LETRAS DA 19ª MOENDA
em ordem alfabética

CÉUS AZUIS
CONCRETO
CRENDICES
EDIFÍCIO BRASIL
MENINO-LOBO
MUNDO NASCEU DE UM SAMBA, O
OLHOS VAGOS DO ACASO, OS
QORPO SANTO
RETICÊNCIA
RETRATO
TE APROCHEGA VIVENTE
VIOLA ESPERANÇADA

 

CÉUS AZUIS
Letra: Vaine Darde
Música: Cássio Ricardo
Interpretação: Renato Jr.

Nas noites tristes quando o céu solúvel
Derrama mágoas nos confins dos suis
Ainda assim eu tenho céus azuis
E estrelas raras num olhar sem nuvens...
Pois pouco importa que a amplidão se turve
Se nos teus olhos guardas toda a luz
Até nas noites quando se produz
O vento louco pra que o ipê se curve...
Teus olhos claros vão povoar taperas
Nos meus olhares feitos de sol posto
Por onde a aurora novos sois espera.
E quando o inverno vem impor desgosto
Nos olhos trazes tantas primaveras
Que nem parece que é o mês de agosto...

Teclado e Vocal: Nilton Jr.
Teclado: Cristian Sperandir
Baixo: Leandro Mohamede
Guitarra e Vocal: Adriano Sperandir
Flauta e sax: Luizinho Santos

 

CONCRETO
Letra e música: Marcelo Lavrador
Intérprete - Marcelo Lavrador  - São Paulo

Olho de catarata
Catarata de olho d'água
A voz, a foz, a fonte
A voz da foz até a fonte
Pesadelo derradeiro, menino
chorando com fome
Carne dada aos vermes, cadáver
Carne dada às feras, presa
Peito dado às balas, coragem
Peito dado aos filhos, leite
A maneira de cair, o pé girando
a mão no chão
Sai da roda de angola (1) e não
vacila meu irmão
A roleta do revólver, olha o
cano. olha o cão
Capoeira é capoeira e não diz
quem aprende essa lição
Já ligaram a fita (2), vai descer lá na bocada
Vai pegar cocada preta ( 3 )
pra tentar ficar de pé
Mas a terra em que se planta é a
mesma que se traga
E o giro do tambor é mais
rápido que o pé

(1) Roda de Angola - Roda de Capoeira de Angola
(2) Ligar a fita - gíria da periferia paulistana
que significa descobrir ou revelar algo.
(3) Cocada preta - maconha

Violão e Voz: Marcelo Lavrador
Violão: Mariana

 

CRENDICES
Letra: Silvio Genro - Santa Maria
Música: Lanes Cardeal - SAP
Interpretação: Grupo Status

Na ponta do cerro grande,
Em noites de cerração...
Quem conta o causo, garante
Aparece assombração!
Onde se vê um fogaréu,
Que dizem, num tempo antigo.
Capangas dos coronéis
Degolavam inimigos...
" A negra Jura nos disse,
Mexendo o tacho de doce:
Quem perde a crença em crendices
Do bom da vida estraviou-se "
O tempo passa depressa
E a gente cresce e esquece
Que a vida só perde a graça
Quando a esperança envelhece
Meu coração faz de conta
Que sabe o que já esqueci...
Quem conta causos, inventa
Novos sonhos para si.

Voz: Dani DK, Cláudio Amaro e Edson Vieira
Viola: Mário Tressoldi
Violão: Lanes Cardeal


EDIFÍCIO BRASIL
Letra: Renato Júnior
Música: Cássio Ricardo
Interpretação: Renato Júnior

"É impressionante como num mesmo lugar
Pode-se encontrar pessoas tão diferentes...
O gordo, o magro, o feio,
o belo, o reto, o torto,
negro, branco e amarelo...
Todos, iguais perante a lei... é iguais!!!
Todos vizinhos neste...
como diria Severino... é difícil Brasil!"
Seu "doto" peço desculpa
Por entrar neste recinto
Eu, um homem mal vestido,
Frente a um senhor tão distinto.
Mas é preciso que alguém
Lhe conte as novidades!
Quem vive no andar de baixo
Hoje é só felicidade!!
As "cosa" vem melhorando
A "fartura" predomina
O pessoal anda "de varde"
Escorado nas "esquina".
Água é "moda" do passado
Quero que o senhor veja,
Não há quem ande na rua
Sem latinha de cerveja.
O salário dá e sobra
O biscate é diversão
Com o suor do trabalho
Ninguém "passa" precisão
A saúde, hoje em dia,
Segue forte e renovada
Por ser tão eficiente
Faz "fila" nas "madrugada", Seu "doto"!
Seu "doto" peço desculpa,
Por entrar nesse recinto
Eu, um homem mal vestido,
Frente a um senhor tão distinto.
Mas é preciso que alguém
Lhe conte as novidades!
Quem vive no andar de baixo
Hoje é só felicidade!!
Segurança, nem lhe falo,
Já bateram o martelo
Não há bandido lá foi
Só o poder paralelo.
Todo mundo se ajuda
Por caridade ou capricho
Tudo que sobra na mesa
Vira banquete no lixo
Então veja seu "doto'
Tudo agora é diferente
Não existe mais motivo
Pra viver longe da gente
Deixe o seu escritório
Aqui pertinho do céu
Hoje a noite vá lá em casa
Temos sopa de papel Seu "doto"!

