LETRAS DA 15ª MOENDA
em ordem alfabética
ASSOVIO
A
CIDADE
A FLOR
DA ENCARNAÇÃO
LUA DE
PAMPA E DE MUNDO
MAÇAMBIQUE
É DO POVO
MÃE D'ÁGUA
ME JOGA NA PAREDE
ME CHAMA DE LAGARTIXA
MILONGA CONSTANTE
QUANDO
A VIOLA CHORA
QUANDO SE VAI UM CAMPEIRO
A RODA INVENTOU O HOMEM
VOZ DE ANJO
ASSOVIO
Ritmo: Canção
Letra: Paulo César Pinheiro
Música: Eudes Fraga
Rio de Janeiro
Tem sempre
nas noites de lua
Em tudo que é canto
de rua
Um resto de som que flutua
Um vago assovio no ar
Mais doce que um sopro
de flauta
Que acalma
quando é noite alta
E as vezes também sobressalta
De tanta tristeza
que dá.
Vai longe o assovio, e vai lento
Nas asas noturnas do vento
Parece que aquele
lamento
Não vai nunca mais se acabar
E quem assovia nem sente
Como a melodia é dolente
E as vezes vai dando na gente
Vontade também de chorar.
E quando já é de madrugada
Ainda se ouve na estrada
Esse vago
assovio e mais nada
Seguindo o clarão do luar
Pra nunca ninguém
ser sozinho
Precisa por todo o caminho
De dia cantar passarinho
De noite alguém
assoviar.
Acordeon:
Luís Carlos Borges
Violão: Eudes Fraga
A
CIDADE
Ritmo: Milonga
Letra e música: Fernando Corona
Porto Alegre
A
cidade é grande, é maravilhosa
Tudo o que eu quero está aqui,
A cidade é linda, é generosa
Eu falo com a cidade
E a cidade ri.
Com seu jeito antigo e moderno,
Com sua gente
Que é a minha gente também,
Por essas ruas que eu ando todo dia
Meu coração bate mais forte,
E eu me sinto bem.
A felicidade da cidade
Tá no jeito que ela tem,
Tá nosolhosdequem vaievem.
Só ás vezes a cidade pisa na bola e
esquece seus filhos.
Vaidosa, nos vira a cara com suas
maneiras de miss
E é aí que dói a dor e eu digo que é dor
de verdade
Porque quando a cidade dói, dói muito
mais que um país.
Nos vingamos um pouco nas noites de
chuva,
De vento e temporal
Quando imaginamos a enxurrada
tornando imunda
A maldita capital,
Mas nos damos conta do nosso
engano ao limparmos os sapatos
Quando vemos que o mal da cidade
Acaba sendo sempre o nosso mal.
Mas já vem o sol com suas
propriedades reconciliatórias
E invadimos parques e praças quando
desfazemos nossos nós
E batemos fotos que serão admiradas
na virada do século
E veremos, olha lá! Muito mais
fotogênica que nós, é ela!
A cidade, a cidade
Olha o jeito que ela tem.
Tá nos olhos de quem vai e vem.
Teclado
e vocal: Fernando Corona
Bateria: Tiago Fernandes
Baixo e vocal: Lucas Esvael
Guitarra e vocal: Panta
A
FLOR DA ENCARNAÇÃO
Ritmo: Chamamé
Letra: Rodrigo Martins
Música: Felipe Mello
Pelotas e Cruz Alta
Corre o tempo
O pó da estrada suga o sangue
derramado
Pela anunciação
O jogo e fé
Morte e vida se entrelaçam
No rol de uma canção
Definham horas e grita o sol
Sonho ruim queima antes da viração
O som é breve
O fogo e a neve fazem respirar
Nova alucinação
Quero ter imagem tua pra viver
Sol e lua são sem saber
Magia pura do
meu querer
Cadê você?
