LETRAS DA 17ª MOENDA
em ordem alfabética
ALTO-MAR
CARETÃO
DA DUQUE E A DOIDINHA DA CIDADE BAIXA,
O
CONDÃO DE
TEINIAGUÁ, O
DESPEDIDA
GUASQUEIRO
HELENAS
LIVRO, O
MÃO NA ESTRADA
NO UNIVERSO
DE BORGES
PEDALLOAD
PRA TODA TERRA
VIVER
VILLA LOBOS,
A CANÇÃO
ALTO-MAR
Letra: Caetano Silveira
Música: Fausto Prado
Intérpretes: Alex Alano e Ana Krüger
Porto Alegre/RS
Uma imagem clara
Ganha a tela da noite
Cruzeiro do céu
Do frio
Um barco azul
Alto-mar
Um amor
Me atrairá
Meu olhar mistura
Cores nesta aquarela
E não será gris
Eu quis carmim, lilás
Alto-mar
Uma amor
Me atrairá
Solidão, embarcação
Vidas em degradê
Prazer camaleão
Amor, vem ver
Meu sonho é solto
Louco eu escrevo e vou navegar
Um pouco
Como um navio
Em alto-mar.
Violão aço:
Fausto Prado
Teclado: Marcos Ungaretti
Violino: Heine Wents
Percussão: Giovanni Berti
O CARETÃO
DA DUQUE E A DOIDINHA DA CIDADE BAIXA
Letra e música: Zelito
Intérprete: Zalito
Santo Antônio da Patrulha/RS
Sou um Camaleão mudo de cor
Quando
se aproxima o meu amor
Sinto uma mistura de pavor e paz
Ela leva a vida em outro tom
Não vivemos nunca o mesmo som
Ela é o mais Crazy Rock and Roll
E eu Jazz
Sei que eu não sou
Um anjo puro
Que vive tranquilo nas nuvens
Mas ela tem vícios e amigos
Que não tem a ver com os meus
Eu só curto Água Mineral
Ela, "ceva" e "bequi".
Violão:
Zelito
Baixo: Tássio Ramos
Violino: Sandro Souza
Gaita Ponto: Renatinho Müller
O
CONDÃO DE TEINIAGUÁ
Letra:
Hércules Grecco
Música: Humberto P. Pinheiro Porto
Intérprete: Maria Helena Anversa
Porto Alegre
e São Leopoldo
Sou como Teiniaguá,
tentação, mulher
Segredos das salamancas no meu farol
Tenho poderes, passo pra quem quiser
Em troca reclamo provas
Quem dará?
Sou
Fada enamorada
Pela madrugada
Na distância qualquer luzeiro
Me lembra o sol.
Noite enluarada
Vem alguém na estrada
Na canhada espreita um carente
Coração.
Olho pra dentro de mim
Meu coração é assim
Talismã sem igual
Meu condão.
Quero este vulto que vem
Nosso lugar é além
Dentro do vendaval
Da paixão
Sou frágil instrumento que vai soar
Talvez como a corda tensa do violão
Ao toque rude posso desafinar
Prefiro um roçar mais leve
Comunhão.
Sou
Montaria e armada
Esperando a olada
Minha urgência é laçar o sonho
De ser feliz.
Troco o tudo e o nada
Do condão de fada
Pela mão que em sutil magia
Me alcançar.
Teclado: Dado Jaeger
Flauta: Luizinho Santos
DESPEDIDA
Letra: Jaime Vaz Brasil
Música:
Ricardo Freire
Intérprete: Ângela Gomes
Porto Alegre e Santa Maria/RS
Quando a guerra
não foi mais que um simples jogo
Quando o medo fez mais cedo um outro
escuro
E o futuro se fez logo ali, dobrando
Eu vi, amiga: era tarde.
Quando o mundo foi além do meu quintal
Quando a vida foi jornal e não
história
E a memória fez a contramão do dia
Eu vi, amiga:
era tarde.
Quando o guarda que dormia nos brinquedos
Pôs o dedo no olhar da minha
pressa
E quis ver tudo o que a vida fez de mim
Eu vi, amiga: era tarde.
Quando o vento não me fez abrir os braços
Ao abraço sideral
de estar voando
E a pandorga me fugiu sem dizer quando
Eu vi, amiga: era tarde.
Quando a noite foi algema do meu sono
E eu, de dono, fui escravo de um relógio
E no pulso pus dilema e cotidiano
Eu vi, amiga: era tarde..
Quando o tempo foi julgado em outra lei
E a tristeza me beijou, tão
natural
Nas paredes, no vazio fundo da casa
Eu vi, amiga: era tarde.
Muito tarde.