Pandeiro: Giovanni Berti
Flauta: Luizinho Santos
Cavaco: Cássio Ricardo

 

MENINO - LOBO
Letra: Caetano Silveira
Música: Beto Bolo
Interpretação: Paulo Oliveira

Às vezes
Sou bicho do mato
Um gato selvagem
O rugido: um trovão!
Noutras, sou choro nagô
Lusa louça quebrou
Estatelada no chão
Às vezes
Sou homem gabiru
Missioneiro e Chiru
A ilusão e o Real
Noutras, molambo-farrapo
Um triste retrato
A última pá de cal
Um menino-lobo
De rua
Que na Candelária
Sem Lua
Não pode uivar

Um velho índio
Um valente Pataxó
Que por estar só
Se deixou incendiar
Às vezes
Sou boi-de-piranha
O herói da façanha
Fica um, passa mil
Noutras, um homem comum
Um José, um João
O descobridor do Brasil.

Violão e Voz: Beto Bollo
Teclado e Voz: Marcelo Lehamann
Baixo: Clóvis Boca Freire
Percussão: Giovanni Berti

 

O MUNDO NASCEU DE UM SAMBA
Letra: Chico Saga e Mário Tresoldi
Música: Chico Saga e Mário Tresoldi
Interpretação: Loma

Um dia o Ser de Luz fez um samba
Contando da solidão do universo
Mas antes da ultima frase sair
Lembrou que não tinha ninguém pra lhe ouvir
Sentiu uma imensa vontade de ver
Alguém que quisesse aprender a sambar
Então fez a terra, o céu e a vida,
Pra sua plateia feliz habitar
A boca do seu violão era o sol
A chuva um chocalho num ritmo só
Um lindo arco íris de cordas nasceu
E se coloriu com os dedos de Deus
Brilhava no seu barracão celestial (
A lua que parecia um pandeiro
O som do trovão imitava o tambor
Marcando cadencia num Tom brasileiro
O mundo de agora perdeu o compasso
A grande plateia esqueceu de escutar
O eterno poema que Ele inventou
E só uma semana depois descansou
Se o homem de hoje quisesse cantar
E o samba de Deus já soubesse de cor
Não precisaria um poeta fazer
Um samba bonito pra um mundo melhor.

Violão e Voz: Mano Tessoldi e Carlos Catuípe
Cavaquinho e Vocal: Chico Saga
Flauta: Andrea Martins
Surdo e Vocal: Flávio Júnior
Pandeiro: Giovanni Berti

 

OS OLHOS VAGOS DO ACASO
Letra: Carlos Ornar Villela Gomes
Música: Tuny Brum
Interpretação: Vinícius Brum

Os olhos vagos do acaso
Me encontraram esses dias
Neste meu corpo cansado
De esperas e rebeldias
Miraram minhas pegadas
Na areia branca do tempo...
Giraram pelas estradas
Com ânsias de cata-vento.
Os olhos vagos do acaso
Me encontraram faminto...
Com fome louca de ocasos
Pra os sóis minguados que pinto!
Quebraram as ampulhetas
Desvendaram os meus casos...
Jogaram fora a colheita
Do que não foi por acaso!
Os olhos vagos do acaso
Não refletiram no espelho...
Deixaram fora de esquadro
Minhas paixões e sinuelos.
Jogaram pedras pesadas
No meu telhado de vidro...
Restou a luz desbotada
Destes meus olhos perdidos!

Violão: Tuny Brum
Teclado: Paulo Bracht
Baixo: Felipe Faísca
Bateria: Rafael Bisogno
Guitarra: Silvio Fortis

 

QORPO SANTO
Letra: Maurício Barcelos - POA
Música: Paulo Fleck
Interpretação: Maurício Barcelos

Sou criador e criatura
Nessa vida que mistura
A verdade da metáfora
Na lucidez da loucura!
Sendo somente o que invento
Sou surreal noutro tempo
Um prisioneiro a buscar-se
Num labirinto de vento.
Na solidão das alturas
Deixo que os sonhos se plantem
Pra ir além das molduras
Desses retratos de ontem.
Sou a razão no delírio;
A tradução dos avessos;
Um deserdado no exílio;
A face que desconheço!
Deixo cair minha máscara:
Um trágico riso de espanto!

Sou nesse palco vazio
Pecador em corpo santo
Se buscares meus rastros,
nos teus descompassos saberás de mim!
Na encruzilhada dos ventos
(além do meu tempo)
há de me encontrar...
E assim...
Deixa que eu te leve leve
como um sonho mundo
que proclamo em calada voz!
Deixo que me guardes
nas prisões do peito, pois tu
Serás cativo e teu algoz!

