
Tensão e a impressão
De que todo poder não é muito...
Há sinais que indicam,
Perturbam, acalmam,
Te fazem sorrir...
Cores, corredores, roletas
E o trem que acabou de partir
Pelas avenidas, bordéis
Luzes coloridas, néon
E na praça, ambulantes com fome
Disputam um grito de gol!
Vejo no palácio um plebeu
Uma novidade!
E os livros, a poeira do tempo
Começa a empedrar nos museus, que pena!
Um avião e uma estrela
Disputam no céu o olhar de um "voyeur"
Uma pedra no beco, no morro
Acaba em tragédia outra vez - meu Deus!
Segue a capital no seu caos
No seu cais, fantasmas, navios Breve :
Porto Alegre! - Eu sei!
" I know everything's gonna be ali right"
Vejo no futuro uma luz
Vejo a tua aura, reluz
Cidade sorriso
Que um dia ainda vai ser feliz!

Baixo: Ricardo Baugarten
Guitarra: Edson Avila
Bateria: Jua Ferreira
Voz: Ana Kruger
Vocal: Cristina Nunes
Vocal: Texo Cabral
Teclado: Vitor Peixoto

 

LOUCURA
(Carlos Catuípe/ Vaine Darde)
Intérprete: Clea Gomes

A minha loucura, sem cura e sem causa
Se enfeita no espelho, põe flores na casa.
Se banha em essências de pétalas tantas
E envolta em sedas se despede e te encanta...

Acende no lume que trazes nos olhos,
Tem crises de amor, tem balda de colo.
Fanática assim, a minha loucura
Atada em teus braços é mansa ternura.

A minha loucura
Não tem compaixão
E quando enlouquece,
Tão louca, parece
Que é só coração.

A minha loucura, de tanto que ama
Não tem consciência de louca que é,
Golpeia as portas das noites insanas
E arde nas chamas que velam a fé.

A minha loucura tem sonhos de ninfa,
Acessos de lira, delírios de amor.
E dorme amarrada em loucos abraços
Até que desperta vestida de flor.

Guitarra: Carlos Catuípe
Bandolin: Carlitos Magallhãnes
Piano: Carlos Garofolli
Contra-baixo: Antonio G.Guimarães

 

MEU CORAÇÃO NA GUITARRA
(Chico Saratt/ Rodrigo Bauerl)
Intérprete: Flávio Hanssenn
Ritmo: Milonga

Quando a milonga aparece
O sonho pronto se acorda
A escuridão amanhece
E a vida nasce das cordas!

O sono foge do leito
A alma rompe as amarras
E o coração sai do peito
Pra se esconder na guitarra!

O frio da noite me aquece
Quando o silêncio se alonga
Meu poncho a vida é quem tece
Cardando a lã das milongas!

Eu só me encontro perdido
Quando a razão se desgarra
E o coração incontido
Vem transbordar na guitarra!

Mas quando a noite se acende
Trás a milonga de alento
E a solidão que me prende
Perde seu rumo no vento!

Quero as porteiras abertas
Meu rastro nunca se agarra
E o coração se liberta
Dentre os confins da guitarra!

O tempo assim evapora
Meus prantos rios de lamento
Chovendo a mágoa pra fora
E que eu me salvo por dentro!

No meu ofício a milonga
Me faz formiga e cigarra
E a própria estrada prolonga
Meu coração na guitarra!

Flauta: Texo Cabral
Baixo: Ricardo Baugarten
Teclado: Vitor Peixoto
Guitarra: Edson Avila
Violãp: Erlon Peres
Bateria Juan Ferreira

 

NA CONTRAMÃO
(Eudes Fragra/Joãozinho Gomes e Paulo Fragal)
Intérprete: Eudes Fragra
Ritmo: Baião

Povo brasileiro
Jeca sem destino
Num jegue sem freio
Pela contramão
Um cego violeiro no sertão sozinho
Sem teto, sem CIC, sem certidão
Povo brasileiro
Aprendeu o hino
Ao cantá-lo inteiro com a seleção
Um Darcy Ribeiro a socorrer Galdino
Apagando o fogo com a mão
Pivete "funkeiro"
Zumbi, mandingueiro
Bumbum no pandeiro
Chicote na mão

Paulinho da Viola toca cavaquinho
Nelson Cavaquinho toca violão
Povo brasileiro inverte o caminho
E passa a andar na mão

Povo brasileiro
Cidadão Betinho
Mulato inzoneiro
Nordeste torrão
Nobre cangaceiro com um olho no espinho
E o outro no espelho da nação
Povo brasileiro
Cheio de carinho
Que beija as estrelas de seu pavilhão
Engraxate herdeiro daquele menino
Que morreu há pouco na estação
Samba no terreiro
Moleque franzino
No olhar da menino
Uma fome de Cão.

