LETRAS DA 16ª MOENDA
em ordem alfabética
CIDADE
BAIXA DAS ALMAS
CORDA
NO PESCOÇO
MAR DE SAUDADE
MENINOS DO
BRASIL
MILONGA
DE OUTRAS BANDAS
MOENDA E O
TEMPO, A
NA MESMA ONDA
PAMPA VIVE
NOS HOMENS, A
RUA DA PAIXÃO
SAMBA DO LED
TIRANDO BOI
DO RODEIO
UM CERTO IVAN
CIDADE BAIXA DAS ALMAS
Letra: Caetano
Silveira
Música: Fausto Prado
Intérpretes: Alex Alano e Ana Krüger
Ritmo: Samba
Cidade: Porto
Alegre - RS
Crepúsculo ou ocaso
Casa, chuveiro e rango
Noite de jeans,
camiseta
Chave da porta, carango
Rádio, sinal e janela
Um bêbado
bambo, bambo
Cidade Baixa das almas
Flanelinha cor de jambo
Esquina, escambo, esquina
Cidade Baixa das almas
Muitos desejos e caras
Caras de loucos e tristes
E outras
caras às claras
Bar do Marinho, cerveja
Bandeja, batom, e tiara
Guitarra
e outro sorriso
Sobejo, desejo e tara
Esquina, escambo, esquina
Guitarra e outro sorriso
Convite, mesa, cadeira
Palavra, copo, sorriso
Desejo
de quinta-feira
Sem verso, sem verbo: nada
Em bocas de saideira
Relógio,
trampo. cadeia
Conta, dinheiro, carteira
Esquina, escambo, esquina
Mais uma noite de pura paixão
Mais uma noite de pura ilusão
Mais
uma noite de pura...
Cidade Baixa
O verbo, a palavra, a ação? Não!
Arranjo e Guitarra: Fausto Prado
Bateria: Rodrigo Lopes
Baixo: Guto Wirti
Percussão: Giovanni Berti
Teclados: Vitor Peixoto
CORDA NO PESCOÇO
Letra e música: João Correia
Intérprete: João Correia
Ritmo: MPB/Frevo, Baião e Repente
Cidade: Rio de Janeiro - RJ
Seu delegado, invadiram
o mercado
Desespero pra comer!
Quem é o culpado?
O mais interessado da miséria acontecer
Trem de intriga, me diz se isso é vida
Brasileiro meu irmão
Alma ferida empurram com a ferida
Inventando solução
Quem tem um conto?
Quem tem?
Quem tem um prato?
Quem vive roendo osso
Quem não sai desse buraco
Nervos de aço
Quem pra frente dá um passo?
Quem tem corda no pescoço
Quem tá apertando o laço?
Dona justiça fêmea da preguiça
Bicho ruim de trabalhar
Cheira carniça por cima desta terra
Urubu tende a voar
Vossa alteza me diga com franqueza
Qual caminho pra seguir?
Com toda pureza num balaio de incerteza
Tá difícil de sair
Negra verdade cartel de crueldade
Dilacera todo amor
Sangra a vontade cultivo de maldade
Tem remédio sim, senhor!
Gente na praça arrebite esta raça
Na garganta vive um pó
Telha vidraça uma pedra estilhaça
Andorinha não esta só
Sou brasileira sobrevivo ao negativo
Não tem mais adjetivo
Na palavra que eu falar
Quero motivo consciente positivo
Um frasco de corretivo
Tem arquivo pra queimar
É abusivo o poder do distintivo
Leva fama fugitivo
Incentivo a incriminar
Um curativo no pescoço corrosivo
Nada mais subjetivo
Coesivo pra mudar
Violão
Caipira: João Correia
Pandeiro: Mimo Aires
Vocal: Otávio Segala
MAR DE SAUDADE
Letra: Cássio Ricardo e Renato Júnior
Música: Cássio
Ricardo e Paulinho Di Casa
Intérprete: Paulinho Di Casa
Ritmo: Maçambique
Cidade: Osório
Maçambicá,
Eu quero te ver
Maçambicá
Teu corpo, mexer
Maçambicá
Gingando pra lá e pra cá.