Teclado
e vocal: Ricardo Freire
Guitarra: Sílvio Fortes
Baixo: Daniel Fortes
Bateria e xilofone: Marcelo Schindt
GUASQUEIRO
Letra: Ramiro Amorim
Música: Alberto Ventura
Lages/SC
Intérprete: Alberto Ventura
Aprendendo a lida na volta de um couro
Me fiz um guasqueiro de faca na mão
Lonqueando, estaqueando, curtindo e aparando
Desquinei os sonhos do meu coração
É
pedra é chaira, é faca lambendo
Tento desquinado, parelho e sovado
Botão, cabeçada, peiteira e rabicho
Saliva e capricho no feitio
trançado
Me doutrinei em campo conduzindo tropa
Parando rodeio e apojando vaca
Garanto
a noitada em versos de porfia
E a bóia do dia no fio da minha faca
Quanta trança feita por mim viu
Maria
Relho, maneia, rédea e
barbicacho
Com ela meu rancho luziu em harmonia
No frio noites quentes feitas
de abraço
Meus filhos cresceram gostando da lida
Pois a própria vida é assim
também
Sempre aparando tentos desparelhos
E aumentando a trança
de um querer bem
Violão
base: Alberto Ventura Neto
Violão solo: Adilson Palma
Guitarron: Michel Martins
Afiar de facas: Dido
HELENAS
Letra: Dilan Camargo
Música: Dado Jeager
Intérpretes: Lúcia Helena e Maria Helena Anversa
Porto Alegre e São Leopoldo/RS
Está pintada
em nossa pele
A pura cor de toda raça
Acenda a sua vela, vele
Cante, reze, alcance sua graça.
Está escrito em nossos nomes
O
h bonito desses homens
Em cada amor vem e desce
Um pouco do céu que
se merece
Somos mulheres
Helenas do mar
Num vai e vem, ondas de amar
Somos mulheres Helenas da luz
A dupla chama brilha, seduz.
Somos e somos
helenas dos sins
Nos inícios
e nos fins
Nos inícios
e nos fins
O amor é isso e é assim.
No jeito só bem feminino
Que vem
da memória das peles
Escreve
e apaga os destinos
O sábio amor de todas as mulheres.
Teclado: Dado
Jaeger
Cello: Celau Moreira
O LIVRO
(soneto)
Letra: Vaine Darde
Música: Carlos Madruga
Intérprete: Maurício Barcelos
Capão da Canoa e Porto Alegre/RS
O livro voa quando empluma
as asas
E vem repleto se aninhar no colo
E faz das mãos a sua nova
casa
E pousa n'alma pelo céu dos olhos.
O livro livra... pois desfaz
os medos
E emana luz por onde a treva impera,
Transpõe muralhas pra depor segredos
E ordena o caos pra iluminar taperas.
O livro grita dentro do
silêncio
Palavras férteis de saber imenso
Em horas plenas de milênios vivos.
E os homens fecham as pupilas
mortas
Buscando a chave para
abrir a porta
Que vive aberta no interior do livro
Violão solo: Márcio Rosado
Violão base: Carlos Madruga
Baixo: Costa Lima
Acordeon: Luciano Maia
Percussão: Fabrício Coelho
MÃO
NA ESTRADA
Letra: Renier Salgado
e Vera Affonso
Música: Renier Salgado e Vera Affonso
Intérprete: Renier Salgado
Rio de Janeiro/RJ
De que vale
agora ver o sol se por
Tou com a mão na estrada
Não sei onde vou
WW Hawai Bora Bora Tahiti
Lá se vão as horas e eu aqui estou
De que vale agora a lua sobre o mar
Ilhas do Caribe onde quer que eu vá
Quase tudo e infinito, é o acaso ou destino
E nesse labirinto quero
achar você
Por isso estou aqui plugado
A espera de um e-mail seu
E assim vou prosseguir linkado
No beijo que você me deu
De que vale agora ter onde chegar
Se é na memória que você está
A distância só garante
Sua presença mais distante
Só me resta agora ter que esperar
O que sinto agora não é natural
Foge à realidade é tão
virtual
No seu site eu quero entrar
Navegar no seu baton
Quero ser o hacker do amor ponto com
Violão: Renier
Salgado
Guitarra: Fábio DB
Baixo e vocal: Jamaica
Bateria e vocal: Thompson
Soares
NO UNIVERSO DE BORGES
Letra: Vaine Darde
Música: Lênin Nunes
Intérprete: Chico Saratt
Capão da Canoa e Santo Antônio da Patrulha
Em todo espelho
me vejo
Num labirinto de Borges
Quando me encontro me perco
No que me prende e me foge
Porque não
olho pra dentro
Igual aos olhos de Borges
Meu tempo escorre pra fora
Numa ampulheta quebrada
Apenas canta
o que chora
Ferido da própria espada
Tendo o signo da espora
Na pampa desconsolada.