Batem asas
Vem o aviso que há fim e início
Para qualquer estação
O céu cinzento de um brinquedo que
f az g rã ca
Paz no coração
Solto no espaço
Preciso do sol
Melodia simples soa
Doce sensação
Sombras na parede
De um prédio antigo
Amigo da flor
De mais uma encarnação
Vocalista:
Felipe Mello
Bateria: Rodrigo D'Mart
Baixo e vocal: Rodrigo Osório
Guitarra: Daniel Conceição
Acordeon: Luciano Maia
Percussão: Juca de Leon
LUA DE PAMPA
E DE MUNDO
Letra: Jaime Vaz Brasil
Música: Ricardo
Freire
Porto Alegre e Santa Maria
Lua, Lua
Do pampa.do plata,
Da índia, de Angola...
A lua ensaia a milênios
— em silêncio e placidez —
Ao negroazul do tablado
Quatro ensaios
de nudez.
Lua, Lua
Das matas, dos cerros,
Da Espanha, do Alhambra
A quem ousar decompô-la
Por onde pense de leia
Há de curvar-se.
E beijá-la:
Não
existe lua feia.
Lua, Lua
De Lorca-Gitano, De Fuentevaqueros...
A lua não dorme à noite
E a si mesmo não inspira
Nem cultiva insônia e sono:
Apenas
existe. E gira.
Lua, Lua
De Tapes, Durazno
De Roma e Perugia...
Em quietude ela se noiva,
Com seu noturno disfarce.
Porém, por mais que se esconda,
Mais o seu fim é mostrar-se.
Lua, Lua
Da Calle Florida,
Do Mar dos Açores...
Mas e se o céu for um campo
Onde um menino perdeu
A bola branca que gira
Brincando nas mãos de Deus?
Lua, Lua
Do Pampa, daPlata Da índia, de Angola,
Das matas, dos cerros
Da Espanha,
do Alhambra.
De Lorca-Gitano,
De Fuentevaqueros,
De tapes, Durazno,
De Roma e Perugia.
Violão
Nylon e vocal: Jair Medeiros
Violão aço e vocal: Erlon Péricles
Teclado e vocal: Ricardo Freire
Teclado: Paulinho Bracht
Bateria: Marcelo Freitas
Percussão: Giovanni Berti
Baixo: Ricardo Baumgarten
MAÇAMBIQUE É DO
POVO
Ritmo: Praieiro
Letra e música: Ivan Therra e Jociel Lima
Pega a
massacaia
E vem dançar
Sou maçambiqueiro
Tambor vai mostrar
Bate o
tambor
Bate o coração
Bate o tambor
E canta essa cor
O rei congo falou
E a rainha mandou
Espraiar para todos
Maçambique é do
povo
Na areia branca
Pegada negra
Eu também sou da areia
Quero maçambicar
Todo o povo da praia
Tem no peito um tambor
Marisqueiro e dançante
Guerreiro do amor
Violão
e vocal: Flávio Testa
Baixo e vocal: Mestre Julinho
Teclado e vocal: Claudinho
Tambores e vocal: Ivan Therra
Percussão: Rodrigo Reis
Tambor de treme terra: Jaime Lima
Bateria: Badá do Tunel
Clarinete e vocal: Tainah Marques
MÃE
D'ÁGUA
Letra
e música: Kiko Moraes
Porto Alegre
" ...
E leva pras ondas do mar
Oh! Yemanjá
Os pedidos dos filhos de Oxalá..."
Pegue
seu barco,
Sua rede, sua fé e se vá
Siga as ondas e os ventos
Pra fome pescar...
Leve perfumes e doces
Um ramo de flores e jogue poria...
Saudando a cabocla sereia
E as falanges do mar...
Odô, Odoioiá minha Mãe Yemanjá
Odoiá minha Rainha do Mar...
Mergulha no marulho das ondas
Mãe d'água, vistosa e serena
Sereia da estrela prateada
Coroada de mar...