Vou te mostrar
levanta o pé vem dançar
cuidado, pisa di vaga
Nas pedras não vá trupicá
Um tambor vai batendo
É meu peito querendo o teu regressar
Ao teu lado morena
A vida e pequena pra tanto amar
Mas é dura a saudade
E longa a distância que traz esse mar
Me espera morena
A vida é poema e tu meu rimar
Neste mar de saudade
Aumenta a vontade de te encontrar
Mas a dor da corrente que prende a gente
Insiste em lembrar
Que atrás do horizonte
Existe um amor que vive a esperar
Eu aqui e tu lá
Eu lá tu aqui no meu peito a morar
Violão: Diego
Sá
Baixo e voz: Nanico
Percussão: Loir Santos
Teclado e voz: Nilton Júnior
Bateria e voz: James Wilton
Guitarra e voz: Cássio Ricardo
Tambor de maçambique: Mário Duleodato
MENINOS
DO BRASIL
Letra e música: Fabrício dos Anjos
Intérprete: Fabrício dos Amjos
Ritmo: Xote
Cidade: Belém
- PA
Há fome
que dá medo de se ver
Na América do Sul
Vidas que se alimentam de viver
De esperança no corpo quase nu
E nem destino a saber
Ainda tenho a minha voz, e o ardil
Pra cantar pros meninos do Brasil
E a fome a devorar a vida
E a vida a definhar de fome
Vidas indo no choro da mãe
Vidas indo sem rumo e sem nome
Lá pra capital
Pra ser notícia de jornal
É o sol rachando a pele
E a seca rachando o chão
De um povo sem certezas, sem comida
E sem perdão
Genocídio não tem hora, gentileza
E nem nação
Que aguente a língua seca
Por conta do seu patrão
Na intimidade dos seus pés, os espinhos
No caminho as pedras e os ais
O querer poder colher pra merecer
A bendita bênção do pai
Pra se ter um bom morrer
Pra em fim viver em paz.
Bateria: Mimo Aires
Baixo: Miguel Tejera
Teclados: Paulinho Bracht
Violão e voz: Otávio Segala
MILONGA
DE OUTRAS BANDAS
Letra e música: Mauro Moraes
Intérprete: João de Almeida Neto
Ritmo: Milonga
Cidade: Porto Alegre - RS
Milonga de
outras bandas,
Milonga de outros carnavais,
Milonga nem sei das quantas,
Milonga "criolla" no más...
E canto que anseia,
melodia largo, amores, tristezas,
terra, fronteira, campo, cidade, café de chaleira...
Estâncias "gaúchas",
e um grosear de cascos mundo afora!
matando a sede dos quebrantos a grito e espora...
À
s vezes "lê gusta" enforcar na maneia o
tempo,
firmar o passo, camperear bem despacito,
e ao tranquito trocar orelha com a cuscada,
quando a peonada recolhe cedo pra mangueira:
até formar tropa, apartar...curar bicheira!
Quando basteriada. quando amanunciada,
a milonga teima, a milonga charla, a milonga marca,
a vida na paleta, a milonga salta de cima do lombilho,
e até com dois potrilhos, ela é o coração,
trazendo a dor de tiro pró galpão...
até tomar mate, churrasquear... contar causo!
"Por eso que Ia milonga,
tiene el alma de los gaúchos,
Ia pompa, Ias costumbres y el caballo,
dei campo, su poesia y Io que piensa,
y todo el que quiera...todo Io que quiera!".
Violão
solo: Marcelo Caminha
Violão solo: Fabrício Harden
Violão base: Mauro Moraes
Baixo acústico: Marcelo Caminha
A
MOENDA E O TEMPO
Letra: Mário César Tressoldi, Mário Simas Tressoldi e
Chico Saga
Música: Mário César Tressoldi e Chico Saga
Intérpretes: Renato Júnior e Flávio Júnior
Ritmo: Catira
Cidade: Tramandaí - RS
O dia ma amanhecia
E o canavieiro
Antes do luzeiro,
"
já estava de pé".
Cortando a cana pro gado
À
luz de pixirica,
Firmado na lida,
Movido na fé...
O velho canavieiro,
Mostrava pra filharada,
A arte do seu alambique:
"
— Te afirma nos fueiro pra nós ir pra estrada..."
A moenda vai girando
Com os ponteiros do tempo
E o verde dos canaviais
Vai dançando no embalo do vento.
As cantigas de então,
Vão se ouvindo pelas lonjuras.
"
— Me bota os boi nesta canga
Que é pra não falta rapadura..."
A velha carreta rangendo,
Entrava na roça
Pra ser carregada
De cana cortada.
" — Mulher vai limpando o cilindro
que a tarde vem vindo
e a carga ta indo
pra ser esmagada..."