Pois nos porões
da memória
Por não ter chave não entro
Meus olhos de olhar pra fora
Não sabem olhar pra dentro.
A face que
me revela
Não fosse lisa do vidro
Me faz prisioneiro dela
Num estranho refletido
O mundo externo é uma
cela
Onde me encontro detido
Eu vivo fora de mim
A cada verso que foge
Se perde pelos
confins
Nas setas do meu alforge
Eu sou o inverso de mim
No universo de Borges.
Violão
aço: Lênin Nuñes
Violão nylon: Maurício Marques
Bandoneon: Carlitos Magallanes
Teclado: Vitor Peixoto
Teclado: Marco Ungaretti
Cello: Celau Moreira
Sax alto: Daniel Zanotelli
PEDALLOAD
Letra e música: Karine Cunha
Intérprete: Karine Cunha
Porto Alegre/RS
Pedalando, menino
Pássaro em duas rodas
Na paulicéia, em Porto Alegre
Até meu coração
Num instante vai chegar
Ar condicionado natural
Dispensa walkman
O som é ambiental
Num singelo
vai e vem
Aro de metal
Design arrojado
Modelo o mais original
Motor turbinado
Motor turbinado!
Já levou meu coração
No seu louco pedalload
Nova bossa,
samba'n roll
Vou no seu beat pedalload
Bicicleta:
Karine Cunha
Violão e vocal: Marcus Bonilla
Baixo e Vocal: Alexandre Vieira
Percussão e vocal: Weber
PRA
TODA TERRA VIVER
Letra: Sandro Andrade
Música: Paulo Jesus A. de Lima e Loreno Santos
Intérprete: Paulinho Di Casa
Osório/RS
Sintonizo o rádio
Desgraças assolam o mundo
Sem tempo de ser
mais humano
Me faço de cego e surdo
Chego em casa atrasado
Aciono mais
um botão
Vejo a porta se abrindo
Sou mais um sem coração
Um povo se corroendo
Pessoas que vem e vão
Ouro negro vai manchando
De vermelho o nosso chão
Se um botão liquida vidas
Também
une a mãe nação
Ligo o rádio novamente
Quero ouvir
uma canção
O botão que faz a guerra
Deixa só destruição
Nesta
terra que sem vida
Faz morrer toda a razão
Um deserto tão sofrido
Que jamais vai ver nascer
Um botão de rosa branca
Pra toda terra viver
O
botão da bomba
Éo botão do mundo
Éo som que
ecoa
Neste mundo imundo
Botão que guia o carro
Botão no avião
Vigiando a nossa vida
Sempre tem algum botão
Botão da campainha
Botão do meu chuveiro
Satélites que guiam mísseis
São
botões do mundo inteiro.
O botão que faz a guerra
Deixa só destruição
Nesta terra que sem vida
Faz morrer toda a razão
Um deserto tão sofrido
Que jamais vai ver nascer
Um botão de rosa branca
Pra toda terra viver
Violão e vocal: Carlos Catuípe
Violão e vocal: Loreno Santos
Baixo e vocal: Kako Xavier
Tambor de maçambique e vocal: Mário Duleodato
Tambor de maçambique e vocal: Gregori
Acordeon: Luciano Maia
Bateria: Lori Santos
Percussão: Gefferson Lima
VILLA LOBOS, A CANÇÃO
Letra e música: Carlos Gomes
Intérprete: Ivânia Catarina e Carlos Gomes
São
Paulo/SP
Levou pra
além-mar o som tupiniquim
Um cocar, o cauim
Revelou a sintonia: dissonância e melodia
Entre as maravilhas mil da
Amazônia e a Sinfonia
Do Rio a Paris viola das Gerais
Boi-Bumbá, Parintins
O rebento das três danças,
Caicó, fruto da andanças
Nos arranjos onomatopéias orquestrais: vaia e bis
E foi assim
De laranjeiras pro universo
Herói ou vilão?
Seu tempo se cumpriu
Mas deixou sua arte de resposta aos nossos corações
Villa-Romances,
Villa-Paixões
E foi assim
A apoteose: comunhão de vozes curumins
Seu tempo se cumpriu
Mas entregou de herança pras futuras gerações
Suas canções Villa-Mundo, Villa-Brasil
Alma muito além do espaço-tempo
Quis ecoar seu País
Bachianas brasileiras em toda corte estrangeira
E da ópera ao choro, às
seresta com Bandeira
Num final de primavera como as flores foi embora
E o folclore ficou órfão
na América do Sul
Mas conservou seu brilho e cor Rio São Francisco,
Rei Heitor Regai em nós, em mim, compositor
O canto Uirapuru
Violão: Carlos Gomes