Levita no balanço das ondas
Mãe d'água, vaidosa morena
Com pérolas e cabelos ao vento
Uma estrela a brilhar...
Violão:
Marcello Caminha
Baixo: Diego Caminha
Teclado: Paulinho Bracht
Bateria: Marquinhos Michelon
Percussão: Kiko Moraes
Percussão: Newton Garcia
Flauta: Texo Cabral
ME JOGA NA PAREDE, ME CHAMA
DE LAGARTIXA...
(A PERDULÁRIA)
Ritmo: samba
Letra e música: Zé Alexandre
Rio de Janeiro
Despreza
quem lhe tem amor
Me joga na parede, me chama de lagartixa
Malvada você me enganou e
Na pindaíba você me deixou
O meu "HOT DOG", não tem molho nem salsicha
Eu
gastei com você um
amor tão imenso
E bom senso, nenhum
E sem jóia no prego
Eu devo e não nego, isso é coisa comum
Sou o rei da pindura e se eu levo uma dura
De algum credor
Eu me finjo de morto, me finjo de cego
Invento uma dor
Despreza o amor...
Foi o carro importado
Foi televisão que eu comprei pra você
To devendo pra tia, para as Casas Bahia
E para o bom Marche
Foi fogão, geladeira, tudo de primeira
Precisa dizer!?
Pra guardar isso tudo
Pediu que eu lhe desse de quebra um "APÊ"
Hora veja você
Eu não sei se a mobília
E mais a família cabem no lugar
Se eu entro com tudo
Não sobra espaço nem pra eu ficar
Só de primo baiano
Ela praticamente trouxe todo o "OLODUM"
E ainda me disse:
- "Tu faz um regime que cabe mais um..."
Olha que 71
Violão: Zé Alexandre
QUANDO
A VIOLA CHORA
Ritmo: Candomblé
Letra e música: Érlon Péricles
Santa Maria
Quando
a viola chora,
Eu choro também...
Dói uma saudade
E o peito arde
Por quem não vem.
A tristeza foi chegando
No meu rancho fez morada.
Quando naquela tardinha
Meu amor pegou a estrada.
Levou a minha alegria
Guardada dentro da mala,
Na casa do violeiro
O que restou foi a mágoa.
Murcharam entristecidas
As flores do meu jardim,
Perdendo o brilho e a cor
Numa saudade sem fim.
Meu coração descompassa
Na ausência do bem querer,
E a viola chora comigo
Ponteando o meu sofrer.
Volta correndo pra casa
Que eu estou a te esperar,
A coitada da viola
Não aguenta mais chorar.
Se ela te ver chegando
Vindo pelo corredor,
Vai continuar chorando
De alegria e não de dor.
Violão
e vocal: Erlon Péricles
Violão aço: Ricardo Freire
Teclado: Paulinho Bracht
Baixo e vocal: Ricardo Baumgarten
Bateria: Marcelo Freitas
Percussão: Marcelo Freitas
Violão: Marcello Caminha
QUANDO
SE VAI UM CAMPEIRO
Ritmo:
Rasguido Double
Letra: Gaúcho Guapo (Genésio)
Música: Paullo Costa
Porto Alegre
No galpão
um corpo inerte
À luz de quatro candeeiro
Silêncio dos companheiros
Em ronda de despedida
A tristeza sobressai
Quando um campeiro se vai
Tropeando a própria vida
Uma carreta encostada
Porque o campeiro se foi
O cusco a junta de boi
Legados ao abandono
Suas pilchas de valor
Laço, mango e tirador
Amanhã trastes sem dono
O vento frio anuncia
O final de uma tropeada
Uma carona empoeirada
Cobrindo bastos e bacheiro
Aperos freio e bucal
Fica solto um bagual
Quando se vai um campeiro
Apagou o fogo de chão
A poeira cobriu o catre