A mansa junta de bois,
Dois pares de olhos vendados,
Fazia brotar da engrenagem,
O caldo valioso
Pra ser fermentado...
A moenda vai girando
Com os ponteiros do tempo
E o verde dos canaviais
Vai dançando no embalo do vento.
As cantigas de então,
Vão se ouvindo pelas lonjuras.
"
— Me bota os boi nesta canga
Que é pra não falta rapadura..."
Enquanto a fornalha esquenta.
caprichosa e lenta
a garapa fermenta,
pra ser "lambicada".
Depois de estar tudo bem quente,
em boa aguardente,
pra alegrar a gente,
já sai transformada...
Fervido, está o melado,
no ponto de rapadura
e o velho e bom canavieiro
é
quem prova primeiro da sua doçura.
A moenda vai girando
Com os ponteiros do tempo
E o verde dos canaviais
Vai dançando no embalo do vento.
As cantigas de então,
Vão se ouvindo pelas lonjuras.
"
— Me bota os boi nesta canga
Que é pra não falta rapadura..."
...E hoje, a luz da pixirica
ficou na memória,
faz parte da história
de um tempo que foi.
O Engenho já foi transformado
num belo povoado,
com fio esticado,
" Descansou os boi".
Os filhos do canavieiro
deixaram o velho só e num canto,
abandonada, ficou a moenda coberta de pó.
Pixirica: Espécie de Candeeiro.
Fueiro: Estaca para amparar a carga do carro de boi.
Alambicada: Destilada, no interior se usa dizer lambicada.
Garapa: Caldo de cana.
Cilindro: Peça da Moenda que tem a função de esmagar a
cana
Violão, vocal e
arranjo: Mário Tressoldi e Chico Saga
Percussão: Rodrigo Reis
Palmeiros: Clóvis Fortes, Mateus Fernandes e Júnior Melos
NA MESMA ONDA
Letra e música: Érlon Péricles
Intérprete: Piriska Grecco
Ritmo: Baião/Milonga
Cidade: Santa Maria - RS
Eu canto baião
sorrindo
E canto triste a milonga,
Mas quero os dois navegando
Unidos na mesma onda.
O baião vem do Nordeste
A milonga é cá do Sul,
Ele a sanfona enlouquece
Ela é só no tum, tum, tum.
Eu só quero misturar
Pra saber como é que fica,
O baião vem se achegando
Pra milonga que me habita...
Coração num só compasso
E uma harmonia bonita
Contando ninguém faz fé
Só quem escuta acredita.
E todo mundo
Vai cantar com emoção,
A tristeza da milonga
E a alegria do baião.
Violão e voz:
Chico Saratt e Cesar Oliveira
Bateria: Marcelo Freitas
Baixo e voz: Erlon Péricles
Acordeon: Luciano Maia
Teclado: Paulinho Bracht
A
PAMPA VIVE NOS HOMENS
Letra: Vaine Darde
Música: Lênin Nuñes
Intérprete: Beto Randazzo
Ritmo: Milonga
Cidade: Capão da Canoa c Santo Antônio da Patrulha - RS
A Pampa por
ser imensa
Não cabe em seu universo
Vai muito além da querência
Mas vive dentro de um verso.
A Pampa não tem fronteiras
Nem dimensão de distâncias
E vai além das porteiras
Do domínio das estâncias.
A Pampa é universal
Pois em qualquer continente
É
um território rural
Vivendo dentro da gente.
É o sonho florindo solo
Por onde o homem se encoste
A Pampa cabe nos olhos
E vai além do horizonte.
Por isso o campo se estampa
Exilado na cidade
Há sempre um pouco de pampa
Nos confins dos arrabaldes.
Por mais que os homens se somem
Onde a esperança se acampa
A Pampa vive nos homens
Mais de que os homens na Pampa.