Acordeon: Paulo Cardoso
Contra-baixo: André Salazar
Percussão: Diertson Vicente

 

ORAÇÃO À MÚSICA
(Zé Beto Corrêa)
Intérprete: Zé Beto Corrêa
Ritmo: Canção

Minha Mãe, senhora de tantos grãos
Orai pêlos nossos sonhos
Nos momentos de aflição

Terna luz que aflora dos corações
Rogai por nós, pecadores,
Mas deixai-nos em tentação

Prá que possamos prosseguir viagem
Retirando de teu solo nosso pão

Deusa música, flor, beija-flor, paixão
País de tantos acordes,
Raiz que ascendeu das mãos

Vê, teus filhos perseguem a direção
Mostrai-nos o teu caminho,
Livrai-nos de todo o mal.

Abençoado seja o vosso ventre
de onde brotam todas as canções...

Minha Mãe, deusa música...

Guitarra: Zé Beto Correa
Arranjo: Felipe Radicetti

 

PESQUEIRO DO CAMAQUÃ
(Elmo de Freitas)
Intérprete: Elmo de Freitas
Ritmo: Canção

Quem viveu onde eu vivi
Ouviu e viu o que eu vi no rio Camaquã,
Pluma e espuma branca
E vermelha a barranca com ovas de rã.

Esplendor de flor na correnteza
Aroma e beleza nas lindas manhãs
Três dias antes da enchente
Avisando a gente cantava araquãs

Vi caipora ir embora
Navegando em tora de tarumã
Levando traíra e pintado
Piava e dourado, jundiá e grumatã

Pesqueiro do camaquã
Viveiro sagrado
Pesquei na primeira linha
A imagem da Santinha num manto dourado
Dentro do dourado tem uma Santinha...

Violão: João Freitas Bastos
Contra-baixo: José Adikes Pacheco
Viiolão: Jose Miller
Acordeon: Edson Vargas

 

QUANDO UMA TAÇA SE QUEBRA
( Carlos Madruga/ Vaine Darde
)
Intérprete:Ana Krugers
Ritmo: Milonga

Quando uma taça se quebra
um pássaro cai do ninho...
Um verso se despedaça
ferido de luz e vinho.

Há uma tristeza infinita
nesse momento fatal
Quando um grito se liberta
com acordes de cristal...

Ficam pedaços de estrela
luzindo sobre a toalha
qual se uma rosa vermelha
se desfolhasse na sala.

As mãos se deixam inúteis,
um brinde fica perdido como se a noite chorasse
rubras lágrimas de vidro.

Os lábios guardam o gosto
do beijo que se desfez
e o buque que invade a casa
causa estranha embriaguez.

Nesse momento fugaz
resta um silêncio de pedra
morre um pássaro de luz
quando uma taça se quebra

Baixo: Costa Lima
Teckado: Luciano Padilha
Violão Carlos Madruga
Cello: Celau Moreira
Violino: Juan Pablo Correia

 

TABLADOS DE VIDRO
(Paulo Deniz Júnior eJaime Vaz Brasil)
Intérprete:Felipe Elizalde
Ritmo: Milonga

Quantas claves dormem
sobre o frio dei ombre?

Quantas manos cingem
colos de guitarras?

Quantas vozes podem
derramar su canto
en silêncio
a rondar mi soledad?

Quanto a sombra dorme
um outro sol inventa.

O planeta gira
e el corzón se inqueta
beija a cor dei viento
que traduz e acende
a janela
de mi cuerpo en soledad.

Ah, meu coração
mora tan lejos de mi...

Onde foi parar, não sei.
Vem milonga, vem dizer.

Ah, coração
não me deixe assim
- Aquiles -
dançando flamenco
bem devagar
em tablados de vidro.

Baixo, Voz e Arranjo: Paulo Deniz Jr.
Violão Aço: Veco Marques
Bateria: Sadi Honrich
Harmonio: Roger Scarton

 

TODAS AS PALAVRAS
(Beth Kriegerr eMarco Araújo)
Interprete: Marco Araújo

Como pedra à beira do caminho
todas as palavras do meu coração
Natureza reza rima vida luta lida
numa lua louca e nua
sobre o mar
Mboitatá na mata ferro em brasa
cancha reta estrada torta
juventude e solidão

E a milonga é longa garantia
que sobrou daqueles dias
de fartura e ilusão
E a canção da terra prometida
dividiu toda a torcida
num domingo de gre-nal

Correnteza leva livre o sonho
e a brisa leve a vela e o cheiro
das manhãs no litoral
Carne gorda gaita grito dança
pau de fita azul e branca
canha pura e chimarrão

E a cidade é a prova da verdade
que a fumaça negra invade
fome brava e rock and roll
E o trigo é o trem da economia
e o velho orgulho farroupilha
foi a prenda que restou

Universo verso amor e drama
e no reverso desta trama
um Quintana e o carnaval
Rei do Congo ginga noite clara
quero-quero uma quimera
e a primavera no Taim

E a milonga é longa e não termina
e a esperança é o fim da linha
dos meninos do Bonfim
E a canção do dia se fez trilha
perseguindo a Estrela Guia
e a intenção de ser feliz

Sax: Luisinho Santos
Bateria: Cesar Audi
Violão: Heleno Gimenez