Cambona cuia de mate
Sem erva pra chimarreada
Em tudo uma lembrança
Do campeiro que descansa
A derradeira tropeada
Naquele rancho campeiro
Um silêncio de tapera
Orvalho de primavera
Nos olhos de quem lhe amou
Um vermelhão no poente
Fazendo crer aos viventes
Que a natureza chorou
Violão:
Maurício Marques
Violão: Osmar Carvalho
Acordeon e vocal: Beto Caetano
Vocal: Adílson Carvalho
Vocal: Sidnei Vargas
Baixo: Danilo Kuhn
A
RODA INVENTOU O HOMEM
(A Fritjof
Capra)
Ritmo: Rock Milonga
Letra: Rodrigo Martins
Música: Felipe Mello
Pelotas e Cruz Alta
Me
dê a sua mão
Sinta a batida do martelo
Na construção
Desta circulação
Temos dentro de nós
A vida toda dentro
de nós
O sangue é nossa animação
Me dê a
sua mão
Somos o ciclo terra, fogo, ar e água
O éter no
arco-íris do jardim
O ouro arruina o sol
Que está em cada um
Num movimento sem fim
Você tem que saber
Bigbang
Bigbang
A roda inventou o homem
A roda inventou o homem
Você tem que saber
Bigbang
A roda inventou o homem
Você tem que saber
Então me dê um sinal
Escute o som dos satélites
Me indique, me mostre
Outros caminhos
E o que mais nos anima
Está além das folhas dos jornais
É um antigo pergaminho
Aflordoteu carinho
Somos a roda
A fumaça dos cigarros nos bares
Seguimos no ritmo da espiral
Vamos até o fim
Somos a super-nova que explode
O não e o sim, o bem e o mal
Você tem que saber
Vocalista:
Felipe Mello
Bateria: Rodrigo D'Mart
Baixo e vocal: Rodrigo Osório
Guitarra: Daniel Conceição
Acordeon: Luciano Maia
Percussão: Juca de Leon
MILONGA CONSTANTE
Ritmo: Milonga
Letra: Vaine Darde
Música: Lenin Nunes
Capão da Canoa e Sto. António da Patrulha
Milonga
eu te abrigo
Na tenda do pala
Te guardo na sala
Do meu coração.
Te levo comigo
No gosto do vinho
Na alma do pinho
Que habita
o violão.
Milonga eu te chamo
Na hora do medo
Te sangro nos dedos
Que
tecem canção.
Milonga de ofício
Te sofro na safra,
De arado e tarrafa
De peixe e de
pão.
Milonga eu te sorvo
Na seiva do mate,
Te levo pra o catre
Sem medo e
sem roupa,
E quando encanta
Despida palpitas,
Milonga bonita
Te beijo
na boca.
Milonga tu és
O canto do galo
Espora e cavalo
Pra quem mais te quer.
Milonga constante
Tu és tudo isso:
É s dom e ofício
Guitarra e mulher.
Teclado: Vitor
Peixoto
Violão: Goulart Ferreira
Violão: Lenin Nuñes
Flauta: Texo Cabral
Baixo acústico: Clóvis Boca Freire
Flauta: Zé Blanco
VOZ DE ANJO
Ritmo: Canção
Letra e Música: Anddré Sallazar
Santo António da Patrulha
O que você me deu
Ninguém
pode tirar
Me fez dormir
E amanhecer
Na luz do teu olhar
Te ter, só em te ter
Te ver crescer, brincar
Me dá prazer
Me ensina a viver
O bom da vida
Ao embalar teu sono
Ou quando engatinhar
Já nos
primeiros passos
Nas primeiras palavras
Nas artes pela casa
No jeito de olhar
No tom da voz de anjo
Ou quando me chamar de pai
E assim sigo feliz
Na estrada de algodão
Com um sorriso bobo
Segurando
a tua mão
À
noite peço a Deus
Que olhe aqui por nós
Pra sempre, sempre ter comigo
O som da tua voz