Violino: Sandro
souza e Marcelo Vier
Viola: Hinen Wents
Violão: Marcelo Caminha
Cello: André Wents
RUA
DA PAIXÃO
Letra e música: Totonho Villcroy
Intérprete: Banda Dona Lee
Ritmo: Balada
Cidade: Rio de Janeiro - RJ
Eu andava
meio desligado
E não te
vi passar
Eu não te vi passar
Eu não te vi me olhar
Pela primeira vez
Como eu te disse
Da primeira vez que eu te vi
Foi nessa rua
Foi nessa rua que eu te vi
E que me apaixonei
Pela primeira vez quando eu te vi
Eu me apaixonei
E nessa rua ali ficou
Rua da paixão
Nossa casa nessa rua
Nossa casa nessa rua ali ficou
Na cidade baixa eu te reparei
Na cidade baixa que me deparei
Com esse moço,
pobre moço
Lupicínio ali dizendo que
Esse moço, pobre
moço
Sabe nada do amor
Na cidade baixa eu aterrissei
Na cidade baixa eu levitei
Com esse papo de sopapo
Do balanço do pandeiro
Tão dizendo que o molho da baiana melhorou
Passa meu amor
Pela nossa rua
Entra sem bater
Vem que a casa é tua.
Baixo:
Ricardo Baumgarten
Guitarra: Paulinho Fagundes
Bateria: Marquinhos Fe
Vocal: Ewandro Garcia
SAMBA DO LED
Letra e música: Edu Da Matta
Ritmo: Samba Salseado
Intérprete: Edu Da Matta
Cidade:
Pelotas - RS
Aqui tudo
acaba em samba
Mulher minha vai de mão
Pra não se perder na
charanga
Que tem muito gavião
Que tá de banda na área
Fica ligado meu irmão
Que as mina tão de cara
Porque os mano
não tem carrão
Mas um dia acaba a gasolina
Longe, longe, longe de casa
E nesse dia cai a casa
em cima
Lonely, lonely, lonely e de cara (tchau)
Aqui tudo acaba em samba
Mulher minha não dá sermão
Quando
a parceria se manda
E fica eu pra lotar o camburão
Que tá de banda
na área
Fica ligado meu irmão
Que as mina tão de cara
Porque
os mano não tem carrão
Bateria: Rodrigo
D'Mart
Cavaco: Edu Da Matta
Guitarra: Daniel Conceição
Baixo Rodrigo Osório
Sax Alto: Daniel Zanotelli
Percussão: Roberto Marques e Rafael Marques
TIRANDO
BOI DO RODEIO
Letra: Anonar Danúbio Vieira
Música: César Oliveira
Intérprete: Cesar Oliveira e Rogério Melo
Ritmo: Chamamé
Cidade: Porto Alegre - RS
Campeio
a volta, de chapéu tapeado
Neste bragado que domei paciente
Pois um cavalo quando é de respeito
Carrega um pouco da alma da gente.
Quem tira o sustento pra mulher e filhos
Do serviço bruto, chuva, sol e poeira
Dá valor a um pingo bueno e de coragem
Pra topar parada de qualquer maneira.
Nestes dias lindos de manhã serena
Saio escutando o talariar da espora
Carrego no sangue a tradição torena
De apartar o gado sempre "a campo fora".
Por isso me agrada de parar rodeio
Pra empurrar zebu com o bico da bota
Quem é da lida não perde cuerada
Pra boiada alçada de fundão de grota.
Esta cachorrada que me faz escolta
É
minha confiança quando pego o grito
Meus ovelheiros seguram a volta
E eu entro no meio e tiro boi solito.
Então levo o corpo neste meu bragado
Doce de boca e flor de campeiro
Se o boi é manso eu faço o costado
Saio pechando se for caborteiro.
Acordeon:
Luciano Maia
Violão solo: Fabrício Harden e Márcio Rosado
Violão base: Érlon Péricles
Baixo: Diego Caminha
UM
CERTO IVAN
Letra e música: Dani D. K.
Intérprete: Kako Xavier e Grupo Status
Ritmo: Toada
Cidade: Porto Alegre - RS
Vivendo tão só
Num canto qualquer
O filho no colo
Perfil de carente
Menina, mulher...
Com mãos a tremer
De fome, de dor...
A dor de não ter a certeza
De ver o menino crescer
Dor, por temer o futuro de alguém
Cujo nome lembrava canções
De um certo Ivan...
De um certo Ivan...
Com tantos irmãos
Cresceu sem o pai
A mãe, sempre ausente
Tão indiferente
Nem vê quando sai
Seu nome é Ivan
Seu dom? Seu afã
Só tem oito anos mas já tem seus planos
Prá agora e depois
Na praça, lustrando sapatos
Ganhou uns trocados, comprou uma flor
Chegando em casa
Foi ver sua mãe
E disse: — Mãezinha, me leva prá escola?
Vou ser um doutor
Com nome bonito Igual ao cantor.
Teclado:
Paulinho Bracht
Vocal: Edson Vieira, Cláudio Amaro e Costa Lima