Percussão: Fabrício Coelho
Contrabaixo: Guaraci Guimarães
Piano: Carlos Garofali
Bandoneon: Carlito Magalhanes

 

RETICÊNCIA
Letra: Luciano Dellarth
Música: Zé Alexandre -
Rio de Janeiro
Interpretação: Zé Alexandre

Não sei se sou reticência
Ou se sou ponto final
Toda a ilusão criadora
Transformando um ser real
Bem longe da sua pele
Meu sabor é artificial
E longe da minha essência
Sou realidade virtual
Agora sou vestígio de sua
Sombra matinal
Um fóssil da sua história
Sou elementar cristal
Traduzindo sua origem
Num elo fundamental
Presa da memória
Vivendo num sopro passional
Quisera ser reticência
E também seu ponto final.

Violão de Nylon: Marcelo Lavrador
Viola: Diorgem Júnior

 

RETRATO
Letra: Eugênio Gomes
Música: Eugênio Gomes
Interpretação: Claire Winck Barcelos

Estão dizendo que sou um chorão.
Qualquer cinema, uma canção,
dizem que eu choro à toa
Porém de fato um dia desses vi teu retrato
E deu um nó, uma tristeza boa
Meu predileto violão, eu nem sarei mais dela não
Segura que hoje eu vou chorar
Havia um céu ou mais: havia sete céus
Azuis, vermelhos, amarelelos céus
Ma analisava, costurava,
cozinhava muito bem
Me dava (à) luz assim corno ninguém
A vida diminuta cabe toda num só prato
Vem jantar morena enxuta. Vem tirar retrato
Nosso passeio é longe, nem vai ter mais fim
Se trepidar segura em mim
Que eu sou tão seu amigo

Grudei assim contigo feito um carrapato
Estão dizendo que sou um leão
Que bebo tanto e caço briga,
que chutei a mesa
Até quem diga que em sexta-feira enluarada
Eu cresço pêlo, cresço cada presa!
Não se apoquente, violão
Sou gente, não sou lobo não
Difícil é só se conformar
Havia um chão ou mais:
um chão mais outro chão
Que eu tanto arava e semeava em vão
Me agasalhava, se enroscava,
me beijava muito bem
Mas me embrulhava assim como ninguém
Da vida a parte fina raspei toda do prato
Que o melhor sumiu na esquina,
mas guardei retrato
Mundão velho de guerra, quantos anos tem
Esta estrada vai ou vem?
Se vai, eu vou com ela
Se vem, eu vou pra lua namorar a terra

Pandeiro e Efeitos: Giovanni Berti
Contrabaixo acústico: Clóvis Boca Freire
Violão: Toneco da Costa
Violão: Lenin Nuñes

 

TE APROCHEGA VIVENTE
Letra: Carlos Eduardo Radox - Pelotas
Música: Kako Xavier - POA
Voz: Kako Xavier e Vini Xavier

Sou gaúcho sim
De uma nova geração
Na minha garupa trago inovação
Te aprochega vivente, aperta
a minha mão
Prepara a erva, esquenta a
água pro chimarrão
Sou dos pampas, sou do sul,
sou brasileiro
Vou levando minha rima ao som
do bombo legüero
Cruzando as porteiras deste
pampa que eu adoro
Misturando culturas e ritmos sonoros
Sem preconceito e com respeito à tradição
Vou a galope facerito pela estrada da canção
Nossas forças se unificam quebrando conceitos
Com liberdade de expressão,
arte pura no peito
Falamos contra o preconceito
e a discriminação
Semeando atitude pelo
nosso chão
Somos filhos desta terra,
gaúchos de fato
Descendente farroupilha,
chimango, maragato
O tempo passa e com ele vem a mudança
Hoje homem decidido, ontem
Uma criança.
Nossas forças se unificam ...

Bateria: Marco Michelon j
Baixo: Tássio Ramos
Teclado: Jcan Presser <
Bombo Leguero: Amaro Radox
Guitarra: Rafael Brasil

 

VIOLA ESPERANÇADA
Letra: Diorgem Júnior
Música: Diorgem Júnior
Interpretação: Diorgem Júnior

Meus amo
Aqui de longe a sôdade
Dói no peito, ai, ai, ai
Meus amo
To com sôdade de ocê ó meus amo
Eu to carente do teu cheiro e teu sabó
Minha viola toca moda de sonha
"Pra modi ver os teus olhinhos brilhar"
To com sôdade de ocê ó meus amo
To com sôdade de ocê ó minha fulo
To com sôdade de ocê ó minha fulo
Enamorado, abestaiado é como esto
Repare não este meu jeito de dizê
É de mansinho que me achego a vancê
Minha viola esperançada anssim ponteia
Fazendo versos pr'esse amor que me arrudeia
Lá pra janeiro quando a sorte miorá
Volto ligeiro meu amor pra te busca.

Viola: Diorgem Júnior